terça-feira, 18 de maio de 2010
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Descoberta
Igreja e pedofilia
O fato do Papa ter colocado em pauta a necessidade da Justiça julgar os pedófilos e não a Igreja é uma mudança se considerarmos que até os fins do feudalismo – isso sem considerar a Península Ibérica da Contrarreforma- ela era soberana absoluta e não reconhecia poderes locais. Como próprio nome sugere, herança do Império Romano de outrora, ela era “universal”. Precisou Lutero e seus seguidores, para favorecer os poderes nacionais locais, mudar isso no plano político-religioso, mas isso já é outro assunto.
Pedofilia não é privilégio da Igreja. No seu excelente livro sobre os perversos, Elisabeth Roudinesco elenca os 3 perversos na sociedade atual: o transexual, o terrorista e o pedófilo. Esse último representa vários desafios: é um prazer que vem da relação de poder – ai cabe a distinção de Jung que coloca a teoria de Adler como primado do poder, ao contrário de Freud que privilegia o prazer – e vamos ter em mente que estamos em uma sociedade que valoriza a juventude, modelos de 13 anos só que sem a imagem já característica de homens ou mulheres recebendo suas primeiras doses mais fortes de hormônios sexuais, mas uma imagem pálida, esquálida, pré-púbere, praticamente e paradoxalmente dessexualizada. Talvez a imagem de alguém com traços das suas características sexuais secundárias já represente uma ameaça a imagem infantil construída dessa perversão coletiva/consumista em que se soma o desejo de ser (jovem) e ter (consumo, moda). E daí tem se a morte do perverso, outrora um pária da sociedade que em nossa versão do Alienista de Machado de Assis a sociedade como um todo não é lá diferente daquilo que ela considera doente, o que ela rejeita.
E tome escândalo com os padres enquanto por fora tem-se casos de pedofilia com professores, instrutores que lidam com jovens, os famosos estranhos tarados que nossas mães mandam evitar – o caso de Luiziânia ilustra com um perverso desses que nossos pais tanto temiam - representantes de outras religiões e, no caso que a imprensa custa em admitir e que é onde ocorrem a maior parte dos abusos, porque além do poder tem o afeto envolvido, a mais sacralizada das instituições: a família.
Os padres estão corretíssimos ao afirmarem que pedofilia não ocorre dentro somente no âmbito do catolicismo. Todavia, isso não deve ser desculpa para que a Igreja tome as suas providências, já que ela como Instituição deve sim dar satisfações a seus fiéis e ás comunidades que ela atende, seja por coerência com o princípio cristão, seja por respeito às leis seculares, como o próprio Mestre disse “dai a César o que é de César”.
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Imagina. Melhor não!
“...o dia que tanta injustiça, tanta imperícia, tanta imprudência finalmente sejam reparadas, o dia que o maior idiota do mundo, também conhecido como o amor de nossa vida, se der conta de que nos ama. Isso seria um dia perfeito a sério”
Imagine como seria o dia perfeito para você. Imagine que pode deixar de ser egoísta e mudar o mundo. O que lhe proponho é que imagine duas coisas distintas, porém simultâneas. O certo é que quando primeiramente me veio a mente imaginar um dia perfeito, o primeiro que imaginei foi que eu poderia mudar os sentimentos de uma pessoa. E com uma pequena reflexão, me dei conta de que não importa o mundo, nem me importa o 2012. Na mente de uma pessoa apaixonada/alienada está sempre o mesmo pensamento. É um egoísmo pouco raro. Poder escolher, o que imagino que foi, o quanto ou qual pessoa me ame. Em algum lugar mais simples, deixar de pensar constantemente no mesmo indivíduo, que por certo, para escolher este último não precisa de Gênios ou lâmpadas maravilhosas.
O dia perfeito seria, não sei, digamos: “a paz mundial”. Se não pensamos em algo tão altruísta, poderíamos dizer: “um pouco de paz”. E o egoísta poderia dizer: “que todos me deixem em paz”.
