sábado, 4 de abril de 2015

Surpresas no sábado de aleluia

Digo que essa semana santa pareceu que eu entrei num estado de suspensão. Não saí de casa, mesmo com dias brilhantes. Creio que para não encontrar a turba que vem para a Região dos Lagos nessa época. Apesar de que não notei em Araruama esse movimento todo.

Essa época coincide com o chamado "inferno astral" que, segundo um amigo astrólogo, na verdade é um momento do Sol transitar pela décima segunda casa. Momento de doação, de entrega, de pensar menos em si e entrar em estado de recolhimento.

Só que aí eu, com meu ego pocotó, resolvi criar mais um blog, mas esse de existência limitada, só para trabalhar de maneira aleatória 37 temas abstratos. De certa forma ali terão palavras que tentarão colocar as coisas que sinto de forma mais profunda. Pretensão, mas é meu jeito.

Aí nessa coisa toda, corro pro Kindle e daí vejo que no meio daquilo tudo tem esse livro:


Não sei como ele foi parar lá. Vi que é um best-seller e tal que fala da indústria de alimentos. Geralmente torço o nariz para livros desse tipo, não pelo tema, mas pela forma que foi escrita e tudo o mais. Mas resolvi dar uma chance e ainda estou nas primeiras páginas. Vamos ver se terei outras reflexões a respeito. 

O fato que esse fim de sábado entrando no domingo de Páscoa será na base desse livre ao som de Whigfeld, que fazia um Eurohouse nos anos 90 que eu torcia o nariz, mas descobri que a moça é boa. 

domingo, 29 de março de 2015

Sobre anjos e espelhos

No Reino dos Espelhos há um novo desafio. O Homem dos Vidros e o Homem das Molduras tinham um novo desafio do Rei: um novo tipo de espelho com uma bela moldura para a nova decoração de um dos palácios.

Parece que neste palácio em especial pessoas passavam por ali. Estavam na maioria das vezes nuas, passando por espelhos rachados, com fissuras. Alguns deles turvos. 

Depois da chegada da estátua de um anjo para a porta principal o Rei dos Espelhos achou que aqueles espelhos e aquelas pessoas não combinavam com o que ele queria para o palácio. Decretou então que ninguém poderia se exibir sem roupas na frente daqueles espelhos. Exceção feita a pouquíssimos escolhidos, que poderiam fazer isso em aposentos especiais sem, no entanto, compartilhar estes espelhos com outras pessoas.

Recebido o desafio, o Homem dos Vidros caprichou. Recuperou aqueles espelhos, só que dessa vez sem rachaduras e sujeiras ou algo do tipo. E ainda assim era o mesmo espelho. Fez tudo com afinco, pois estava disputando com o Homem das Molduras quem receberia o maior pagamento por parte do Rei.

E a tal estátua de anjo? Bem, parece que nos primeiros dias, antes da lua mudar de fase, ela ficou bela na frente do palácio para todos verem. Era uma mostra que o Rei queria em demonstrar o seu bom gosto, que era por vezes criticado por alguns de seus súditos. Só que após a mudança de fase, a estátua voou para a parte de trás do palácio, justamente onde era sempre pichada e maltratada por pessoas que queria deixar sua marca ali. Não adiantava colocar na parte de frente de volta porque à noite ela voltava.

No dia combinado o Homem dos Vidros mostrou seu trabalho. Além da restauração, seu espelho tinha uma capacidade especial de não mostrar mais a parte genital de ninguém, para o caso de alguém vencer a guarda do palácio e cismar em se exibir sem roupas. O Rei aprovou, mas ao que parece, ele deu maior pagamento ao Homem das Molduras, por estar mais encantado com o trabalho deste. Quando perguntado, ele respondeu: 

- Um espelho nunca pode ficar separado de uma moldura, e estas em especial estão lindas". 
- Mas Majestade, esse material da moldura é sabidamente ordinário. O trabalho feito no vidro do espelho é infinitamente superior- um dos Conselheiros o advertia.
- Não importa. O que importa é que quero uma moldura. Vidro, todos eles têm.

E enquanto o Homem dos Espelhos caminhava resignado em busca de trabalho em outros reinos, ele via indo também na mesma direção a estátua que voava. Dizem que ela gostou daquele período divertido, de parecer importante, mas gostava mais do lugar de onde partira antes.


segunda-feira, 23 de março de 2015

Metalinguagem

Prolixo e confuso do jeito que sou, sempre tenho um texto para falar do blog em si. E do quanto eu poderia escrever mais, e blá blá blá.

