Um video e a tradução da letra antes dos meus comentários
Jack, the lad - Pet Shop Boys
Lawrence no deserto
Como ele estava para saber?
Sob tanta pressão
dos homens de volta pra casa
Brincando com fogo, você deve estar louco
Você é apenas Jack, o cara
Brincando com armas, você deve ser mau
ou esconde alguma coisa, Jack?
Dizendo mentiras em público
Quebrando regras em casa
Debaixo dos lençóis
para outros papéis
Diga essas mentiras, você deve ser mau
Você é apenas Jack, o cara?
Festejando com as panteras toda noite
você deve ter cuidado, jack.
Não deixe eles tentarem contê-lo
Está é a sua única religião
Não deixe eles tentarem detê-lo
Você não é o único bobo
Todos nós caímos
Até Jack, o cara
Todos nós caímos
Até Jack, o cara vai cair
Philby no deserto
procurando por um telefone
esperando na calçada
por um telefonema de casa
Brincando com fogo, você deve estar louco
Você é apenas Jack, o cara?
Vire as costas para os amigos que você teve
Eles devem ter te machucado, Jack
Não deixe eles tentarem contê-lo
Está é a sua única religião
Não deixe eles tentarem detê-lo
Você não é o único bobo
Todos nós caímos
Até Jack, o cara
Todos nós caímos
Até Jack, o cara vai cair
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
BBB 11 - Primeiros Sintomas

Eis que havia na banca de jornal uma edição do "Expresso" dizendo que uma de suas gatas é a transexual do BBB 11.
Dois caras estavam lá dentro zoando. Um deles, o mais bonito, dizia que era um "desperdício". Ele achou desperdício a operação de transgenitalização da moça?
Engraçado que se eu escutasse essa conversa na adolescência, onde temos mais medo da homofobia que não distingue transexual do homossexual masculino, a tal conversa seria motivo de vergonha. Hoje eu comecei a rir da situação e, claro, da ignorância alheia.
Eis que Osmar ao sair da sua compra clássica de cigarros repara em um detalhe interessante. Após os comentários os caras começaram a reparar uma revista de armas.
Me lembrei de Lacan e a sua ideia de véu e de envelope. No véu o perverso fetichista, que não admite a castração, usa uma forma de "cobrí-la" daí o nome de véu. Pra ficar simples, pensemos em um camarada que tem fixação nos pés da parceira. Ou na revista dos nossos amigos desta tarde após constatarem o desperdício e assim garantir as suas próprias masculinidades.
Para essa situação eu prefiro a explicação de Freud que diria: ahan, Cláudia senta lá!
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Todos nós nos sentimos melhor na escuridão
Olá meu caro,
Recebi a sua carta ontem à noite e confesso que quando a li as risadas foram inevitáveis. É impressionante como certas coisas que a gente debocha por ai acabam se concretizando na realidade de uma maneira até previsível, mas que quando nos acontece é inesperada.
Sempre damos boas risadas quando há caras atrás de outros e colocam "heterossexual" em sua orientação. Tem também os clássicos bissexuais, em que o gênero de seu objeto de desejo é tão flexível que os caras só vivem correndo atrás de homem. Tudo bem que tem todo aquele tratado psicológico dizendo que não se pode ter categorias estanques para a sexualidade e tudo o mais. Só que o problema é que a psicologia esquece da cultura e de um dado muito importante: a escuridão. É nela como você sempre procurou me mostrar que as coisas se revelam. E o que tem acontecido com você é um caso interessante.
Veja bem, você conhece um cara, um típico - se é que se pode usar essa palavra sem correr o risco de parecer essencialista e preconceituoso - representante da classe trabalhadora do Brasil varonil. E de repente ele pode nos "explicar" ou pelo menos de ser mais próximo daquilo do que se chama de curioso.
A figura sai da posição passiva de São Sebastião, daquele típico cara que só se deixa ser chupado como forma de garantir a sua masculinidade. Isso não é uma simples questão de desejo, tem cultura, valores sociais nisso. Aliás não sei porque o cara que se deixa chupar e não chupa se glorifica tanto de ser ativo se a posição que ele se encontra é tão vulnerável.
Agora rola uma certa interação contigo. Ele conversa antes ou depois do ato consumado. Permite até a masturbação mútua. E ainda te faz elogios quando ele te vê em plena luz do dia e projetando toda a sorte de personagens masculinas que povoam o nosso imaginário em você. E veja que rola até uma certa dose de ciúme e curiosidade por parte dele sobre o que tu andas fazendo com outros. E agora nas conversas nem de mulher ele fala mais, justo elas que mesmo no discurso poderia ser a garantia dele de conexão com o mundo heterossexual.