No entanto há outra clase de dia perfeito, o dia em que finalmente, alguem se imagina que vai ganhar. “Quem vai ganhar a loteria?” “quem vai ganhar um aumento ou as eleições presidenciais?”. Não, claro que não, o dia que tanta injustiça, tanta imperícia, tanta imprudência finalmente sejam reparadas, o dia que o maior idiota do mundo, também conhecido como o amor de nossa vida, se der conta de que nos ama. Isso seria um dia seriamente perfeito a sério. Porém, (claro, sempre porém) há algo em nosso egoísmo que nos faz esquecer do mais importante, a pessoa em questão. Sempre a mesma, ainda que possam ser muitas pessoas que representem o mesmo, certamente andam pela vida mais feliz. Porque não se fazem esses planos que proponho frequentemente, porque certamente está apaixonado por alguém ou, muito pior (para nós), está em uma relação feliz com alguém melhor que nós mesmos. Se o amor que sentimos é real, porque é, quando menos, é raro que nos apaixonemos justamente pela pessoa que não nos corresponde. Deveríamos pensar que o dia perfeito seria o dia o dia em que a pessoa que amamos possa ser feliz.
De ondem saem as fantasias, estas fantasias direcionadas, onde as pessoas por algum tipo de acidente vascular cerebral grave, estão com alguém, ou com muitas pessoas, ao invés de estar conosco. “Por que não nos escolhem?”, é um mistério que nos desvela, noite após noite e que não nos deixa dormir a sesta do sábado a tarde. Por que em algum ponto da nossa saída de sexta-feira, entre esse momento em que nós pregamos o primeiro ponto depois de sair do escritório e voltar para casa com a camisa sem gravata, cheirando a álcool e sem orgulho nos perguntamos por que não está aqui comigo?
A resposta, se pudéssemos alguma vez nos sorepor a nosso próprio derrame cerebral, é simples. É porque não quer, ou por um acaso existe algum tipo de força gravitacional que o impede? No caso do nosso “namorado” (o editor de texto não me deixa colocar mais aspas, mas mentalmente estou colocando mil aspas ao lado da palavra namorado) vive em Berlim oriental entre 1949 e 1990? Não. O que nos separa é a distância, não é a condição social e nem, sequer, a condição sexual. Sequer é algo, mas sim a ausência de algo. A inexistência de um sentimento por parte do outro. É difícil expressar que o que nos separa é justamente o nada, o vazio, a falta de uma coisa que jamais esteve, algo que não surgiu. Seria mais simples a vida se pertencêssemos a famílias rivais da máfia japonesa e nosso amor fosse impossível por esse motivo.
Falava com alguém que me disse “estou apaixonado” e me escreveu no MSN com sinais de admiração que eram como uns bonequinhos verde-maçã que sorriam e dançavam e lhe perguntei se era correspondido. Bem, ele não sabia. E eu o recordei de como era bom o amor antes e como é bom o amor neste momento, quando conhece alguém e está contente e sorridente e você fica nervoso quando ele está por perto. Neste momento, no princípio de tudo, onde o amor que sente é que te faz feliz e não depende de nada mais a não se de você mesmo. Teria que desfrutar mais isso e não se apressar em saber o quão mútuo é o Sentimento.
Imagino que a vida seria diferente sem amor. Pensaram muitos que do que venho falando uma vez ou outra é justamente sobre o que não encontro. Bem, releiam, porque eu encontrei o amor faz pouco tempo e ele me fez feliz por exatos 13 dias e logo foram só dessabores. Porém não me imagino nenhuma outra forma de viver, não sei quando será que me apaixonarei de novo. Não sei do que vou falar nesse momento.
No entanto, imagino que poderei dar conselhos. Vou poder dizer a meus amigos com o coração aos trapos que não tenham mais problemas, que tudo vai ficar bem. Vou poder exigir que sigam em frente, que se esqueçam do passado. Agora posso fazer isso.
Imagine o dia perfeito, que a felicidade é tangível, que a olhamos recostados e está conosco a pessoa que amamos. Imagine um passar de horas dos dias alegres porque à noite vamos poder estar juntos. Imagine que a comida é ótima, que as histórias são divertidas, que a manhã de domingo enquanto lê o jornal ele não fica de mau humor e é capaz de interpretar o horóscopo da revista “viva” de tal maneira que faz um prognóstico de amor e pássaros cantando por todo o resto da semana. Imagine um mundo sem guerras, imagine coisas boas. Imagine que entendem as canções de amor, o que quer dizer a lua com uma canção sobre paz.