Sinto falta de publicar mais aqui. Ano passado, 2014, foram apenas 10 postagens. Coloquei como desculpe a morte do meu pai, no começo de maio daquele ano, para dar um tempo e não escrever mais. Como se isso impedisse de pensar ou até mesmo ter a vontade de escrever.

Eu tenho um caderno com anotações básicas sobre temas que eu poderia pensar melhor a respeito e colocar aqui. Deixei em algum canto e não sei onde ele está agora. De qualquer forma, por incrível que pareça, o que mais tenho falta em escrever é mais que ter as ideias em si, mas na forma como eu posso organizá-las. Meu desejo em ter poder de síntese e bom encadeamento das ideias ainda continua.

Só que de repente sou da escola Freud-Breton da associação livre, do texto solto. Mentira! Posso até ter alguns assim, não sei se já os publiquei alguma vez - ah, me lembrei, já fiz isso sim-, mas no fundo desejo colocar mais coisas por aqui.

O título deste blog também reflete bem esse meu jeito de ser, de ter várias ideias ao mesmo tempo na cabeça. O mais engraçado é que nem sempre me mostro disposto a mostrá-las. E há quem repare nisso.

Por exemplo: lembro-me de uma vez que fui me encontrar com um cara que conheci no site azul. Daí nos vimos e tal e por algum motivo eu só o observava e não dizia muita coisa. Ele me disse que eu tinha cara de ter muitas ideias ao mesmo tempo, pela maneira com que eu o olhava e pela forma de eu falar. Eu dei uma risada, mas até hoje não entendi a razão da presença dele ter me provocado um certo desconforto. E olha que ele era um cara bonito, bom papo e tudo o mais, disse-me o mesmo. Mas como diz a minha queria amiga Biulah: faltou elã.

Espero encontrar de novo esse elã para ser devidamente liquididificado. Eu gosto disso, escrever, desde os meus 3 anos, com as letras de forma na parede de casa, para desespero dos meus pais.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Amanhã

Amanhã o dia vai nascer lindo. A luz do leste vai vir pela janelinha do banheiro e vai direto na parede, toda azul. E nela não terei a menor lembrança do guarda roupas que o escondia. Prateleiras, imagens, fotos...decoração. Uma sensação de que algo ali, naquela luz tem a minha marca.

E amanhã andarei em torno do pedaço da laguna que é quase outra laguna, onde ela quase se fecha. E então pegarei nos próximos dias a minha barriga e vejo que ela diminuirá. E nos outros meses nadarei até onde puder e terei tônus, e terei beleza e terei a vontade de ter prazer ao ver meu corpo nu na fotografia que ainda não tirei.

A nudez de amanhã será no mar. Ou em algum lugar de água doce, algo que tem a ver mais com Oxum. E então me sentirei mais livre, mais próximo do que eu acho natural, ainda que pense que natural não exista. Será natural, Do meu jeito, porém natural.

Terei uma cama grande onde passarei horas e horas com ele. Não existirá pressa, nem vergonha nem a vontade de sair correndo depois de gozar para poder se limpar. Nada disso terá sentido, apenas eu e ele finalmente tendo mais intimidade. Sem desculpas de prazos ou correrias. Sem pensar nas tarefas que precisam ser entregues amanhã.

Quando escreverei mais, Postarei os textos que não escrevi ainda. Onde vou emitir toda opinião. E ainda escreverei um livro, que será aclamado. Que me poderá permitir ser um tanto blasé e escolher para que audiência eu vou falar...

E quando tudo isso cansar, amanhã eu verei mais estrelas do que as que vi ontem e as que não vi hoje.

Amanhã, amanhã, amanhã...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Diálogos

- Então amiga , passados 20 anos, fulano de tal não mudou nada, né? Tá com a mesma cara.
- Nada. Ele agora é "ex-viado". Casou com mulher, tem dois filhos e é crente fundamentalista homofóbico!!!
- Mas ainda deve falar "pobrema", né não? (#grammarnazi #preconceitolingustico)
- Ih menino, deve ser daqueles que fazem banheirão na Central e sai correndo ofegante porque fez o balancinho na pressa.
- Pois é. Esse assunto a senhora entende bem, né?

terça-feira, 15 de julho de 2014

Falasser

No ótimo "Diário de um analisando em Paris", vem esse texto:

"Glossário do analisando

"Parlêtre – termo inventado por Lacan a partir de parler (falar) + être (ser) para designar o homem como ser falante; deve ser entendido não somente como o homem é aquele que fala, mas o homem é aquele que é falado, isto é, aquele que é estruturado pela fala; em português: “falasser”."