Você sabe que um de meus grupos favoritos tem uma música que se inicia com "os segredos da atração sexual". O nome dela é "We all feel better in the dark". É isso, no escuro, quando não há olhos dos demais a controlar e nem câmeras espalhadas no ambiente, nos sentimos melhor. Acho que parte do medo de escuro que temos deve ser o encontro com esse inesperado do desejo. E é o olhar que ele tanto deseja em plena escuridão, seja ela física ou dos fatos. Lembra-se de que ele reparou quando outro cara olhava para você. O reconhecimento de um terceiro deve ter mostrado o quanto você pode e deve ser desejado.
Sei que minha resposta parece confusa nesse ponto, mas não é muito diferente das atitudes dessa figura. Devo estar captando o ritmo dele conduzir as coisas. O que vai sair daí eu ainda eu não sei. mas a lição valiosa de que no escuro as coisas se revelam, essa ficará, independentemente do que possa acontecer por ai. Deve ser por isso que no fundo chego a conclusão existencialista de que as definições são impossíveis. Elas estão lá no escuro, mudas, junto com os preconceitos, amarras do desejo, formas de nomear as coisas, câmeras e tantas outras coisas que poderiam quebrar com a sua diversão de sempre.
Me despeço por aqui na esperança de que você tenha compreendido o que eu disse e que a situação toda prossiga em seu mistério a te revelar coisas novas no futuro. Se serão boas ou ruins, deixe isso por conta do tempo. Viva!
Um beijo,
.O
Recebi a sua carta ontem à noite e confesso que quando a li as risadas foram inevitáveis. É impressionante como certas coisas que a gente debocha por ai acabam se concretizando na realidade de uma maneira até previsível, mas que quando nos acontece é inesperada.
Sempre damos boas risadas quando há caras atrás de outros e colocam "heterossexual" em sua orientação. Tem também os clássicos bissexuais, em que o gênero de seu objeto de desejo é tão flexível que os caras só vivem correndo atrás de homem. Tudo bem que tem todo aquele tratado psicológico dizendo que não se pode ter categorias estanques para a sexualidade e tudo o mais. Só que o problema é que a psicologia esquece da cultura e de um dado muito importante: a escuridão. É nela como você sempre procurou me mostrar que as coisas se revelam. E o que tem acontecido com você é um caso interessante.
Veja bem, você conhece um cara, um típico - se é que se pode usar essa palavra sem correr o risco de parecer essencialista e preconceituoso - representante da classe trabalhadora do Brasil varonil. E de repente ele pode nos "explicar" ou pelo menos de ser mais próximo daquilo do que se chama de curioso.
A figura sai da posição passiva de São Sebastião, daquele típico cara que só se deixa ser chupado como forma de garantir a sua masculinidade. Isso não é uma simples questão de desejo, tem cultura, valores sociais nisso. Aliás não sei porque o cara que se deixa chupar e não chupa se glorifica tanto de ser ativo se a posição que ele se encontra é tão vulnerável.
Agora rola uma certa interação contigo. Ele conversa antes ou depois do ato consumado. Permite até a masturbação mútua. E ainda te faz elogios quando ele te vê em plena luz do dia e projetando toda a sorte de personagens masculinas que povoam o nosso imaginário em você. E veja que rola até uma certa dose de ciúme e curiosidade por parte dele sobre o que tu andas fazendo com outros. E agora nas conversas nem de mulher ele fala mais, justo elas que mesmo no discurso poderia ser a garantia dele de conexão com o mundo heterossexual.
Você sabe que um de meus grupos favoritos tem uma música que se inicia com "os segredos da atração sexual". O nome dela é "We all feel better in the dark". É isso, no escuro, quando não há olhos dos demais a controlar e nem câmeras espalhadas no ambiente, nos sentimos melhor. Acho que parte do medo de escuro que temos deve ser o encontro com esse inesperado do desejo. E é o olhar que ele tanto deseja em plena escuridão, seja ela física ou dos fatos. Lembra-se de que ele reparou quando outro cara olhava para você. O reconhecimento de um terceiro deve ter mostrado o quanto você pode e deve ser desejado.
Sei que minha resposta parece confusa nesse ponto, mas não é muito diferente das atitudes dessa figura. Devo estar captando o ritmo dele conduzir as coisas. O que vai sair daí eu ainda eu não sei. mas a lição valiosa de que no escuro as coisas se revelam, essa ficará, independentemente do que possa acontecer por ai. Deve ser por isso que no fundo chego a conclusão existencialista de que as definições são impossíveis. Elas estão lá no escuro, mudas, junto com os preconceitos, amarras do desejo, formas de nomear as coisas, câmeras e tantas outras coisas que poderiam quebrar com a sua diversão de sempre.
