domingo, 23 de dezembro de 2007

Carta aberta para o Natal 2007


Então tá, está chegando o fim do ano e com ele o Natal. Época de alguns telefonemas – hoje mais raros com esse troço chamado Internet- dos cartões, das mensagens automáticas no orkut que são um inferno – com o perdão da má palavra para a época – para computadores de memória mais baixa e conexão mais lenta. Também vemos as decorações nas ruas, algumas suntuosas, outras de extremo mau gosto, da propaganda massiva na televisão, das promoções em shopping, de tumulto no calor tropical da terra brasilis nos locais de comércio popular e tudo o mais. Época daquela mesmice da Globo: especial da Xuxa, do Roberto Carlos, filmes “inéditos” que já saíram em DVD há 10 anos, do maldito Show da Virada e tudo o mais...e claro, época em que algumas pessoas decidem doar algo para os mais necessitados.



Natal para mim, quando criança sempre foi época de expectativa, em especial pelos presentes que eu iria ganhar. Claro, que tem todo aquele lance da minha formação católica como os presépios e meu pai assistindo à Missa do Galo na TV e tudo o mais. Todavia, o que interessava mesmo eram os presentes. Gosto dessa honestidade infantil que se perde com a hipocrisia que adquirimos e chamamos de maturidade.



Mais velho, comecei a me irritar contra os revoltados do natal. Gente que xinga e critica a data pelo seu apelo consumista, ou aqueles que simplesmente não gostam do natal. Achava que era uma revolta sem sentido, coisa de gente mal amada e que não tinha mais o que fazer...Mas hoje, com quase 30 tenho a impressão de que sou mais um desses revoltados.

Não sei o que acontece, mas esses dias me peguei muito estressado com a propaganda massiva na televisão e nas lojas nas ruas. Antigamente só se falava na data em dezembro. Hoje no começo de novembro já começam as chamadas promoções e todo o setor produtivo em polvorosa querendo render mais dinheiro no fim do ano....e o aniversariante da data cada vez mais esquecido, assim como o amor entre as pessoas de uma forma geral. Aliás, não foi o aniversariante do suposto 25 de dezembro – ele na verdade deve ter nascido em outro dia, mas a Santa Madre Igreja escolheu essa data pra coibir e ao mesmo tempo manter a familiaridade da data com a Saturnália, rito da colheita entre os povos não-cristianizados da Europa. – ele que introduziu a idéia do amor não a uma entidade abstrata, mas às pessoas amando e se respeitando umas às outras, aqui mesmo nesse espaço de vida terrena, tão breve e perene quanto os presentes e seus embrulhos?

Gostaria de aproveitar o momento para desejar a todos um Feliz Natal, independentemente de credo ou nível de satisfação ou revolta com a data. Como bom neurótico obsessivo auto-diagnosticado que sou, tenho uma predileção enorme por ritos. Então que cada um, a sua maneira, e acreditando em sua força pessoal – não, isso não é propaganda do livro “O Segredo”, até porque não sou a Ana Maria Braga – faça o seu próprio rito, seja em casa com suas famílias, ou na presença de amigos ou simplesmente sozinhos, aproveitando a data para reflexão, transformação e, sobretudo, que nos tornemos mais amorosos. Tenho ainda a estranha mania de acreditar na esperança, ainda que o senso crítico – isso que chamo de revolta-- esteja aguçado. A vida humana é algo tão ridículo quando comparada com a idade do planeta e o tamanho desse planeta é algo tão ínfimo quando comparado com o resto do universo. Então que aproveitemos bastante, enquanto ainda estamos por aqui.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Vendendo saúde

Não sei se alguém que lê esse texto já escutou a expressão “fulano está vendendo saúde”. Essa metáfora popular era uma forma de dizer que uma pessoa está muito bem, com a saúde boa a ponto de ter tanta o suficiente para poder “vender”. Em geral essa frase é (ou era) usada quando quer tirar a suspeita de alguém sobre uma pessoa supostamente mal.

Percebi a ironia e o sentido desta frase quando, semanas atrás, uma amiga da família de anos vem apresentando aqueles produtos da “Living Forever”. Ela apresentava o produto tal como um evangélico pregando a Bíblia. Aliás, ela é evangélica. Além disso a Living é americana, pátria evangélica, pátria capitalista, cuja base religiosa é, não por um acaso, o protestantismo. Weber não me deixa mentir.

Pois é, o tal produto é feito à base de babosa. Mas claro, para o nome soar melhor, melhor dizer “Aloe Vera”. Aliás não é um só produto. São vários: pasta de dente, sabonete, suco e mais um calhamaço de coisas que me deixaram tonto em meio a explicação da moça. E o preço, obviamente, não é barato.

E claro que a moça dizia algo como: é um investimento na sua saúde. E eu pensava: “estaremos comprando saúde?”.

O Brasil criou o SUS, mas o sistema de saúde é caótico e mal atende a maioria da população. A achatada e falida classe média faz uma ginástica no orçamento e tenta na esperança vã de um serviço melhor, investir nos planos de saúde como forma de fugir do caos do SUS, embora muitas vezes é igualmente mal tratado e não conta com um serviço lá essas coisas. Isso quando não tem que lutar contra os aumentos abusivos e coisas do tipo. Enquanto os mais ricos continuam bem onde estão usufruindo dos melhores serviços, longe dessa confusão toda e podendo “vender saúde”.