Diário de um analisando em Paris, p. 187

E eu viajando mais ainda na maionese da associação livre, "falasser" soa como "falácia", a possibilidade de nos enganarmos como sujeitos falantes e falados ou ainda "falecer", o que é a condição final de todos os seres, ainda que o inconsciente se julgue imortal. Ou nas palavras do Sigmund:

"De fato, é impossível imaginar nossa própria morte e, sempre que tentamos fazê-lo, podemos perceber que ainda estamos presentes como espectadores. Por isso, a escola psicanalítica pôde aventurar-se a afirmar que no fundo ninguém crê em sua própria morte, ou, dizendo a mesma coisa de outra maneira, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua própria imortalidade
E que engano maior que a imortalidade.

sábado, 15 de março de 2014

No alto (e embaixo também)



I.

O urubu é um bicho feio. No entanto acho o voo dele uma das coisas mais belas de se ver. Adoro perceber quando eles aproveitam a corrente de ar para voar, sem bater as asas e planar. Vai ao sabor do vento, mas sem perder o momento certo de achar os animais mortos.

A vida do urubu não é diferente das outras. Depende da morte de algo.

II.

Sonho com planícies e montanhas. As primeiras me dão uma ideia de vastidão, dos olhos que se perdem em meio a luz do infinito, O horizonte que não tem fim. Me traz uma ideia de visão que se perde, mas com os pés seguros no chão.

Com as montanhas, que na minha adolescência era o meu ideal de lugar, tudo é mais fechado. Os caminhos são mais desafiadores. É cheio de meandros, por vezes é apertado. E num caminho uma pedra pode rolar e levar direto ao chão. Nela não há segurança.

Mas no alto dela a visão é ainda maior e mais impactante que aquela que tenho na praia.

III.

Ás vezes me prendo a certas coisas. A certas emoções ou ao represamento delas. E me acho seguro, como na planície e fecho os olhos para o horizonte. É nele também que posso subir as árduas montanhas. O mais importante não é chegar no cume, mas o caminho por onde se passa. O cume pode ser visto como um bônus, depois de tantas maravilhas, ainda que seja o norte dessa caminhada.

Ou às vezes fazer como os urubus e planar com o vento. E para dar vida a uma emoção, há algo que também precisa morrer.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Cruzeiro - Dia 2


Neste dia estávamos em alto mar, na véspera da chegada em Ilhéus. E a ótima sensação de ter dormido pela primeira vez em um navio. Sensação essa que, guardadas as devidas proporções, me lembrou o balanço da rede.

Ao rever os meus relatos, talvez seja o dia com menor número de acontecimentos. Isso quantitativamente.

Neste dia havia muita gente na hora do almoço, até que eu e Oz tivemos a sorte de encontrar um casal que resolveu dividir a mesa deles conosco. Carla e o Marido (nesse dia tenho que me referir a ele assim).

Eles vieram de Porto Alegre e assim como nós tinham comprados as passagens pela internet. Falamos muito de praias e ela citava uma praia em que ela tinha casa em algum ponto do litoral gaúcho. Enfim, eles eram beeeeeeeem diferentes do casal do jantar da noite anterior. E uma pergunta ficava no ar: por que diabos um gaúcho estava usando uma camisa do Fluminense?

Resposta no dia 3

Além disso foi o dia que o cover do meu amigo puxou papo com a gente no bar e daí descobrimos que ele era policial no Rio. Sua família, também de policiais, era da minha região. Engraçado que ele estava no bar e bebia vagarosamente, enquanto meu amigo fumava. E a tia do policial se divertindo em algum ponto do navio, porque não a vimos.

E falando em bar, foi nesse dia que eu descobri o rum "Captain Morgan". Além de ser uma delícia, passei no Free Shop e comprei uma garrafa #classemediacachaceiranaosofre E decidi que só vou abrir a garrafa no dia 27 de abril, meu aniversário.