Me despeço por aqui na esperança de que você tenha compreendido o que eu disse e que a situação toda prossiga em seu mistério a te revelar coisas novas no futuro. Se serão boas ou ruins, deixe isso por conta do tempo. Viva!
Um beijo,
.O
Para momentos B.U.A.D.A
Segue aqui um texto no melhor estilo "mensagem" da Ana Maria Braga pela manhã.
Sabe que existe alguém que você deve amar. Não se deu conta disso, mas ele ou ela está ali o tempo todo. Nos momentos difíceis, nos fáceis também.
Sim, ela tem uma extrema necessidade de dependência. Por mais que você não faça o gênero "eu não estou aqui para ser babá de marmanjo ou de mulher feita", não adianta que essa pessoa vai depender sim de ti e você dará toda atenção a ela.
Afetivamente ela é inconstante, mas uma coisa é certa. Esta pessoa está sempre em sintonia com o seu humor. Uma coisa é certa, ela nunca vai te dar um fora. É mais provável você, em um momento extremo da vida, pedir isso a ela.
De fato esta pessoa tem momentos que rumina pensamento e se perde em discussões intermináveis. O pior de tudo é que há grande dificuldade de você se desvencilhar dela quando esses momentos acontecem. E você vai descobrir que toda discussão de relação com ela será fundamental, necessária. Tem vezes que você vai achar que isso será uma perda de tempo desnecessária. Básico, toda relação é assim. Mas nenhuma "dr" será mais importante na sua vida do que a que você terá com essa pessoa. Esqueça namoro, casamento, relações de trabalho, filhos seja lá o que for. Essa discussão será a mais importante de todas.
O sexo com ela é perfeito e sem ela você não consegue ter sexo com os outros. Obrigatoriamente ela está contigo toda vez que você está com seu parceiro ou parceira. E você não enxerga nisso o menor sinal de promiscuidade. É engraçado que é a relação monogâmica entre você e essa pessoa que é considerada indesejável para alguns grupos mais conservadores. Sem falar que todo seu encontro com ela faz de você, de certa maneira, um ou uma bissexual, no mínimo.
Esta pessoa sim merece todo o seu amor, devoção. Claro que toda devoção desmedida pode levar à loucura e com essa pessoa não é diferente. Mas se você quer realmente amar outra pessoa, primeiro tem que passar pelo amor desta de quem te digo.
É possível haver separação, divórcio sim. No entanto isso custaria-lhe a vida. Há a possibilidade de viuvez, mas esse momento não será sentido por você. Garanto-lhe que não haverá sofrimento da sua parte quando isso acontecer.
E é fácil encontrá-la e reconhecê-la. Ao terminar de ler esse texto, procure um espelho. É ela a pessoa que tanto você procura.
Sabe que existe alguém que você deve amar. Não se deu conta disso, mas ele ou ela está ali o tempo todo. Nos momentos difíceis, nos fáceis também.
Sim, ela tem uma extrema necessidade de dependência. Por mais que você não faça o gênero "eu não estou aqui para ser babá de marmanjo ou de mulher feita", não adianta que essa pessoa vai depender sim de ti e você dará toda atenção a ela.
Afetivamente ela é inconstante, mas uma coisa é certa. Esta pessoa está sempre em sintonia com o seu humor. Uma coisa é certa, ela nunca vai te dar um fora. É mais provável você, em um momento extremo da vida, pedir isso a ela.
De fato esta pessoa tem momentos que rumina pensamento e se perde em discussões intermináveis. O pior de tudo é que há grande dificuldade de você se desvencilhar dela quando esses momentos acontecem. E você vai descobrir que toda discussão de relação com ela será fundamental, necessária. Tem vezes que você vai achar que isso será uma perda de tempo desnecessária. Básico, toda relação é assim. Mas nenhuma "dr" será mais importante na sua vida do que a que você terá com essa pessoa. Esqueça namoro, casamento, relações de trabalho, filhos seja lá o que for. Essa discussão será a mais importante de todas.
O sexo com ela é perfeito e sem ela você não consegue ter sexo com os outros. Obrigatoriamente ela está contigo toda vez que você está com seu parceiro ou parceira. E você não enxerga nisso o menor sinal de promiscuidade. É engraçado que é a relação monogâmica entre você e essa pessoa que é considerada indesejável para alguns grupos mais conservadores. Sem falar que todo seu encontro com ela faz de você, de certa maneira, um ou uma bissexual, no mínimo.
Esta pessoa sim merece todo o seu amor, devoção. Claro que toda devoção desmedida pode levar à loucura e com essa pessoa não é diferente. Mas se você quer realmente amar outra pessoa, primeiro tem que passar pelo amor desta de quem te digo.
