sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Texto Liquididificado

Para O.S.S.O

Há um candidato a deus, talvez um que ainda sonha em ser herói e tem cabelos prateados. Quer ser herói de seu desejo, mas o seu poder, as palavras, acabam por andar em linhas muito tortas e sempre cismam em cair em um mundo de neblina onde nada pode ser distinguido.

Bem, aí ele leva a sua missão para aquela sala escura, uma tela cheia de luzes e ali, ah, ali tudo parece estar certo. No entanto, a sua beleza e a cisma em não querer usar as palavras erradas acabam por fim fazendo que não se use palavra alguma. E ele se dilui, mesmo com os belos cabelos prateados em uma outra neblina que ele mesmo criou. Ele não sabia que para se tornar o deus de seus sonhos tem que saber imperfeito, porém reconhecendo os seus próprios desejos. Ele ainda está na primeira parte de sua jornada.

Então a missão é abortada. Vira uma espécie de limbo. Ele acusa de ter sido jogado lá, sem se dar conta, ou por não querer assumir os seus desejos- vamos ter isso em mente quando pensarmos neste candidato a deus ou a heroi - que aquele é um limbo que ele mesmo criou. Só que ai um deus que fazia parte de sua missão resolve dar-lhe uma segunda chance. O problema até agora é que ele pisa em ovos e palavras suaves se tornam verdadeiros monstros carregados de aberturas por caminhos tortos, que tem destino certo, mas que ele insiste, ainda em não chegar até o seu final. Prefere ainda ficar com as suas mesmas fraquezas.



Ps: Batizei-o de Liquididificado por ser um texto hermético, propositalmente.

Reta Final

Eu confesso que na reta final de 2010 eu queria fazer este o ano recorde em coisas liquididificadas. E isso tendo como concorrentes em termos de querer dizer coisas a esmo o twitter, o tumblr e o facebook. Parece que as redes sociais servem para dar vazão a essa minha paranoia - ainda tem acento esse troço? To com preguiça de ver no google ou usar o tradutor do mozila - quantitativa como requer a minha boa estrutura neurótica obsessiva.

Tinha pensado em uma série de reflexões sobre o corpo, a invasão do BOPE no Alemão ou até mesmo a tal bactéria californiana que sintetiza arsênio e teve gente achando que ela era extraterrestre. Tudo bem que sendo californiana não faz muita diferença (risos)

Bem, quando eu tiver paciência e saco os farei. Que venha 2011, já que o fato mais interessante e relevante foi mesmo a Halomonadaceae do lago Mono.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tan tan tan tan tan tan...

Viva Nelson com esse trecho de "A Dama do Lotação":

"A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava."

E sobre a musiquinha como na época que passava no Fantástico! tan tan tan tan tan tan

sábado, 30 de outubro de 2010

Duas reflexões de sábado

1) Estávamos eu e Osmar do lado de fora de um bar em Copacabana. Ele tinha que estar ali pelo fato de ser fumante e a lei, como já se sabe, proíba que se fume nos bares, ainda que do lado de fora.
Lá pelas tantas me aparece um senhor do bar dizendo para se afastar um pouco da posição que estávamos pois havia uma câmera filmando e se, a fiscalização da prefeitura visse, o bar pagaria multa porque tecnicamente aquela era área do bar e seria considerado um não cumprimento da lei.
Nesse mundo com linhas demacadas, vigília constante com aval e domíno do Estado ficamos com uma clareza maior sobre nossas amarras melhor até do que qualquer tese do Foucault ou ainda do livro 1984. Tudo isso porque ainda não vivemos - e considero por vezes impossível - sob o domínio do bom senso. Sempre há algo a nos policiar em nome do nosso "bem estar".

2) E no mesmo bar a Letícia me pergunta: como vocês homens conseguem separar amor do sexo? Pensei em trocentas mil teorias, mas na verdade bastou uma reflexão na forma como eu mesmo fui educado. Nós homens em uma ponta não damos atenção ao cuidado com o corpo - malhação é para satisfazer vaidade e se cultua uma suposta saúde dentro de um modelo que está na moda no nosso contexto capitalista (PSTU feelings) - e por isso a nossa expectativa de vida seja menor que a das mulheres. E ai vem o discurso do povão "o homem mete pinto em tudo quanto é buraco".

Na outra ponta, em um modelo também tradicional, as mulheres são educadas a guardar o próprio corpo, em especial no que diz respeito a sexualidade. Ao mesmo tempo não tem poder, dentro dessa visão, ou domínio sobre ele, dentro de nossa cultura machista. A união amor e sexo nesse contexto pode servir como uma justificativa ao prazer puro e simples negado às mulheres, algo que torna "sagrado" o ato sexual e atenua o estigma, caso bem diferente se uma mulher transa só pelo prazer .

Não seria o caso de pensar além dessas fronteiras e cada um admitir dentro de si o que lhe dá prazer, o que busca do ponto de vista emocional, o que faz ter momentos felizes no que diz respeito ao sexo e ao amor? Juntos? Separados? Não importa desde que haja franqueza e respeito para as partes envolvidas.