Ou seja, para se ter saúde, precisa-se pagar...embora uma lembrança importante me diz que mesmo o serviço público é pago, com o dinheiro do povo de todas as classes. Incluindo as mais altas que, ironicamente, fogem para outros serviços sem reclamar com o governo o que é feito com seu dinheiro. A coisa só muda de figura com a questão da CPMF, feita para ter seus recursos investidos na saúde – embora não haja lei que obrigue o governo a dizer para que o recurso de um certo imposto tem que ir somente para uma área “x”- que está para ser prorrogada em meio a essa confusão no Congresso entre governo e a pseudo-oposição de araque que criou essa "contribuição provisória" que parece permanente.

No meio disso tudo é estranho o fato de termos que “comprar” ou o seu eufemismo de primeira hora “Investir” em saúde. E somos bombardeados por produtos duvidosos na TV, visitas quase missionárias em nossas casas endeusando a babosa e por uma excessiva propaganda enganosa em todos os meios que iguala estética, ausência total da dor e pênis eternamente ereto com saúde.

E em meio a isso tudo pergunto: onde estão os tempos em que as pessoas vendiam saúde sem precisar comprá-las?

domingo, 4 de novembro de 2007

Didi, auto-ajuda: balde e holofote

O filósofo austríaco Karl Popper comentava que, em ciência existia a teoria do balde e do holofote. por balde, tome-se como modelo o fato de julgar capaz de caber todo o conhecimento dentro de "um balde", como se em um único recipiente coubesse toda a verdade possível. Criticando esse modelo ele comentava sobre o fato da mente humana ser um holofote que ilumina de dentro para fora, ou seja, o conhecimento se ilumina em uma parte, onde a luz do holofote está direcionada, mas além daquilo há uma escuridão imensa sobre a qual desconhecemos.

E por que estou mencionando isso? Sei lá, mas deixe-me fazer a auto-ajuda.

De vez em quando na sua vida você foca, como o holofote, em um único ponto e esquecendo-se da escuridão que ilumina todo o resto. Um exemplo porco e simples: você está na "buatchi" e cisma com um carinha que nem te dá bola, mas, obsessivamente se foca nele, achando que ele é a única verdade para a sua felicidade noturna (balde) esquecendo-se do resto, que no ponto em que você não foca (holofote) pode ter alguém mais interessante e interessado em você.

Pensei nessas coisas hoje e elas me fizeram todo um sentido...melhor que "O Segredo", embora Popper não merecesse essa sacanagem tosca que faço com ele aqui nesse texto.

E para finalizar, mudando completamente de assunto, mas ainda no tema "buatchi", segue uma cena de "Sábado Alucinante" (1979), filme que comentei em um post passado e que acho que merece uma boa olhada.



Sáaaaaaaaaabado!

Ps: Quem observar bem sacou a pinta que a ursa DJ dá nesta cena.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Morte

Estava maturando a idéia do meu próximo post, sobre a morte, a partir do que eu vi em "O Diabo veste Prada". No entanto nesta madrugada de Todos os Santos recebo a trágica notícia de que uma tia muito querida morreu.

Não cabem teorias neste momento. Somente a dor diante do inevitável e da única certeza que temos diante da vida.

Tive que sair hoje de manhã com meu pai para resolver um assunto no Centro e a cidade me pareceu caótica, irritante, com as pessoas trombando umas nas outras, camelôs gritando, jovens oferecendo empréstimos e outros jovens oferecendo papéis do tipo "compro ouro" ou "conheça as termas gatinhas fogosas" enquanto passam nerds de escritório com cara de quem não vê a praia há séculos. E os meus passos lentos, diante do luto e do tempo abafadomais uma madrugada insone, irritavam a mim mesmo. Minha vontade era de que uma bomba caísse em pleno centro carioca naquele momento.

Deve ser um fenômeno de transferência....

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Direito ao silêncio

Segue aqui um texto que acabei de ler do Frei Betto, que vale a pena confeir.

Direito ao silêncio

Frei Betto

Há demasiados ruídos à nossa volta. O coração sobressalta, os nervos afloram, a mente atordoa-se. É o televisor ligado quase o tempo todo, o fluxo incessante de imagens sugando-nos num carrossel de flashes.

O rádio em monólogo inclemente, a música rítmica desprovida de melodia, o som alojado nos orifícios auditivos, o telefone trinando supostas urgências, o celular a invadir todos os espaços, suas musiquetas de chamada destoando em teatros, cinemas, templos, cerimônias e eventos, seus usuários nele dependurados pelas orelhas, publicitando em voz alta conversas privadas.

De todos os lados sobem ruídos: da construção civil vizinha, do latido dos cães, dos carros na rua e das aeronaves que cortam o espaço, das motos estridentes, do anunciante desaforado em seu carro de som, do apito fabril disciplinando horários.

Tantos ruídos causam tamanho prejuízo à saúde humana que o Exército usamericano criou, em sua sanha assassina, um arsenal de “projéteis sonoros”, capazes de produzir som de 140 decibéis. Bastam 45 para impedir o sono. O rumor do tráfego na esquina de uma avenida central atinge 70 decibéis. Aos 85 produz-se uma lesão auditiva. Elevado para 120, o som provoca dor aguda nos ouvidos. Imagine-se, pois, o que significa essa tecnologia de tortura a 140 decibéis!

Nosso silêncio não é quebrado apenas por ruídos auditivos. Agridem-nos também os visuais. Assim como o silêncio da zona rural ou de uma igreja nos impregna de paz, levei um choque ao visitar, anos atrás, Praga antes da queda do Muro de Berlim. Não havia outdoors. A cidade não se escondia atrás de anúncios. A poluição visual era zero, permitindo contemplar a beleza barroca da terra de Kafka.