Esse foi o dia em que só me ferrei naquelas máquinas caça-niqueis do cassino. O que me restou por um momento foi beber um drink chamado Tornado, enquanto o pessoal do pagode ruim do embarque tentava se enturmar com mineiros atleticanos...aliás era época da final do Mundial Interclubes.

E a noite foi feita na base do "tráfico" de Dramin. Eu explico: meu amigo encontrou na parte externa do navio um rapaz vomitando (para o mar). Foi aí que ele (o amigo) ofereceu dramin para o rapaz. Aliás eu e ele para nos prevenirmos, tomávamos um dramin ao acordar e outro antes da janta. E no meu caso o combo Dramin/Engov.

A moça do inglês perfeito*

Esses dias estava discutindo com o meu namorado sobre as manifestações anti-Copa do Mundo e eu, antes de tudo, questionei o que está sendo criticado e como essa crítica é feita. Daí ele me lembra deste vídeo, da menina que tem "um inglês perfeito":



Meu pé atrás sempre diz: sinto cheiro de coxinha frita no ar. Mas para não cair na clássica falácia ad hominem, resolvi prestar a atenção no vídeo e ver quais argumentos fazem sentido e quais não fazem.

Onde o vídeo acerta?

- Na crítica às várias remoções que estão sendo feitas em nome de obras que são feitas para a Copa do Mundo. E cabe lembrar que estas atingem, justamente, a população mais pobre;

- Colocar grandes eventos como uma panaceia que vai trazer, obrigatoriamente, melhorias para a população, especialmente no comércio e na infra-estrutura de transportes;

- Questionar sim se estes gastos estão de acordo com o que o evento pede e como o dinheiro público, pelos impostos, está sendo investido e que contrapartida, de fato, isso trará.

-Críticas feitas ao modo como as UPPs estão sendo implantadas e a forma como isso funciona como uma "maquiagem".

Dito isso, vamos aos equívocos deste vídeo:

- Ela parte de uma experiência pessoal ao dizer que toda vez que alguém a identifica como brasileira, a pessoa diz que vai para a Copa do Mundo. É válido você expressar suas experiências individuais, desde que elas sejam, colocadas como tais e não usar esse conjunto universo para a generalização de um tema muito mais amplo;

- Ela entrevista um número pequeno de pessoas para repetir aqueles clichês sobre o Brasil com a clássica e capciosa pergunta: "qual é a primeira coisa que vem a sua cabeça quando pensa sobre o Brasil?". A não ser que ela esteja fazendo algum teste psicológico projetivo, este tipo de pergunta (e o tamanho da amostra) são insuficientes para uma pesquisa mais séria sobre o tema. Talvez fosse o caso dela poder usar dados de pesquisas nas diversas áreas (da mais empresarial às Ciências Sociais) que pudessem dar mais estofo ao que ela diz;

- Na afirmação do custo da Copa, segundo ela, mais de 30 bilhões de dólares há vários problemas. O primeiro deles, é citar de onde ela tira esses dados. Isso é fundamental, pois as informações são variadas: os governistas falam em um custo bem menor do que esse enquanto oposicionistas colocam os valores em torno do que foi dito por ela. Exemplos destas disparidades podem ser vistos aqui e aqui. Nesse sentido o site do Globo Esporte, da famigerada Rede Globo (que tem interesses na Copa, mas é tida por governistas como membro do "Partido da Imprensa Golpista-PIG") apresenta relato parecido com o dela, mas cita a fonte e faz o favor de especificar, baseado nos dados do Tribunal de Contas da União, o total gasto, de onde vem cada quantia e onde isso será gasto. O portal da transparência também apresenta esses dados;

- O velho equívoco do "com esse dinheiro poderia se investir em educação e saúde". O problema no Brasil é fazer esses equações: educação= escola (prédio), saúde = hospitais e segurança = polícia. É uma visão reducionista e ao mesmo tempo demagógica. Investimentos nestas áreas devem ser feitos constantemente pelo Estado (não importa a sua orientação política) e a análise desses temas é bem mais ampla. Afinal, como se paga os salários dos profissionais das escolas, polícia e hospitais e, lembrando, que nem só de escola, delegacia e hospitais vivem a educação, segurança e saúde, respectivamente;

- A questão do "pagamos impostos para isso.." É a típica demonização do Estado, mas que é uma análise pobre a partir do momento em que não problematiza a forma como esse dinheiro é gasto e quais as relações desse mesmo estado com o grande capital. Em nenhum momento, do vídeo, tirando a FIFA, ela cita os interesses das multinacionais e de grandes empresas brasileiras em um evento como esse;