É possível haver separação, divórcio sim. No entanto isso custaria-lhe a vida. Há a possibilidade de viuvez, mas esse momento não será sentido por você. Garanto-lhe que não haverá sofrimento da sua parte quando isso acontecer.
E é fácil encontrá-la e reconhecê-la. Ao terminar de ler esse texto, procure um espelho. É ela a pessoa que tanto você procura.
Sobre a posse
Certas desilusões amorosas são capazes de trazer a questão: o que me causa a tristeza. É a perda do ser amado? É a sensação de não ser mais desejado pelo outro? É por que não o possuo mais? É difícil colocar em respostas simples algo que é tão subjetivo e ao mesmo tempo compartilhado por muitos: a dor do amor perdido. No entanto, analisando um de meus sonhos eu tive bons insights sobre isso.
O blog dos meus sonhos é muito bissexto. Tem sonhos até interessantes - daqueles que tenho a coragem de publicar, obviamente - que eu anoto o esboço em um papel e depois o perco. O último tinha dados interessantes: um vinho de boa qualidade em uma garrafa de plástico vagabunda, uma ex participante de BBB exibicionista querendo roubá-lo e não querendo deixá-lo para ser entregue em um orfanato.
Tem relações amorosas talvez que deixamos envelhecer como o vinho. Mesmo distante eles vão se enriquecendo, ganhando mais qualidade. O que ocorre é que o vinho é algo que nos causa torpor, por melhor que ele seja. Passamos a entrar em uma fantasia relaxante. E tenho que lembrar que bebida alcoólicaé a única droga que consumi até hoje, então a presença dela no sonho justifica essa necessidade da fantasia, do escapismo.
Muitas pessoas devem ter ouvindo a famosa frase de que não se julga nada pela embalagem. Por outro lado muitas vezes é bom fazer a inversão disso. Como no conto de Poe, a Carta Roubada, onde o comprometedor objeto do título está no lugar mais óbvio da casa do ministro enquanto detetives se perdem em técnicas sofisticadas de tentar encontrar a carta em algum canto escondido. Nesse sonho a embalagem de plástico talvez mostre que a qualidade das coisas nem é tão boa assim.
O plástico permite também outras associações. Uma garrafa dele é mais fácil de ser levada. Daí a idéia que trago no título desse post sobre a posse. Possuir a garrafa de vinho - o ser amado - da maneira mais fácil possível e manipuladora sendo ela feita de plástico reflete bem essa necessidade estranha da posse que há no meu afeto. E o plástico é resistente, não quebra e leva anos para se decompor. Essa resistência em não abandonar a fantasia fica evidente.
A exibicionista querendo roubar o que há de precioso pode mostrar o óbvio que não quero aceitar. Além disso ela pode simbolizar a necessidade de ser livre, de estar em novos ares ainda que roubando algo que me é tão precioso. O roubo dela é uma maneira de dizer: acorda, Alice!
O orfanato é uma necessidade infantil de ser amado. Crianças órfãs representam a carência escondida atrás de um posto de gasolina que poderia representar muito bem o meu lado explosivo, apaixonado, enérgico. A mesma energia que uso depois para acusar a ladra. Tudo bem que ela representa também, até pelo lugar que ela nasceu, a figura amada/idealizada de outrora. Encontrei uma maneira de realizar meu desejo de puní-la por roubar algo que é meu. Se eu antes estava com a Márcia e agora com ela, é que ela me roubou a tranquilidade e minha fantasia, ela me trouxe para o mundo real onde há desilusões amorosas. E isso o meu querido supereu não permitiu, obviamente. Até porque os louros para abater a minha própria carência afetiva - o orfanato- não deveria, em tese, ser desse espírito livre, mas do meu próprio ego. Ela mexeu num ninho de maribondos chamado posse.
Engraçado como uma mesma personagem pode representar eu mesmo, a outra pessoa e ao mesmo tempo o meu desejo sem controle, exibicionista, fútil e frívolo, como eles são.
O que me resta agora, passada a batalha da posse é fazer como no sonho e buscar o meu próprio caminho. Há adolescentes na rua namorando que necessitam do meu cuidado. Isso quer dizer que há um desejo de estar com alguém de uma maneira mais madura que a carência do orfanato sujeito ao charlatanismo do desejo que se engana por si só e se deixa enganar por outros. E esse cuidado implica responsabilidade, essa que só eu mesmo tenho a devida posse. A posse sobre mim mesmo.
O blog dos meus sonhos é muito bissexto. Tem sonhos até interessantes - daqueles que tenho a coragem de publicar, obviamente - que eu anoto o esboço em um papel e depois o perco. O último tinha dados interessantes: um vinho de boa qualidade em uma garrafa de plástico vagabunda, uma ex participante de BBB exibicionista querendo roubá-lo e não querendo deixá-lo para ser entregue em um orfanato.