Nas cidades brasileiras, subjugadas pelo império do mercado, somos vorazmente engolidos pela proliferação de propagandas, exceto a capital paulista, agora em fase de despoluição visual por iniciativa da prefeitura.

Sem silêncio, ficamos vulneráveis, expostos à voracidade do mercado, a subjetividade esgarçada, a epiderme eriçada em potencial violência. Contra esse estado de coisas, o professor Stuart Sim, da Universidade de Sunderland, na Inglaterra, acaba de lançar Manifesto pelo silêncio, contra a poluição do ruído. O autor enfatiza que a cacofonia de sons que nos envolve ameaça a saúde, provoca agressividade, hipertensão, estresse, problemas cardíacos.

Todos os grandes bens infinitos da humanidade – arte, literatura, música, filosofia, tradições religiosas – exigiram, como matéria-prima, o silêncio. Sem ele perdemos a nossa capacidade de raciocinar, ouvir a voz interior, aprofundar a vida espiritual, amar além do jogo erótico meramente epidérmico.

Quando um casal de noivos me procura, interessado em preparar-se para o matrimônio, costumo indagar se os dois são capazes de ficar juntos uma hora, em silêncio, sem que um se sinta incomodado. Caso contrário, duvido que estejam em condições de uma saudável vida a dois, pois o respeito ao silêncio do outro é um dos atributos da confiança amorosa.

Assisti ao filme O grande silêncio, do diretor alemão P. Gröning, que nos convida a penetrar a vida de uma comunidade cartuxa nos Alpes franceses. Nenhuma palavra no decorrer de três horas de filme, exceto o canto gregoriano das liturgias monásticas e o bater do sino. Um convite à mais desafiadora viagem: ao mais profundo de si mesmo.

Quem ousa, sabe que lá se desdobra um Outro que, por sua vez, espelha nossa verdadeira identidade. Viagem que tem como veículo privilegiado a meditação. Na fase inicial, é tão árduo quanto escalar montanha para quem não esta acostumado ao alpinismo. Porém, em certo momento, é como se u’a mão invisível nos elevasse, tornando a subida suave e agradável.

Só então se descobre que, no imponderável do Mistério, não se sobe, se desce, mergulha-se em si mesmo para vir à tona, do outro lado de nosso ser, naquele Outro silenciosamente presente em nossas vidas e na tecitura do Universo. Aqui a palavra se cala e o silêncio se faz epifania.

domingo, 28 de outubro de 2007

Grilo na Cuca

Estava eu lendo esta notícia sobre a banda Hot Chip (famosa quem?) quando decidi baixar o disco deles. Ok, bem feitinho, mas nada emocionante. Mais do mesmo. Tão mais do mesmo que na hora em que eu ouvia a banda pró-São Paulo estava passando o cult movie disco brasileiro "Sábado Alucinante" de Cláudio Cunha mais conhecido por pornochanchadas ou pelo pornozão explícito "Oh Rebuceteiro!" do que por esse filme, uma versão mais descontraída e cinematográfica de Dancin Days. Enfim, no momento tocava uma música: "grilo na cuca"...curioso, fui no google e achei não só o nome da música e o cantor (Dudu França - Grilo na Cuca), como essa pérola aqui:



Enfim, muito mais interessante...e que se foda o Hot Chip e suas preferências....até porque banda que toca em Tim Festival, salvo raras exceções, serão esquecidas daqui a 6 meses.

Ah, o Dudu hoje é cantor evangélico, mas canta músicas do Frank Sinatra.

Influenza

Só para registrar:

Estou gripado

E isso é um saco!

terça-feira, 16 de outubro de 2007

É preciso idolatrar a dúvida

Contradição...dialética. Presente em várias formas do pensar..presente em nós mesmos. Somo os seres da não coerência e buscamos ela, mesmo em tempos em que a mesma parece distante. Sem falar em certas posturas coerentes que buscam combater outras posturas também coerentes, caindo no mesmo erro dogmático que elas...eu prefiro me permitir à contradição, já que a coerência, na verdade, não existe. É uma busca de tolos neuróticos que buscam em si uma espécie de certeza quase divina.

Falando em divino, talvez por isso me permita à coerência de ser católico, ir à missa quando quero, usar camisinha transando com alguém do mesmo sexo....incoerente, deixe-me sê-lo.

Para Cazuza, seu partido era um coração partido e as ilusões foram todas perdidas. Gosto de Wilde quando afirma nas palavras de Lorde Henry em "O retrato de Dorian Gray" o comentário "a fidelidade é para a vida emocional o mesmo que a coerência para a vida intelectual: mera admissão de fracasso".

Talvez a minha última noitada e uma frase longínqua martelando na minha cabeça ( "você se parece com nada e não lembra porra nenhuma") foi uma forma de revitalizar isso...longe de padrões, gostos específicos e fechados, encerrados como uma ridícula prisão de sei mesmo, incluindo aí a forma de se vestir e, pior, acreditar piamente que é uma pessoa "independente". Sou um homem de orgulhos bestas, admito, mas pelo menos o que mais gosto é saber que eles são, sobretudo, meus e me permito às minhas dúvidas "e tudo e tal".

