domingo, 6 de dezembro de 2009

Esgotamento

Passando pelo centro de Araruama hoje tenho a sensação de que a cidade não é homônima à lagoa que a banha. É um grande oceano de ruas desertas e bares que se tornaram ilhas de muitos homens e poucas mulheres vestidos de rubro-negro. A cabeça esgotada acaompanha os gritos de quase-gol, os fogos na hora em que o objetivo do jogo é realizado e o coração tricolor deserto de informações sobre o que se passa agora em Curitiba. Resta-me navegar por outros mares, o da informação, e ver que há nese minuto um empate de 1 a 1 e após a prova creio que meu esforço é parecido com o do meu time. Espero que isso não seja em vão e que minha alegria seja igual a daqueles muitos homens e poucas mulheres nos bares desta terra salgada.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A escrava que não era Isaura

A cena de ontem na novela das 8 que passa às 9 foi completamente absurda e nojenta. Vejamos: a personagem da Lilia Cabral obriga Helena a cuidar da filha dela em uma viagem para a Jordânia. Ok, e a Helena, mesmo sem lentes de contato azuis, encarna a escrava Anastácia e vai para o sacrifício. Na volta a burra-velha filha da Sinhá volta paralítica e mamãe vem cobrar da negra satisfações. A infeliz afro-descendente se ajoelha diante da sinhá branca para pedir perdão e toma uma bofetada, tal como se estivesse no tronco. Ou seja, passados mais 300 anos, Palmares ainda é revolucionário neste país movido á manivela.

Essa subserviência me deixa indignado, não só por ser negro, mas esse tipo de comportamento é revoltante.

Chiclete

Bem, taurinos tem o péssimo hábito de serem obsessivos. Eu creio que sofro do efeito-chiclete. mastiga, mastiga, mastiga até o doce acabar de vez mesmo - neuróticos precisam de certezas, senão não existem - a ai sim, depois jogo for já com o maxilar doído.

No entanto esta semana ao falar com um ser estava na companhia de uma boa amiga-irmã que escutava o diálogo. Depois ela me surpreendeu com declarações que reduziu o ser a algo menor que um quark-top. E aquilo me fez um bem e me fez sair daquela obsessão, ou seja, pude jogar o chiclete antes do meu maxilar doer. Foi uma boa aplicação de soro chamado autoestima. Quero que isso se torne uma vacina e que meu organismo seja capaz de produzir esses anticorpos por si só.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Totem e Tabu

Uma matéria que vale a pena ser lida:

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/16/ult5772u6131.jhtm

E só para registrar: de acordo com boatos da galera da PUC, freguesa do serviço, as atividades no local continuam.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

K. explica

Bem, ao que parece estudantes da Uniban do ABC paulista resolveram vaiar uma moça de minissaia (foi isso?). O mesmo zé povinho que bate punheta depois de ver a Dani Bananinha no Caldeirão do Huck e tem a sexualidade mediada por silicones em mulheres que mais se assemelham homúnculos, vide o carnaval, a festa pretensiosamente liberal e onde o nosso falso moralismo se revela. Enfim, vale a pena a análise do Keid neste endereço:

http://skullnu.blogspot.com/2009/10/moca-e-os-moralistas-imorais.html

Creio que ali as explicações são mais e ainda melhores.

sábado, 24 de outubro de 2009

Lágrimas de Diamante

Enviaste-me a música e me pergunto se a possibilidade de meu desespero é, par ti uma forma de riqueza. Olho para você e é como um jogo de espelhos e não me refiro só aparência, já que alguns nos julgam muito parecidos. Eu gostaria de tê-lo por perto agora para satisfazer essa curiosidade que por vezes me parece mórbida. Ai eu volto para a música e para as nossas semelhanças: somos dois colecionadores.

Em cada ponto achamos e julgamos capazes de cultivar preciosidades. Esquecemos do fato de que as coisas mais preciosas paa o homem, do ouro ao petróleo, são incapazes de se renovar. Algumas dependem do tempo e dos restos de corpos mortos de milhões de anos atrás. E será que já sepultamos muitos em nossos corações? Fica a pergunta e a certeza de que ao colecionarmos, achamos que daremos conta de tudo e de todos, uma inconformidade com essa impossibilidade que a vida provoca e nos tenta o tempo todo. Na minha coleção até pensei em te descartar, mas a tal morbidez ou um outro tipo de desejo enorme me impede de fazer tal coisa.