Tem relações amorosas talvez que deixamos envelhecer como o vinho. Mesmo distante eles vão se enriquecendo, ganhando mais qualidade. O que ocorre é que o vinho é algo que nos causa torpor, por melhor que ele seja. Passamos a entrar em uma fantasia relaxante. E tenho que lembrar que bebida alcoólicaé a única droga que consumi até hoje, então a presença dela no sonho justifica essa necessidade da fantasia, do escapismo.
Muitas pessoas devem ter ouvindo a famosa frase de que não se julga nada pela embalagem. Por outro lado muitas vezes é bom fazer a inversão disso. Como no conto de Poe, a Carta Roubada, onde o comprometedor objeto do título está no lugar mais óbvio da casa do ministro enquanto detetives se perdem em técnicas sofisticadas de tentar encontrar a carta em algum canto escondido. Nesse sonho a embalagem de plástico talvez mostre que a qualidade das coisas nem é tão boa assim.
O plástico permite também outras associações. Uma garrafa dele é mais fácil de ser levada. Daí a idéia que trago no título desse post sobre a posse. Possuir a garrafa de vinho - o ser amado - da maneira mais fácil possível e manipuladora sendo ela feita de plástico reflete bem essa necessidade estranha da posse que há no meu afeto. E o plástico é resistente, não quebra e leva anos para se decompor. Essa resistência em não abandonar a fantasia fica evidente.
A exibicionista querendo roubar o que há de precioso pode mostrar o óbvio que não quero aceitar. Além disso ela pode simbolizar a necessidade de ser livre, de estar em novos ares ainda que roubando algo que me é tão precioso. O roubo dela é uma maneira de dizer: acorda, Alice!
O orfanato é uma necessidade infantil de ser amado. Crianças órfãs representam a carência escondida atrás de um posto de gasolina que poderia representar muito bem o meu lado explosivo, apaixonado, enérgico. A mesma energia que uso depois para acusar a ladra. Tudo bem que ela representa também, até pelo lugar que ela nasceu, a figura amada/idealizada de outrora. Encontrei uma maneira de realizar meu desejo de puní-la por roubar algo que é meu. Se eu antes estava com a Márcia e agora com ela, é que ela me roubou a tranquilidade e minha fantasia, ela me trouxe para o mundo real onde há desilusões amorosas. E isso o meu querido supereu não permitiu, obviamente. Até porque os louros para abater a minha própria carência afetiva - o orfanato- não deveria, em tese, ser desse espírito livre, mas do meu próprio ego. Ela mexeu num ninho de maribondos chamado posse.
Engraçado como uma mesma personagem pode representar eu mesmo, a outra pessoa e ao mesmo tempo o meu desejo sem controle, exibicionista, fútil e frívolo, como eles são.
O que me resta agora, passada a batalha da posse é fazer como no sonho e buscar o meu próprio caminho. Há adolescentes na rua namorando que necessitam do meu cuidado. Isso quer dizer que há um desejo de estar com alguém de uma maneira mais madura que a carência do orfanato sujeito ao charlatanismo do desejo que se engana por si só e se deixa enganar por outros. E esse cuidado implica responsabilidade, essa que só eu mesmo tenho a devida posse. A posse sobre mim mesmo.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Liquididificando o lusco-fusco
Sim, é horrível estar em pleno verão carioca com aquele clima de mormaço, chuvinha chata e rala que enche o saco e que nos acovarda dentro de casa. Saídas? No máximo para pegar aquele remédio e um pé de alface crespa, porque a americana não tinha. Americana só a gringa no caixa que deve ter pago a viagem dela em trocentras prestações e o brasileiro ao seu lado tinha que converter todos os valores para ela de real para dólares, o que ela fez deixar abandonado a bandeja de abacaxis cortados e desistir da caixinha de fruta-do-conde. Nunca imaginei que o valor em moeda brasileira assustaria alguém do chamado primeiro mundo um dia. Itamar, FHC e Lula, um beijo pra vocês três. Que a Vana não cague no maiô da enconomia.
Tudo bem, não há de reclamar. Hoje teve estrogonofe e seu medo das crianças estarem por perto da comida. É algo tenso, eu sei. Assim como a água da rua que molha teus chinelos ou a sua tentativa frustrada de não deixar a guimba de cigarro queimar o lixo do depósito da COMLURB o que te fez meter a mão em papéis sujos e te fez sentir como se tivesse brincado de Tio Patinhas no aterro sanitário de Gramacho. Tudo bem, peça ao nosso man-fetish de um filme alternativo que nunca rodamos para abrir a porta de serviço assim lavemos os pés e deixe as mãos para o x-14 lá em cima, para remover o cigarro e o chorume que não existe entre teus dedos.