Termino com versos do mestre Murilo Mendes, a despeito de certos leitores não apreciarem poesias:



Eu vim
Murilo Mendes

Eu não nasci no começo desse século.
Eu nasci no plano do eterno.
Eu nasci de mil vidas superpostas.
Nasci de mil ternuras desdobradas.
Eu vim para conhecer o mal e o bem.
E para separar o mal e o bem.
Eu vim para amar e ser desamado.
Eu vim para ignorar os grandes e consolidar os pequenos.
Eu não vim construir a minha riqueza.
Não vim construir a minha própria riqueza.
Mas não vim para destruir a riqueza dos outros.
Eu vim para reprimir o choro formidável.
Esse choro formidável que as gerações anteriores me transmitiram.
Eu vim para experimentar a dúvida e a contradição.
E aprendi que é preciso idolatrar a dúvida.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

It always comes as a surprise

Estou pensando nessa parte da música do PSB:

"You smile and I am rubbing my eyes at the dream come true..."

Por que inventaram a diferença de classes, a barata e a saudade?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Muito franco

Se existe uma coisa que sempre comentei na extina "colcha de retalhos" e nesse blog é que uma coisa que me aborrece bastante é o tipo de pessoa "muito franca". Não falo da honestidade, da conversa amiga olho no olho, coisa que aliás faz muita falta hoje em dia.

Me refiro ao tipo de gente que se acha "muito franca" quando na realidade são muito grosseiras, mal educadas e se você fala algo a respeito delas na "mesma franqueza", ela, como diria dona Marta, sobre nos cascos e se irritam com facilidade. Tenho alguns amigos que, infelizmente, apresentam esse tipo de comportamento do qual eu tenho nojo.

Enfim, no meio dessa franqueza toda, vale uma lida no blog que dedico a minha querida mãe - sem ela saber é claro - no qual há uma interessante conseqüência de tanta "franqueza".

Ps: Você sabe que o mundo tá uma merda quando um post de homem com bunda de fora me dá menos IBOPE que os meus desabafos emocionais.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Nu com a mão no bolso!

Pois é, eu também vi o último capítulo de "Paraíso Tropical", aquele que considero para qualquer estudante de edição de video uma verdadeira aula. Aula de COMO NÃO DEVE SER EDITADO UM CAPÍTULO feito nas coxas. E tome perseguição interminável: Olavo e Jader por um lado, Bebel por outro, volta pro apartemento, revelações de novela mexicana, tiros e por ai vai incluindo a obviedade do assassino, coisa que Gilberto Braga tem apostado desde "Celebridade" quando Laura, a vilã-mor, era a assassina. Então desta vez não foi difícil descobrir.

A única coisa que valeu a pena de fato, aliás, foram duas: a Bebel no Congresso e o show de canastrice do Dênis Carvalho mostrando que o nosso parlamento é uma zona pior que qualquer puteiro cheio de canastrões - usando termo da Rita Lee, quando ela se refere aos políticos em geral. É um tal de "excelencia" pra lá, que muito me lembra o francês "madame" que era algo originalmente "chique" e virou sinônimo de cafetina. Excelência vai virar sinônimo de canastrão e corrupto. Isso sem mencionar a alusão direta à Mônica Veloso. Se bem que, vendo o que esta senhora tem feito para aparecer na mídia, posso dizer que tem muita menina no calçadão da Prado Junior mais digna do que ela. E que me chamem de fascista, não me incomodarei com isso.

A segunda foi a Marion correndo em pleno Posto 5 fugindo do Rappa. Apesar da inverossimilhança, a cena foi engraçada. Agora o troféu nada a ver dessa novela fica mesmo pela dublê de socialite falida- e como foi bem lembrado pelo extinto blog Papel Pobre, ex-mulher do Fabio Junior- Guilhermina Guinle vestida de gari da COMLURB depois de uma cena de agressão a empregada completamente esdrúxula. E comparado com o restante do elenco, acho que ela foi a única bola fora.

Outra coisa: como pôde o eterno bocó Daniel Dantas voltar para a eterna maluca histérica de novelas Beth Goulart - em excelente desempenho? E a chata nojenta da Dinorá não merecia ficar sozinha também? A Dona Iracema da Daisy Lucidi pelo menos era uma chata divertida.

Enfim, em meio a tantas incoerências fica aqui a Didica do dia para recordarmos:



Pois é, tem a Doris Giesse - a moça que fez a linha Ariclê recentemente - uma carteira de cigarros e claro, Vinicius Manne. Alguns leitores desse blog com certeza devem ter sido afetados pelo final dessa abertura. E para os mais curiosos , duas coisas: o moço que não é mais tão moço está em Eterna Magia (coitado) e também tem perfil no orkut. Pronto, falei!

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Liberdade

Essa palavra, como boa parte dos substantivos abstratos são complicados de definir. Nesses momentos queria ser como Alberto Caeiro ou como a letra de "Enjoy the Silence do Depeche, pois ambos têm a mesma opinião sobre as palavras "They can only do harm..." diz o hit, "há bastante metafísica em não pensar em nada", diria o heteronõmio de Fernando Pessoa. Já é alta madrugada e sob efeito da endorfina, maravilhoso componente químico natural, estou relaxado e - usando palavras do ex - netunizado.

Sendo assim, liberdade, nesse instante da minha vida pode ser:

- Escolher a camisa que eu quero sem me preocupar com o formato dela;

- Não ter que ver a televisão mudar de canal desesperadamente contra minha vontade;

- Não ter pensamentos obsessivos em situações sexuais mal resolvidas do natal passado;

- Poder transar sem script;

- Ver certos lamentos e não ligar porque conheço minimamente quem os faz e sei o quão egoísta é quem lamenta e está pagando pelo que fez. E não ser obrigado a ouví-las;

- Se dar conta de que a única mudança de humor com a qual sou obrigado a lidar fora do eixo profissional são as minhas...e não encho ninguém com elas;

- Tomar chá de sumiço do msn...oh coisa boa!