Imagine o dia perfeito onde a paz que você sente é igual a paz mundial e ao céu. Imagine que o amor não dói, imagine um amor mútuo. Se pode ver um pouco mais adiante e refletir sobre seu próprio egoísmo, o melhor que poderá ver, e, talvez, com sorte, o vento a favor e depois de pisar na merda descalço se dá conta de que tem alguém que sente amor por você. E isto é a coisa mais otimista que posso dizer.
domingo, 2 de maio de 2010
Faltou dizer
Revolução Solar
Quarta, dia de Marte saturnizado
Há na travessia uma sensação estranha. Aqueles dois praticamente jazem lá atrás, pernas espalhadas no banco da frente. Estão á vontade, como se fosse em casa. Mais na frente um cinquentão vacilante em suas mãos sobre a calça e na mão esquerda sente as contas do terço. Não sei se reza, mas à direita - dele e não do Pai- o que a mão toca é exatamente outra coisa.
Ao descer por pouco não pego o ônibus errado... "esse aqui é o Gávea" me diz o cobrador a tempo de esperar o próximo para o Leme, coisa que não demora muito. Coisa rara, aliás. De qualquer forma a viagem é tranquila, até a bexiga encher e me forçar a uma parada na casa dos tios, antes de seguir para Copacabana e sentir o toque da "Sistah" até o Aterro.
Quinta, Jupiter
Apesar do nome do deus nada é "agigantado" durante o dia, exceto pela saída noturna. Um casal óbvio - o coroa para para o menos coroa e mais bonito a creveja - o papo com o garçom de sempre, um casal jovem improvável MG-SP naquele local e um bonitão que entra e sai rapidamente para fazer-nos passar raiva na noite seguinte.
Sexta, tudo acontece até no caminho para a serra
Último dia para entregar a declaração do IR e depois de algumas conferências - e insistências - com o programa o troço flui. Momento de seguir para o centro da cidade, guardas municipais, uma tia parecida com minha mãe com lenço no cabelo - era entidade mandada, tenho certeza, porque eu não passei Monange na suvaqueira- e eis que descubro que Nova Friburgo e o atual desenvolvimento tecnológico dos celulares proporciona momento agradável e, por que não, improvável, para um certo alguém.
Sim, tem a Embaixada do país africano, as revistas de umbanda, consciência negra e turismo sobre a mesa e no meio da consulta a tecnologia avançada ainda dá seus sinais para as primeiras definições - ainda não concluídas- da situação anterior. Terno, gravata, cheques assinados e mais outro ônibus. Encaradas no caminho para pegar o ônibus em meio ao caos da cidade. Ao entrar o efeito de braços acontece enquanto alguém cisma em um chat num NEXTEL com internet e incessantemente conversa com uma certa Luciana Botelho. Venci a discrição, pois os desejos de olhar e de saber já nos acompanham desde a infância e no fim das contas valeu a pena o jogo de braços.
A sexta ainda prometia no mesmo local da noite anterior, com mais gente. Outra mão inquieta do coroa de gosto, talvez, superespecífico. Uma criatura com cara de polonês, uma versão jovem do Papa de outrora o que o fez ganhar o apelido de Wojtyła dançava do mesmo jeito a noite toda como um robozinho e ficava voyerusticamente acompanhando os beijos e sarros dos outros casais, inclusive um que se assemelhava a um dos vários desafetos de um amigo. Não teve jeito edada a demora do sósia ilustre em querer algo, tive que usar meu marte-urano no canto da parede com a velha conferência da mão em mim. Será que era para conferir o mito sobre negão?
E claro, tem aquele momento para passar raiva em que o belo da noite anterior cata uma das coisas mais feias ali...mas isso lá é regra e gordo bonito pegando feio é mais irritante que magro bonito fazendo o mesmo, foi a estranha conclusão do fim daquela noite.
Sábado
O telefonema que não chega. Celulares que não funcionam. Expectativas. 415. Tijuca. O desejo de fazer um Fla x Flu, sublimado depois da ideia do clássico entre os tricolores gaúcho e carioca. Livros e fotos. Conversas sobre a submissão do mesmo escravo do ano passado. Carros com placas da Região do Lagos em rua que me fez sentir no interior. O sinal estranho e instântaneo. Uma mulher com muitas crianças e uma barraqueira magrela com pinta de nega maluca do carnaval com seu sarará diz algo a alguém que desconheço. Lá atrás as belezas cuja diversão foi devidamente estragada. Bingo para o desejo de sempre detonar gorda que só quer saber de magro. É uma forma interessante de sadismo, definitivamente. E ainda o paraíba das madeiras que também fica em uma situação estranha, isso já depois da saída dos dois candidatos a amantes de 30 minutos.