O besteirol que passa na tv e a internet nos distraem. Mas o calor desse dia criam um clima kafkaniano no quarto a ponto que se não saírmos, nós, os Samsas do Posto 5, nos sentiremos pior do que qualquer inseto. A visão das areias hão de salvar o dia.
Atravessemos e tornemos isso uma visão em caleidoscópio com visões listradas, azul esverdeado, vermelho e aquele branco quase transparente que faz o coração bater mais rápido e esquecermos das dormências dos pés. Ali naquele ponto branco quase transparente corpos cavernosos e esponjosos fazem o trabalho de fluxo sanguíneo. O mesmo fluxo que dispara adrenalina e alegra.
Nesse caleidoscópio o vermelho está com duas mulheres deitado sobre a canga. O azul esverdeado corre contente com a criança e a transparência, ah a transparência. Como é difícil identificar tua voz. Só teu jeito te denuncia ainda que carregues o nome de uma mulher em seu ombro e não sei o que isso significa. No ano que passou estive com alguém que fazia o mesmo nas costas. Não importa, transparência, coisa que o Brasil precisa, alegra nesta tarde sem cor entre as pernas que se abrem no quiosque em forma de deck.
Hora de voltar, de cruzar de novo em tom azul esverdeado e ver as cores na esquina. Uma figura esperta há de chegar e colocar uma roupa que valorize seus atributos, mesmo tendo errado na cor do xampu. Quem será que vem para o seu encontro. Olhar no celular e olhos fixos no horizonte da rua que em 10 minutos um sorriso desperta e matamos, juntos, a charada do encontro. Aliás, uma bela charada.
Por isso pode-se dizer que essa meia hora foi, simplesmente, recompensadora.
Tudo bem, não há de reclamar. Hoje teve estrogonofe e seu medo das crianças estarem por perto da comida. É algo tenso, eu sei. Assim como a água da rua que molha teus chinelos ou a sua tentativa frustrada de não deixar a guimba de cigarro queimar o lixo do depósito da COMLURB o que te fez meter a mão em papéis sujos e te fez sentir como se tivesse brincado de Tio Patinhas no aterro sanitário de Gramacho. Tudo bem, peça ao nosso man-fetish de um filme alternativo que nunca rodamos para abrir a porta de serviço assim lavemos os pés e deixe as mãos para o x-14 lá em cima, para remover o cigarro e o chorume que não existe entre teus dedos.
O besteirol que passa na tv e a internet nos distraem. Mas o calor desse dia criam um clima kafkaniano no quarto a ponto que se não saírmos, nós, os Samsas do Posto 5, nos sentiremos pior do que qualquer inseto. A visão das areias hão de salvar o dia.
Atravessemos e tornemos isso uma visão em caleidoscópio com visões listradas, azul esverdeado, vermelho e aquele branco quase transparente que faz o coração bater mais rápido e esquecermos das dormências dos pés. Ali naquele ponto branco quase transparente corpos cavernosos e esponjosos fazem o trabalho de fluxo sanguíneo. O mesmo fluxo que dispara adrenalina e alegra.
Nesse caleidoscópio o vermelho está com duas mulheres deitado sobre a canga. O azul esverdeado corre contente com a criança e a transparência, ah a transparência. Como é difícil identificar tua voz. Só teu jeito te denuncia ainda que carregues o nome de uma mulher em seu ombro e não sei o que isso significa. No ano que passou estive com alguém que fazia o mesmo nas costas. Não importa, transparência, coisa que o Brasil precisa, alegra nesta tarde sem cor entre as pernas que se abrem no quiosque em forma de deck.
Hora de voltar, de cruzar de novo em tom azul esverdeado e ver as cores na esquina. Uma figura esperta há de chegar e colocar uma roupa que valorize seus atributos, mesmo tendo errado na cor do xampu. Quem será que vem para o seu encontro. Olhar no celular e olhos fixos no horizonte da rua que em 10 minutos um sorriso desperta e matamos, juntos, a charada do encontro. Aliás, uma bela charada.
Por isso pode-se dizer que essa meia hora foi, simplesmente, recompensadora.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Ainda sobre astrologia
Lua em capricórnio na casa 5, coisa difícil de entender às vezes. Ai basta dar voz ao monstro interior que a gente carrega e como sentimos as coisas e pronto, há uma boa explicação: Odilon, galgue postos mais altos, se divirta com outros e quando você estiver por cima, ria da desgraça alheia de quem não foi legal com você.