- Não me preocupar com a quantidade de posts neste blog;

- Começar a ler um livro, parar no meio, pegar outro e voltar a ler o anterior quando me der na telha;

- Ler aquele livro antigo da faculdade porque estou a fim e não por obrigação de um estudo que não me agrade;

- Ir ao cinema com um amigo inteligente, falar besteiras e voltar para casa;

- Almoçar com um grupo novo de pessoas e ouvir coisas novas e interessantes delas;

- Não ter que ouvir falar de Playstation por alguém com mais de 25 anos;

- Passear com um amigo de longa data pela Lagoa dando muita risada mesmo com o tempo chuvoso;

- Mostrar e ensinar para meus primos de 9 e 10 anos de idade como canta aquela música da Emília que está no blog do Marko;

- Tirar foto daquele prédio que acho lindo, ver que ela ficou horrível e voltar lá e tentar de novo.

Acho que no fundo acabei falando de felicidade, não de liberdade...que seja!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Mano Brown



Segunda-feira fui zapear a TV e parei na TV Cultura. Programa "Roda Viva" com Mano Brown dos Racionais MC. Minha informação sobre o rapaz era rala: só conheço "diário de um detento" - uma das letras mais fodas feitas nestas terras- o comentário do Juba por considerá-los inversamente racistas e machistas e a cara de mau do Mano.

Na referida "roda" estavam aqueles jornalistas chatos de revistas musicais igualmente chatas. Aliás concordo e estendo a opinião de Paulo Lins, autor de "Cidade de Deus", ao afirmar que crítica literária é a mais difícil porque a cinematográfica qualquer um faz. Eu diria que o mesmo serve para a musical, qualquer pessoa que mal usa a notocorda é capaz de fazer isso, difícil é achar alguém para fazê-las bem feito.

Aliás, Lins estava na platéia com uma Maria Rita Kehl, psicanalista e mais aquele tiozinho com o look 70's jornalista da Cultura Renato Lombardi...

Fazendo a linha Nelson Rubens "ok ok"...a entrevista poderia ter sido melhor, pois como o próprio Brown sugeriu, eles estavam com medo de partir pro ataque diante de tantas incoerências do rapper. Eis aqui alguns ponto da entrevista que me chamaram a atenção.

1) A compação entre comerciante e traficante. Por um lado diz que o traficante é só um comerciante e que os bandidos são os donos da 51 e da Ambev, mas que não são presos por não serem negros da periferia. Então, Mano, seriam duas punições diferentes ou uma só para os referidos "comerciantes"? Faltou provocação.

2) A pergunta da psicanalista sobre MST em que tanto ela quanto Brown pareciam estar perdidos no tempo e no espaço sobre o movimento. Ok, Mano não tem a obrigação de militar em prol do MST só por ser "rapper da periferia".

3) Gostei da firmeza dele em defender o Lula e o PT e até mesmo a ex-prefeita, agora ministra do "relaxa e goza", coisa que a classe "intelectual" escamoteia ou ataca a dita direita como forma de fugir do assunto. Sendo que no fundo ele tratou Lula como bandido, uma vez que ao afirmar que o presidente não entregaria os amigos, me lembra um membro de uma quadrilha que foi preso e que nao deve entregar seus companheiros de crime. De qualquer forma, Dona Marilena Chauí e cia deveriam aprender com ele.

Em meio a tantas contradiições que o próprio Mano assumiu em tê-las ao comentar sobre a Nike, por exemplo, o que o programa revelou, apesar de ter sido morno demais, foi o fato de que o líder dos Racionais mostou um lado humano muito interessante. Humano entenda-se como cheio de contradições, imperfeições e o mais importante, o fato do próprio não querer ser exemplo nem modelo de discurso para ninguém. Como o próprio afirmou sua arte não é para ser professoral, mas sim, companheira. Pontos para o rapper, zero para os jornalistas (e psicanalistas) bundões, mais preocupados com imagens, discursos prontos, camisetas do Tim Maia e piercings do que de fato colocar um pouco de "rock 'n roll" na entrevista com um ícone do rap nacional.

Para quem quiser conferí-la na íntegra, clique aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Menina pastora e existencialismo made in Gloria

Acabei de ver e ouvir o tal funk da Menina Pastora. Sinceramente, não entendi essa celeuma toda em cima do video. É engraçadinho, mas não é "oh" lá essas coisas. Será que estou ficando velho e chato?

O video de Cris Nicolotti com seu famoso "vai tomar no cu" é deveras mais interessante apesar de ter perdido a graça por conta do tempo. O mesmo vai acontecer com o funk da menina e tantas bobagens do you tube que irão aparecer, se é que o you tube também não vai sumir na fumaça. Só não sei daqui a quantos segundos.