Resta ainda descer e na esquina ver algo interessante e ter disposição para tomar uma cerveja e uma coca. Mas o algo interessante acaba ficando desinteressante frente a coroa tipicamente copacabanense - que agora tá de mudança definitiva para o Recreio- fala sobre seu cachorro, a vida em Copa, da filha (ou filho) travesti (foi isso mesmo que ouvir?) que viria da Suíça para o Brasil para trocar a prótese de silicone. Ficamos fãs da tiazinha!
Daí tem a noitada com tarot, precedida por um acidente doméstico no qual o anel insiste em ficar no dedo da bela moça prestes a desfilar sua beleza em uma fezta de 15 anos. Há também um velho de bengala que parece uma entidade a nos perseguir, pega o 434 e desce no mesmo local nosso, e uns lekes com pinta de "escola pública" que não parecem ser cariocas e um deles, para usar o termo cunhado pelo meu querido Bruno, era Rede Shop...se bem que pela pinta poderia aceitar até mesmo um ticket refeição ou um Riocard.
Estou estranho, reconheço e com sono, mas ficar na companhia de 4 cinquentonas divorciadas divetidíssimas falando de suas viagens, amores, desejos, sexo e tudo o mais pode ser sim uma experiência e tanto. Já ouviram falar que 50 é o novo 30? Daqui a 18 anos, quem sabe poderei dizer o mesmo.
Muitas cartas, revelações, gatos passeando sob meus pés e resta-nos Botafogo às escuras no caminho de volta e a recordação de um prédio, um castelo nos fundos onde mora um príncipe que virou sapo de uma hora para outra e por vontade própria. Creio que é filme segundo do Shrek. E depois de passar naqueles lugares supostamente indies em que todos tem a mesma cara e a mesma roupa, o alternativo são o que a sacola do mercado do paraíba no ponto esconde enquanto a sua van para o Vidigal impeça que saibamos mais. E vem uma negona bonita, vestida de forma vulgar como pede o seu ofício, uma diva daquela noite vem com um viado careca. Sim, é uma situação bizarra, mas o timbre da voz e o gesto sobre sua calça de ginástica não deixam margem para dúvida.
Então que venha o meu novo ano pessoal com todas essas bizarrices ainda sem respostas.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Que ressurreição buscamos?
Mas por que mencionei religião? Ah sim, é época de Páscoa. Para nós católicos representa o sofrimento de Jesus na cruz até a sua ressurreição, símbolo de vitória sobre o mal para qualquer cristão.
Meu primo, evangélico pentecostal, dizia que a visão católica de um Jesus sofrido era ruim, porque ele era vitorioso, glorioso e que sofrimento não combinava com ele. Está ai uma das chaves para o sucesso desses cultos e mais ainda, dos neopentecostais, com igrejas lotadas. Agora é hora de olhar os fatos não por um viés religioso/espiritual, mas sim, cultural/social/psicológico.
Vivemos em um tempo que tentamos o tempo todo negar o sofrimento. Pílulas de emgrecimento rápido - a sibultramina está ai como a vilã da vez- antidepressivos e tantas outras coisas prometem, tal como o discurso do pastor, a glória, a vitória eterna. Empresas treinam seus funcionários para o sucesso a qualquer custo, aumento das vendas, lucro, sempre a vitória.
Não há problema em querermos ter uma vida ótima. Ainda bem que o progresso científico nos trouxe benesses que nos aliviam de diversos males. Imagine a vida antes da invenção da anestesia, por exemplo. E imagina isso nos tempos atuais onde matamos mais que nunca? Não é "pecado" querermos ser bem sucedidos.
O perigo está na negação do sofrimento. Viver implica em vitórias, de acordo com os nossos esforços, que isso fique bem claro e ao mesmo tempo há frustrações, sofrimentos e perdas. E é isso que queremos negar.
Um amigo meu, umbandista, me explica que muita gente sai dos cultos afro para os evangélicos porque nestes últimos há uma promessa eterna de alegria e felicidade apoiados numa ideia de Deus que pode cumprir tudo e satisfazer seus caprichos mais mesquinhos, bem como "apagar" os seus erros na falsa ideia que tais igrejas trazes sobre o perdão. Errada porque se Jesus representa a forma humana de Deus e que ele se faz presente no amor que devemos ter uns com os outros, é na relação com os outros que deve existir o perdão e a alegria e não em uma oração para uma entidade distante e abstrata como muitos de nós, crentes, pensamos. Nesses cultos não queremos a coletividade, com suas alegrias e frustrações, mas apenas a satisfação de um capricho egoísta e a crença de que somos especiais, eternos e melhores que os demais por fazer parte de uma determinada denominação.