Baseado no que tenho visto com os meus envolvimentos nos meus últimos 2 anos, o que está faltando mesmo essa franqueza do outro em relação ao que sente e que, inevitavelmente, acaba resvalando no parceiro(a). Está na hora de matarmos a Jezebel e Maria que habita em cada um de nós - homens e mulheres - e tornar as relações mais humanas, sem a necessidade de se vender tão caro, seja como poço de santidade ou como o garanhão do pedaço.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Efeito Chiclete

Tem aquele momento que eu olho sms antigo que esqueci de deletar. Talvez, por pura conveniência ou mera distração. Independentemente disso estavam lá, datados de alguns meses atrás com aquelas mensagens do tipo "gosto de você" e coisas do tipo. O mais engraçado é que passados meses depois não há mais nenhuma mensagem, apenas um testemunho via orkut que a criatura mandou por se sentir ofendida talvez por algo deste blog.

Se há um símbolo bom da Revolução Industrial - estamos vivendo a terceira ou quarta - esse síbolo é o chiclete. E na era dos sms, redes sociais, comunicação em tempo real e tudo o mais o seu efeito permanece: gruda e tá cheio de doce no começo e, passado o efeito se joga fora. Só que como bom derivado do petróleo ele levará séculos como lixo. Resta saber: para onde guardamos os nossos lixos emocionais? O planeta e o psiquismo hão de um dia de cobrar a conta e não há Prozac para dar conta disso.

Finally

Finalmente tomei vergonha e, de saída, publiquei dois sonhos. Creio que ainda selecionarei alguns com a devida interpretação. Ai sim, será mais forte do que ficar nu em público.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Até o fim do mês preciso:

- Blogar um sonho em "A vida que eu sonhei";

- Terminar o "Alfabeto escalafobético", para revisá-lo e transformá-lo em livro.

Dia onze do dez

Aquele dia chuvoso chatinho de pré-feriado. Alguns adolescentes insistem no condomínio. Estão com todos os seus gadgets que no "Sonho de Vida" os socializa: os celulares com mp3s tocando funk ou aquele dance mais vagabundo, ou ainda aquele som da Lady gaga ou Rihanna em que faz nossas cabeças confundirem sobre a orientação sexual do sujeito.

Naquele universo, sabe como é, parece com essa pesquisa do Globo cheia de erros metodológicos - amostra restrita a classe média e alta com acesso a internet, falta de dados qualitativos e de homens cara de pau o sufciente e capaz de assumir que já foram corneados, broxaram ou que tem sexo poucas vezes por semana quando acontece - e aquela curiosa informação de que 16% dos brasileiros da pesquisa se diz homo ou bissexual mas 21% tem atualmente um parceiro do mesmo sexo. Ok, sei que a OMS tem aquele sigla maledetta HSH (homens que tem sexo com homens), mas isso é mais sintoma de neurose masculina do que propriamente uma categoria...enfim, matamos o patológico e consideramos a doença como norma, estamos em 2010.

E o tempo vai passando, dessa vez sem esperanças de que o telefone irá tocar. Tem aquela figura que encontra você, diz que gostou e não aparecel. Que desencantou do príncipe encantado, mas, lá no fundo deve acreditar piamente nele. Como Satã que renunciou a Deus porque no fundo sabia que lhe era impossível ser como ele, ai foi para o lado oposto. Frustração é o nome disso, né?

Hora de cortar o cabelo e esperar por 10 anos o velho terminar de fazer a barba. Araruama, mesmo com o frio tem seu lado chato de várias pessoas transitando, entupindo o mercado, fazendo a festa para fiscais do DETRAN engordarem seus bolsos com cervejinhas, música ruim ecoando pela cidade e tudo o mais. Triste uma cidade que depende disso para ter renda. E a vida continua, como diz aquela peça espírita.

domingo, 10 de outubro de 2010

Sem Título


O que divide a moral do pecado? Se é uma linha, quem a desenhou? E quem as segue?

Será que tudo mudou? Há liberdades? Ou será que só inventamos um monte de coisas para distrair-nos nas prisões que nós mesmos criamos e assim vamos nos iludindo de que somos livres?

Se estamos escravizados, será a moral a nossa senhora? Ou somos apenas seres mesquinhos, arrastado de forma promíscuua em uma lama cheia de certezas que nos dá uma outra ilusão: a de que somos limpos ?

É ser cidadão de bem nos perdermos em nossos ou desejos e depois negá-los? Ou devemos ainda condicioná-los a trágica lógica do consumo, do dinheiro, do prazer a qualquer custo, na equivocada ideia de que a felicidade dura sempre, para que, quando finda, culpemos a Deus, diabo, ou, na ausência deles, nos percamos em drogas ou em mensagens pretensamente positivas?

Assim vamos nós. Correndo o risco de sermos devorados quando nos damos conta de que existem incertezas pelo mais certeiro de todos os monstros, que não precisa de nós para ser alimentado: a morte.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tudo termina em pizza?

Imaginemos uma pizza. Metade dela é da Dilma e a outra metade é disputada entre Serra, Marina, Plínio, Zé Maria, Levy, Eymael, Rui e Ivan. O que aconteceu é que com o passar do tempo, parte da fatia de Dilma diminuiu, a de Serra permaneceu a mesma, a de Marina cresceu um pouco e os demais continuaram com as migalhas. E ainda há uma parte que não foi tomada por ninguém: são os votos brancos, nulos e as abstenções. Essa fatia foi maior a que de Marina Silva.