Hermes
O novo ano astrológico será regido por Mercúrio. Entre tantas coisas ele rege a troca de ideias e está relacionado a aspectos racionais e lógicos.
Então estou que de março de 2011 a março de 2012 se a razão vai prevalecer ou se terei surpresas esperadas (isso mesmo, não é erro semântico não) da ordem do irracional.
Então estou que de março de 2011 a março de 2012 se a razão vai prevalecer ou se terei surpresas esperadas (isso mesmo, não é erro semântico não) da ordem do irracional.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A terceira noite
Então fica combinado que teremos vários desencontros e ausências de sinais de vida. Essa noite tem cara de tédio, com uma chuva que em nada se parece com o verão. Melhor descermos e irmos até lá, hoje é de graça e aqui o tédio pode nos devorar.
Passemos, há um grupo de caras iguais na rua. Todos são carecas. Todos são gostosos. Todos usam camisetas. Qual o filme que vimos ontem? "A Onda", do professor que fala de autocracia e fala para seus alunos que mesmo o colégio não adotando uniformes formais, aquelas jovens já usam uniformes pela maneira que se vestem. Qual o nome disso? Sei lá, tem gente que chama de "sistema". Calma, que o sistema hoje vai dar mais o ar de sua graça.
Há aspectos positivos de marte e urano no salão, isso depois da saudação costumeira ao jornalista da casa, aquele que dá notícia de tudo e é mais eficiente que qualquer rede social. No entanto, os aspectos positivos partem e resta do lado de fora aquela senhora com a taça de vinho e o cigarro.
Ela afirma que há possibilidades para a gente, mas aquele lugar tem um sistema fixo e determinado que impede certas inserções nossas. Pode ser que haja uma exceção a regra, mas hoje não há saco para buscar exceções, porque na verdade nós mesmos já a somos, de certa forma.
Há uma sistah de uniforme interessante a meus olhos e que atrapalham os seus ao ver aquele cara que parece irmão daquele famoso personagem de série de TV. Ele é loiro, narigudo, tem olhos claros e a cada momento senta em um lugar diferente. Antes disso há aquele que se parece com seu pai que olha, olha e olha e não diz nada. Só que ele é amigo daquele coroa que estava com aquele gaúcho - foi tu que descobristes isso, guri! - que mostra para a gente o quanto a vida é tirana certas vezes. Ou pior, ele mostra como o sistema funciona e como nosso desejo está excluído dele.
Conversemos mais com a dona do lado de fora. Observemos os que entram e saem: o amigo da sstah de vermelho, aquela velha que já conhecemos de algum lugar, a gorda que lembra Maricotinha entre tantas outras figuras. E sistah, c'mon. Stop dancing in front of my friend. Ele que assistir o seriado, o que vai acontecer ali.
E o que acontece? Ele, o narigudo se esconde em uma das poltronas do canto quando achamos que ele já partira. Fume mais um cigarro, converse com ela, que adora ir naquela boate para ver os caras dançando de pau duro. Ela tem cinquenta anos, e foi no ano passado que, ao voltarmos da sessão de tarot com cinquentenárias animadas, dizemos que 50 é o novo 30. E termine isso, há uma surpresa passando bem na nossa frente enquanto subimos as escadas.
Passam aqueles dois. Um é "mais ou menos" tem a barriga projetada para a frente e a cara não parece boa. O outro parece um espírito de um natal passado seu, só que ele não teve tempo, mesmo com a ceia, para engordar daquele jeito. Fique tranquilo que é só um susto, assim como seu pé na poça d'água pegajosa. A gente, não por sermos do contra, mas a favor do nosso clima tropical saímos de chinelo que nos levam longe.
Dessa vez nos levam ao andar daqueles dois em labirinto. Veja, primeiros eles iriam para o salão, mas ao nos ver, desistem. Seguem atravessando a transversal. Depois atravessam a principal e voltam pelo outro lado como se fosse um "l". É tão louco o movimento que aquelas criaturas fazem que só de escrever, cansa. Quem não cansa é a criatura mais bonita que tal como a mulher de Ló insiste em olhar para trás em meio a alguns sorrisos. Essas almas, meu caro, querem muita reza.
Até que elas atravessam vagarosamente para o outro lado da outra avenida principal junto à praia e, timidamente e no meio da chuva que começa a cair de novo vão em direção oposta. Resta nos ver o solitário no poste antes de seguir para Rio das Pedras desenvolvendo um ponto de interesse geológico. E deixa aquele branquinho magro passar pro outro lado da rua e se divertir com a bebida que carrega para as rochas na outra ponta. A nossa noite já teve o estoque de coisas estranhas, mas que deixo aqui para serem registradas e nos perdemos, daqui a alguns anos, pelas nossas memórias traídas indagando "mas o que foi que aconteceu mesmo?". Nada, só foi a terceira noite de dois mil e onze.