Cultura chiclete, mascamos o doce, percebemos depois a borracha que é e jogamos fora. Tudo é pra ontem, rápido, acelerado como esses sucessos dentro e fora da internet. A fama dura menos de 15 minutos. Claro, o gozo não é etermo. Melhor mesmo se jogar na rapidez das coisas e do próprio gozo e evitar ao máximo, nesse mundo hedonista, a chegada do desprazer. Por isso o ecstasy é a droga-metáfora perfeita dos tempos atuais. E na falta dela, vamos todos esperar pelo próximo link nessa nossa eterna (e ridícula) maneira de disfarçar ou escamotear a maior certeza de todas: a morte.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Viés

O tempo entre o último post e esse pode ser caracterizado sob vários pontos de vista. Pode ser do ponto de mais uma viagem para Sampa que foi maravilhosa em outros tantos pontos de vista – sim, isso está virando um hipertexto – no qual não só foi legal pelo lado afetivo-sexual, mas também uma fase intensa de separar o joio do trigo. De desfazer alguns mitos do passado – talvez tenha sido essa a maior e melhor contribuição desta viagem e bem como poder estar ao lado de quem vale a pena de verdade, no quesito amizades. Aliás sobre isso eu recomendo uma olhada no texto do blog do Juba, que sintetiza essa idéia da frase anterior.

Pode ser do ponto de vista de alguém— eu no caso – que gosta de se colocar no alto de um pedestal no qual observo tudo e a todos e digo coisas, palpito, etc. Claro que faço isso quando a pessoa me pede para fazer isso. E daí neste mesmo pedestal odeio quando “simples mortais” vêm querendo saber detalhes da minha vida ou dar palpites sobre certo ou errado quando eu não pedi consulta ou algo do tipo para tanto. Diz um amigo meu que é coisa da lua em capricórnio. Pode ser, mas é fato que isso incomoda.

Outro viés- psicólogos amam essa palavra – pode ser pela novela da Record que é simplesmente bizarra. Bizarra porque foi capaz de reunir gente foda das artes cênicas como Walmor Chagas e Ítala Nandi e colocar no mesmo elenco a Karina Bacchi e a Preta Gil e, pasmem, uma novela que fala de “mutantes” com poderes especiais. Juro que eu morro de vergonha pelo autor desse troço tão absurdo que nem a Gloria Perez teria coragem de escrever. E a vergonha maior fica pelo ex-paquito Cláudio Meyer (eu não uso o outro sobrenome dele mais conhecido porque é complicado para digitar) fazendo papel de bicha afetada tendo como trilha sonora “Robocop Gay” dos Mamonas Assassinas.

Tem também aquele senado daquele país que absolveu aquele senador – que era amicíssimo daquele presidente “Impichado”- que está envolvido naquele esquema de corrupção. E neste mesmo país, em vésperas do 11 de setembro, tem se um “atentado” no trem que levava dois ministros de baixo escalão. Nossa, até pra atentado esse país anda fraco. Bin Laden por aqui, só em máscara de carnaval na cara de um folião bêbado.

E o clima seco, sim, também tem ele entrando pelas narinas. E tento achar ainda um fio, uma nesga de coragem para tomar uma decisão que há muito tempo já deveria ter feito...enfim, coisas da vida. Pelo menos as fotos que pululam no “batch” do flickr dão uma idéia de como eu estava, pelo menos, visualmente.

Sem mais por enquanto...

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Bobagens no Bom Dia Brasil

1) A piada da CPMF...a contribuição supostamente provisória e que pelo jeito será permanente. Parece os remendos que meu pai faz em casa e irritam minha mãe no estilo "já consertei a tomada, mas o que tá lá é provisório, enquanto não compro uma nova". Assim é o governo. A piada aumenta quando os políticos ligados ao atual governo defendem a contribuição - os mesmos que a pichavam antes de 2003 - e a dita "oposição" reclama da tal contribuição, eles que antes de 2003 a achavam fundamental para a saúde. Isso é política, isso é Brasil. Pra arrematar a dona Miriam "Porcão" faz uma defesa cínica do antigo governo ao afirmar que a manutenção da mesma era fundamental para as crises econômicas que o governo de outrora passou. No final das contas quem paga a conta disso tudo é o cidadão brasileiro que continua com péssimos serviços de saúde pública, vide o caos noticiado sobre os hospitais nordestinos.

2) Renato Machado, aquele moço que não sabe se é jornalista ou dono de restaurante. Pois é. Hoje em matéria sobre a comida mineira - a minha preferida e da maioria de muitos brasileiros- o sr Machado dá uma "aula de história" ao afirmar que a comida mineira é a mais "brasileira" pelo fato de ter sofrido pouca influência dos imigrantes e que foi uma culinária construída "no Brasil". O que eu acho engraçado é que vivemos em um país em que - excetuando-se a contribuição indígena- tudo é importado, seja o que veio de Portugal, dos escravos africanos - decisivos nessa referida culinária - ou mais tarde, no século XIX dos imigrantes de outras partes do mundo. Essa busca por uma suposta "autenticidade" é algo que enche o saco certas vezes. Até porque não só no Brasil mas, muitas culturas, se fizer uma investigação histórica cuidadosa, recebeu em sua origem influência de outras culturas...o mundo gira, não é algo estático. E este planeta tem uma espécie que resolveu povoar e andar por praticamente toda sua superfície dando um caráter dinâmico ao que chamamos de civilização. E esta é a mesma espécia é capaz de emporcalhar o planeta ou dizer bobagens matinais. Ou escrever um post idiota em um blog pouco lido.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Não sabe? Joga no google!

Esse blog que inicialmente pretendia ser menos bissexto que os anteriores que criei parece estar com o mesmo ranço dos seus similares. E bate aquele velho chavão psicanalítico que diz “o neurótico não recorda, repete”. E isto aqui fica parecendo o tempo do Rio de Janeiro esses dias, isto é, dia de calores dignos de verão – porém com o tempo “abafado” – e de repente queda da temperatura e chuva fina.