Só deve-se ter um cuidado: ao acharmos a riqueza que realmente buscamos, corremos também o risco de perdê-las, e tal como um garimpeiro que já gastou o dinheiro da pepita encontrada em bebidas e mulheres, podemos também voltar ao buraco, só para satisfazer esse estranho prazer mórbido que se vai junto com a sua voz de homem embriagado correndo pela pista na madrugada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sincronicidade

É mais ou menos assim: estou na minha caminhada rumo ao centro da cidade - aliás essa coisa de poder ir a pé ao centro é algo que permanece mesmo cá em Arara City - e passo em frente à Igreja Pentecostal Filadélfia. Era o culto de consagração e em plena Amaral Peixoto eu escutava a pregadora aos brados no microfone: "Que Jesus te abençoe e coloque maravilhas em seu caminho".

Ali perto tem uma oficina mecânica, de onde sai um careca bonitinho de dentro do carro, provavelmente para o devido reparo. Mais adiante, na academia Aero Fit - uma academia fundo de quintal local - entra no caro um muscle toiço - barba, peludinho, bração malhado e uma barrguinha pequena com muffin* e mais a frente em outra oficina um par formado por um cub nerd e uma toiça étnica dignos de nota.

Conclusões:

1) Sincronicidade é fato
2) Quero ir no culto de consagração da Igreja
3) Preciso tomar vergonha na cara e começar a malhar, mesmo que na AeroFit

* Os termos muffin bem como muscle toiça são criações de um casal de amigos, e cabe aqui o registro disso. Quem tem gordura lateral localizada na barriga entenderá isso imediatamente.

sábado, 10 de outubro de 2009

Apesar do facebook

A Era do Orkut permanece e é reveladora. Como se interessar por alguém que curte "O Pequeno Príncipe", "Lost" e "Heroes", o que seria uma heresia BUCAB*


*Esta é uma sigla hermética criada por Matias

domingo, 4 de outubro de 2009

2016

Bem, eu estava pensando no quanto as Olimpíadas de 2016 seriam prejudiciais por viver em um país desigual, que deveria priorizar outras coisas como educação, saúde, etc. Enfim, aquele clichê básico que faz todo sentido por estas terras.

Por outro lado pensei assim: porque precisamos tanto negar as coisas, ficar o tempo todo evitando-as em nome de uma suposta segurança? Por que não encarar de frente os fatos, as responsabilidades, assumí-las mesmo correndo todos os riscos, se a vida é, exatamente correr riscos. E passar por dificuldades - que neste caso seriam a corrupção, a falta de infra-estrutura na rede hoteleira e transporte, violência, desvio de verbas, populismo dos políticos e tudo mais - faz parte do jogo. E daí vem o desafio maior que é reconhecê-las e lidar com elas como forma de superação. Ok, este papo está virando um livro do Lair Ribeiro, mas é fato. Obviamente, fazer os investimentos necessários deveriam ser feitos independentemente ou não de 2016. E que todo esse Pão e Circo gere amadurecimento.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Viver a Vida

1) Aquela musiquinha chata da trilha cujas primeiras notas são idênticas à "Close to You" dos Carpenters "Why do birds..."

2) Ainda sobre a trilha: em novelas de Maneco parece que estamos ouvindo a Oi FM ou uma rádio do tipo. E a cada novela dele vou tomando raiva da Diana Krall e de Bossa-Nova.

3) O clichê de mulheres histéricas, loucas e afins, desta vez com Alinne Moraes repetindo a personagem de Duas Caras;

4) Tem também aquele elenco masculino de "moradores do Leblon com sotaque de Pinheiros" sem muito a dizer e que repetem os mesmos personagens. O líder dessa trama é aquele carinha insípido que faz o marido da Letícia Spiller;

5) Tudo bem que sinto o encosto da Marta em Lilia Cabral, mas adorei quando ela fala com a filha sobre o que significa ser "ex-miss" ou "ex-modelo";

6) Mateus Solano é, de fato, canastrão;

7) Taís Araújo, aproveite a sua sorte nessa maré pós Obama que se não fossem as eleições estadunidenses do ano passado a senhorita não teria esse papel;

8) A abertura da novela mostra, por a mais b que minimalismo, na maioria daz vezes é desculpa para falta de boas ideias;

9) Eu queria que Araruama fosse igual a versão de Maneco de Búzios que provavelmente passaá longe da Praia Rasa.