Passemos, há um grupo de caras iguais na rua. Todos são carecas. Todos são gostosos. Todos usam camisetas. Qual o filme que vimos ontem? "A Onda", do professor que fala de autocracia e fala para seus alunos que mesmo o colégio não adotando uniformes formais, aquelas jovens já usam uniformes pela maneira que se vestem. Qual o nome disso? Sei lá, tem gente que chama de "sistema". Calma, que o sistema hoje vai dar mais o ar de sua graça.
Há aspectos positivos de marte e urano no salão, isso depois da saudação costumeira ao jornalista da casa, aquele que dá notícia de tudo e é mais eficiente que qualquer rede social. No entanto, os aspectos positivos partem e resta do lado de fora aquela senhora com a taça de vinho e o cigarro.
Ela afirma que há possibilidades para a gente, mas aquele lugar tem um sistema fixo e determinado que impede certas inserções nossas. Pode ser que haja uma exceção a regra, mas hoje não há saco para buscar exceções, porque na verdade nós mesmos já a somos, de certa forma.
Há uma sistah de uniforme interessante a meus olhos e que atrapalham os seus ao ver aquele cara que parece irmão daquele famoso personagem de série de TV. Ele é loiro, narigudo, tem olhos claros e a cada momento senta em um lugar diferente. Antes disso há aquele que se parece com seu pai que olha, olha e olha e não diz nada. Só que ele é amigo daquele coroa que estava com aquele gaúcho - foi tu que descobristes isso, guri! - que mostra para a gente o quanto a vida é tirana certas vezes. Ou pior, ele mostra como o sistema funciona e como nosso desejo está excluído dele.
Conversemos mais com a dona do lado de fora. Observemos os que entram e saem: o amigo da sstah de vermelho, aquela velha que já conhecemos de algum lugar, a gorda que lembra Maricotinha entre tantas outras figuras. E sistah, c'mon. Stop dancing in front of my friend. Ele que assistir o seriado, o que vai acontecer ali.
E o que acontece? Ele, o narigudo se esconde em uma das poltronas do canto quando achamos que ele já partira. Fume mais um cigarro, converse com ela, que adora ir naquela boate para ver os caras dançando de pau duro. Ela tem cinquenta anos, e foi no ano passado que, ao voltarmos da sessão de tarot com cinquentenárias animadas, dizemos que 50 é o novo 30. E termine isso, há uma surpresa passando bem na nossa frente enquanto subimos as escadas.
Passam aqueles dois. Um é "mais ou menos" tem a barriga projetada para a frente e a cara não parece boa. O outro parece um espírito de um natal passado seu, só que ele não teve tempo, mesmo com a ceia, para engordar daquele jeito. Fique tranquilo que é só um susto, assim como seu pé na poça d'água pegajosa. A gente, não por sermos do contra, mas a favor do nosso clima tropical saímos de chinelo que nos levam longe.
Dessa vez nos levam ao andar daqueles dois em labirinto. Veja, primeiros eles iriam para o salão, mas ao nos ver, desistem. Seguem atravessando a transversal. Depois atravessam a principal e voltam pelo outro lado como se fosse um "l". É tão louco o movimento que aquelas criaturas fazem que só de escrever, cansa. Quem não cansa é a criatura mais bonita que tal como a mulher de Ló insiste em olhar para trás em meio a alguns sorrisos. Essas almas, meu caro, querem muita reza.
Até que elas atravessam vagarosamente para o outro lado da outra avenida principal junto à praia e, timidamente e no meio da chuva que começa a cair de novo vão em direção oposta. Resta nos ver o solitário no poste antes de seguir para Rio das Pedras desenvolvendo um ponto de interesse geológico. E deixa aquele branquinho magro passar pro outro lado da rua e se divertir com a bebida que carrega para as rochas na outra ponta. A nossa noite já teve o estoque de coisas estranhas, mas que deixo aqui para serem registradas e nos perdemos, daqui a alguns anos, pelas nossas memórias traídas indagando "mas o que foi que aconteceu mesmo?". Nada, só foi a terceira noite de dois mil e onze.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
Uma lição valiosa de 2010
Temer aqueles que têm uma relação obsessiva com a verdade, sinceridade esquecendo e escamoteando o que há de contraditório em si mesmo. Qual o problema disso?
Quando o que está escondido resolve irromper, ele vem da pior forma possível. E detona por terra qualquer imagem anterior que a pessoa criou.
Quando o que está escondido resolve irromper, ele vem da pior forma possível. E detona por terra qualquer imagem anterior que a pessoa criou.
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