Falando em tempo o fim de semana foi ótimo para tirar fotos. Em especial do Jardim Botânico, local que este carioca desnaturado não tinha colocado os pés ainda, bem como no bairro homônimo, que me lembrou os tempos de colégio. Pra ser mais exato um menino que vivia me seguindo pela sala de aula com a desculpa de que não trouxe o livro de história e queria sentar do meu lado quando a sua namorada faltava a aula. Mas essa é uma outra história.

O grande barato de tirar fotos dessa cidade – e no flickr tem o resultado delas, basta clicar no banner na parte lateral deste blog – é perceber o quanto essa cidade é bonita, mesmo com tanta gente maltratando-a. Inclusive soltei um “porco!” sonoro na volta pra casa quando vi um vizinho meu que desconheço jogar plástico do cigarro no chão da rua. Não bastava ele emporcalhar os próprios pulmões e de quem está a sua volta. Tinha que sujar o chão também. Fico com a nítida impressão que o Rio é como a puta mais linda do bordel, completamente desvalorizada, desacreditada, violenta e decadente mas ao mesmo tempo dona de uma grande beleza que atrai muitos clientes e desperta a inveja de outras putas e de “senhoras de respeito”. É uma metáfora interessante pra essa cidade cheia de curvas, montanhas e prédios antigos.

E na volta pra casa vejo um monte de gente parado em frente ao camelô na Rua do Catete vendo ao filme hypado por meus alunos , o “Tropa de Elite”. Tomei um susto quando a molecada me falou que estava vendo filme nacional, depois que me dei conta que para eles o mais importante era falar das cenas chocantes e dos tiros, sem fazer concatenação com a realidade que os cerca. Pelo menos em um primeiro momento.

Daí chego em casa e “jogo no gugol” o nome do filme e fico sabendo que esta versão pirata é uma cópia que ainda não foi completamente editada e que vazou, pois o filme será lançado no Festival do Rio. E me vem na cabeça que era o mesmo filme em que um amigo trabalhou na produção no ano passado. Sim, um filme que fala a respeito do BOPE e de suas atrocidades com a população pobre fluminense – algo talvez parecido com a ROTA paulista, não estou bem certo. O fato é que lá pelas tantas o diretor “intelectual que filma na favela e critica o sistema” solta uma perola. Ele afirma que ficou puto com o vazamento do filme, mas que não se preocupa com a bilheteria uma vez que o público de seu filme não é o mesmo que compra DVD pirata. Faz-me rir, que o meu pai pegou emprestado um “piratex” do filme 300 com um “douto” vizinho do andar de cima que tem todo perfil do “público do festival”. Depois de ouvir uma idiotice dessas dá raiva ver esse povo reclamando de falta de verbas pro cinema. Na boa, posso estar sendo um pouco “mainardiano” demais da conta, mas ouvir uma coisa dessas justamente de onde menos se espera (ou não) é no mínimo revoltante.

Enfim, coisas do Rio. E no próximo post vou colocar as minhas 7 maravilhas desta cidade, bem como as 7 desgraças.

sábado, 18 de agosto de 2007

Desfazendo o rascunho

1- Ouvi essa semana o último álbum dos Chemical Brothers "We are the night" e tenho que mencionar aqui que o trabalho está maravilhoso. Não conheço a discografia completa do duo de Manchester, Inglaterra. Todavia digo que este álbum é digno do trabalho dele e o mais interessante, que eles são capazes de se renovar, mesmo pegando "coisa velha". Explicando: pelo que ouvi de trabalhos anteriores eles têm uma pegada forte no rock entre outros estilos. Em We are the night, talvez por fazer alusão à danceteria, o rock fica um pouco de lado e tem-se outras misturas, como o hip-hop do começo dos anos 80 - algo também explorado pelos dinamarqueses do Junior Senior - electro e batidas mais "viajantes". Quem ouviu a última faixa da coletânea de singles deles lançada em 2003 (não ouvi ainda o "Push the bottom", de 2005), tem-se a impressão que Golden Path - faixa com o "Flaming Lips"- teve uma continuação neste álbum em sua primeira faixa "No Path to Follow", não apenas pelo substantivo coincidente. Isso sem falar na faixa à la Justin Timberlake- que torçam o nariz os seus fãs mais afoitos ao "odeio música pop" - Do It Again. Acredito ser meritoso um artista conseguir soar mais pop sem que isso signifique perda de qualidade. E talvez por isso alguns críticos tenham torcido o nariz para o álbum por conta da maldita síndrome de underground. Outra faixa que merece ser mencionada é "Modern Midinight Conversation" que tem uns samples que me fizeram voltar para o começo dos anos 80, quando eu ouvia Manchete FM e tentava imitar o povo dançando break na novela "Partido Alto". Ok, não era em Manchester.

Aqui o clipe da timberlakeana "Do It Again" com um "q" de Push the tempo do Fatboy Slim:




2- Não preciso mais falar do "Cansei". O comentário no post anterior do Rodrigo e essa notícia são sufcientes. Apesar do tiozinho ser mais um daqueles loucos chavistas que acham a Venezuela "modelo de socialismo", os gongos dele em gente tão variadamente absurda como Hebe, Ivete Sangallo, Agnaldo "do Cacique" Rayol, João Dória Jr e o próprio presidente da OAB - o mesmo que defende o casal Hernandez da Rensacer- são maravilhosos.