Por isso a ideia do Jesus sofrido pode sim nos atualizar para esse lado de que a vida implica sim em alegrias e tristezas e que a ausência de tudo isso só se dá mesmo na morte completa, uma ideia incompatível com a crença cristã - e de várias outras religiões- de que há vida eterna.
E espero, nessa Páscoa, que todos nós, independentemente de acreditar ou não em Deus, nos tornemos pessoas melhores e cientes de que a vida tem sim os seus percalços, mas que isso não é desculpa ou motivo para nos encerrarmos em uma depressão egoísta (excluo aqui a patológica) ou que a vida oferece puro sucesso e confundir isso com realizações mesquinhas.
Fetichização da desgraça
http://http//odia.terra.com.br/portal/brasil/html/2010/3/menina_e_estuprada_apos_ter_pulseira_do_sexo_arrebentada_em_londrina_72554.html
Existem representações e afetos. Afetos são o que sentimos e representações são objetos de desejo ou repulsa que aplicamos a este afeto. Explicando essa psicanálise de almanaque que apresento aqui, se alguém tem medo de barata (meu caso), há um afeto: o medo e a representação : a barata.
O "afeto' perverso que se tem é o desejo em estuprar. Se bem que não sei se perverso é a palavra certa. A perversão implica uma negação da norma estabelecida, algo que choca, como é nos dias atuais, de acordo com a brilhante Roudinesco, o terrorista. O estuprador, por mais que nos choque tem a norma machista a seu lado: o cara se sente dono da mulher e pode impor seu poder conforme queira. Eu mesmo já ouvi de homens e de mulheres também a fala " a culpa foi dela que deu mole" ou ainda "bem feito, quem mandou ela usar short curto".
Dessa vez o objeto fetiche para essa representação são essas pulseiras. Elas são o bode expiatório (ou seria espiatório? to sem paciência pro google) da vez. Prefeituras proíbem suas vendas como se isso num passe de mágica evitasse essas barbaridades.
As pessoas tem que parar de negar hipocritamente a existência da sexualidade. Afirma sua existência é o melhor caminho para uma conversar franca com os filhos e colocar que uma vez que somos "sexuados", existem responsabilidades e formas de lidar com o nosso desejo, mesmo que, como diz a música Pecado Original do Caetano, trilha de "A Dama do Lotação" (filme de Neville D'Almeida) "a gente não sabe o luga certo onde coloca o desejo". Ao que parece, tanto os jornais, como os estupradores e alguns legisladores, resolveram colocá-lo nas pulseiras, num belo mecanismo de recalque coletivo, para mascarar o que realmente há por trás disso tudo: a existência e a emergência da sexualidade dos adolescentes e o jogo de poder e violência de uma sociedade machista que trata as mulheres como mero objetos. Se os responsáveis, escolas e demais instituições que lidem com os adolescentes souberem de forma clar, franca e objetiva como lidar com isso, teremos adolescentes menos vulneráveis a situações lamentáveis como essa de Londrina, meninas mais empodeiradas em sua sexualidade e morre a necessidade de atacar pura e simplesmente uma pulseira, quando sabemos que, por trás disso existem questões muito mais sérias.
Homens, mulheres e simpatizantes

domingo, 7 de março de 2010
Feliz 2011
Falando em eleições muitos comental que a Dilma está em plena campanha. Concordo que ela faz isso no melhor estilo "papagaio de pirata" do nosso querido Lula da Silva. Se Lula for em quermese em Iguaba Grande, lá estará ela dizendo que é a mãe do PAC e sem ele não teria as bandeirinhas que enfeitam a quermese.
Por outro lado, o Sr Bruns, digo José Serra vai fazendo doce e gente na imprensa diz que ele está lerdo na campanha por ainda não ter se lançado oficialmente como candidato, uma vez que Aécio Neves já pulou fora e almeja vaga do Senado. O que ocorre é que o camarada tá em todas, incluindo homenagem no Congresso aos 100 anos de Tancredo e lá estava ele prestando as "homenagens" já fazendo palanque político também. Ele só não pode ter dado muito as caras tanto quanto Dilma porque seu filme está muito queimado após os temporais em SP e a aliança de seu partido com o DEMônio de Arruda.