- O velho moralismo de imputar a violência às favelas - que sim, tem de fato problemas seríssimos nesse sentido - e de imputar ao trio "samba, festa e dança" o uso de drogas. Parece até aquele vídeo da Rachel Sheherazade sobre o carnaval. A impressão que se tem é que o uso de drogas só se dá quando se dança, tem festa e no samba.  Esse tipo de visão as respeito das drogas é extremamente problemática, preconceituosa e é preciso pensar de forma mais abrangente sobre o uso de drogas. E ela se esquece de que o tráfico de drogas não são exclusividade das "gangs". Tem muito playboy vendendo droga que não sabe sequer segurar um fuzil.

Enfim, poderia até traçar mais pontos, mas coloco aqui como eu vejo (e sim, posso ter meus equívocos) em relação a tudo que está sendo dito sobre a Copa do Mundo.

É fundamental fiscalizar e entender sim como o dinheiro público está sendo gasto. Não importa se são 10 bilhões de dólares ou apenas 1 real. Faz parte da democracia ter transparência nos gastos públicos. E isso não diz respeito apenas à Copa do Mundo, mas a qualquer investimento, seja na construção de um estádio ou no calçamento da sua rua feito pela Prefeitura de sua cidade.

Se há famílias sendo removidas, sim, isso tem que ser criticado, questionado. Bem como acontece com a remoção de comunidades quilombolas e indígenas Brasil a fora, muitas delas feitas em nome do desenvolvimento (vide o caso Belo Monte) e de que isso trará benefícios. Esse mesmo discurso sempre foi usado ao longo do século passado, desde a chegada de Vargas ao poder até a ditadura civil-militar e suas grandes obras.

As obras de mobilidade urbana são obrigação quando pensamos a situação que se encontra nas cidades. Vamos lembras que o Brasil começou o século XX como uma grande fazendão atendendo ao modelo agro-exportador e terminou esse mesmo século com a grande maioria das pessoas vivendo nas cidades. E isso feito sem o menor investimento em infra-estrutura, não apenas na mobilidade urbana, mas nos serviços que atendem às pessoas, como saúde e educação. Então a crítica à forma como isso (não) é feita é válida em qualquer momento, com Copa do Mundo ou não.

Tenho muito medo dessas falsas dicotomias que opõem "fazer grandes eventos" versus "deixar população na miséri". Considero-a falsa, porque vamos imaginar que dê a "loka" na FIFA e ela cancela tudo. Será que isso automaticamente trará benefícios imediatos para a população? É um tipo de relação causa e efeito que não faz sentido.

Devem ser feitas sim diversas críticas às formas de como o evento está sendo preparado. A FIFA e sua série de imposições que, mais do que "ferir a soberania", mostra como são espúrias as relações do governo com essa entidade e lembrar que elas não agem sozinhas, mas que temos trocentas empresas ligadas ao grande capital (seja o nacional ou o estrangeiro) com diversos interesses na realização deste evento. Também é preciso questionar se, de fato, esse evento trará benefícios para o país ou se isso resultará em prejuízo. Sim, pensar nesses pontos é absurdamente válido. Assim como a construção de grandes estádios que no futuro ficarão vazios, revelando-se grandes "elefantes brancos".

O que não vale é achar que dizer "não vou a Copa"  para os gringos é uma forma de protesto. Na verdade só revela o nosso velho complexo de vira-latas, como diria Nelson Rodrigues, ao não apontar os pontos de maneira mais profunda.

*o título é uma ironia, porque se sabe que o que se considera como pronúncia "ideal" ou "perfeita" está ligada a forma como os grupos dominantes de uma sociedade fala. A linguagem não é somente comunicação, mas revela também como usamos e nos deixamos usar pelo poder.





sábado, 15 de fevereiro de 2014

Otimismo

Por vezes sou dado a uma visão pessimista do futuro. Mas certos insights me permitem ver outras coisas em mim mesmo, como, por exemplo, o quanto posso ser otimista e com fé na Utopia.

Na minha Utopia ao invés de vigiarmos os corpos das outras pessoas, fazemos um uso melhor e menos neurótico deles....

(ou no popular)

A gente para de fuxicar os paus, cus e bucetas dos outros e usamos os nossos. Simples assim :)