3- Por que a novela das 7 é chata?

a) Por que a Priscila Fantin é péssima atriz, caricata e chata?
b) Porque o Gianecchini não convence como taxista?
c) Porque o Walcyr Carrasco insiste em ser didático ao apresentar os 7 pecados.
d) Por que tem Cláudia Raia no eterno papel de travesti?
e) Por que insiste com Mel Lisboa como "femme fatale" (e acho que a menina tem talento).
f) Por que tenta me convencer que vou pegar um táxi em Sampa com o Max Fercondini com um bigode nada a ver?
g) Por que Giovana Antonelli se encontra insossa e apagada, bem diferente da novela que reprisa depois do Video Show?
h) Por que desenterrou o Juan Alba ao invés de deixá-lo perdido pelas Records da vida?
i) Por que o excelente -e gostoso- ator Aílton Graça parece-me engessado no papel do Barão?
j) Por que tem a Claudia Gimenez como a eterna gorda-engraçada-do bem fazendo dupla com a anja biba de Niterói? Saudades de Edileuza.

Todavia, tem alguns pontos interessantes, incluindo Gabriela Duarte -sim, ela mesma, a Maria Eduarda chatíssima do Maneco- fazendo um papel interessante, embora clichezento como a professora bacana que vai mudar os marginais do colégio e com boa interação com Marcelo Novaes.

A novela das 6 não existe, portando dispensa comentários.

4- Ouvi também o álbum Idealism, do Digitalism. É um álbum legal, bem feito e tudo e tal. Só não compreendo esse hype todo em torno do Digitalism e essa coisa do "vem ou não vem tocar no Tim Festival". Aliás se é uma coisa que me dá nojo é esse Tim Festival: aparecem os hypes de ocasião, blogs e fotologs de bichas desesperadas comentando que foram no show de fulano de tal para se sentir "in" mesmo sem saber sequer onde fica a Península Nórdica ou a Jutilândia - local de onde aparecem muitos dos hypes/indies atuais - e aquela invasão de gente aqui na Marina da Glória que aflora o meu instinto parisiense wannabe que detesta um batalhão de gente de fora na "minha área".

5- E os morangos da feira aqui perto - devem ser de Atibaia, como diz a Dona Edith - são melhores porque não estão mofados, pode comê-los sem açúcar o que agrada muito este ser gordo que escreve esse post rabugento e azedo, como os morangos.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Rascunho

Temas para posts futuros:

1- O último álbum do Chemical Brothers
2- Porque cansei do "Cansei" ( idéia tirada do blog do Marko)
3- Porque a novela das 7 é chata e a das 6 não existe
4 - Por que o hype em torno do "Digitalism"?
5- As razões filosóficas, existencias e sócio culturais em uma perspectiva psicodinâmica que levam a crer porque os morangos da feira do Catete são os melhores do bairro.

E outras coisitas mais...

domingo, 12 de agosto de 2007

After all



Vou mencionar aqui neste blog a minha dupla favorita. Sim, são os Pet Shop Boys. Em 2005 Neil Tennant e Chris Lowe se juntaram ao compositor alemão, criado em Dresden, Torsten Rasch e a Dresdner Sinfoniker para fazerem uma nova trilha para o filme clássico "O Encouraçado Potemkin" (1925) do russo Sergei Eisenstein. Rasch já tinha feito um álbum chamado Mein Herz Brennt (Meu Coração Queima) baseado na música da banda de rock alemã Rammstein.

O desejo do diretor russo era que a sua obra ganhasse uma trilha sonora a cada década. Não estou certo de que a promessa foi cumprida mas é fato que o duo inglês fez jus à obra de Eisenstein. Eles fizeram uma obra-prima que parece, de um ponto de vista conceitual, a continuação do que eles fizeram em "Left to My Own Devices" do álbum Introspective (1988). As músicas são belíssimas, acompanham o rítmo da trama e a despeito do quão "moderna" possa parecer a música eletrônica (algo que se iniciou desde os tempos em que o filme foi lançado, ou seja, antigo) e puristas de plantão possam torcer o nariz, as músicas são belíssimas e trazem na medida exata as emoções que o filme passa. O destaque fica para "After All", que acompanha a cena da clássica e imortalizada "escadaria de Odessa". Quem estiver a fim de ver e talvez chorar o tanto que eu já chorei com essa cena, é só conferir aqui:



Podem ter alguns outros que torcerão o nariz pelo fato do filme ter sido propaganda Stanilista. Sim, ele foi. Mas quem observa o filme só por essa matiz ou é extremamente preconceituoso, ou só enxergou o que está na superfície ou as duas coisas juntas. O filme é uma obra de arte, e tal como o próprio Tennant observou, em princípio ele achou que eo filme ra só propaganda comunista, no que Lowe retrucou afirmando que o filme sobre um ideal, um ideal de revolução. A história da trama se passa em 1905, ainda na época que o historiador Eric Hobsbawn chama de "a era das revoluções" que se encerra em 1917, que começa a chamada "era dos extremos".

E talvez eu tenha me emocionado tanto com o filme, com a trilha (seja a original ou a de 2005) entre tantas coisas seja mesmo aquela minha característica da qual já fui acusado algumas vezes: caretice. Tudo isso porque ainda acredito naquela coisa, tão demodê desde o último século, chamada liberdade.

Segue abaixo a minha tradução para "After all", faixa do álbum que ilustra bem toda a idéia:



Se você realmente não entendeu as regras
Se você sequer conhece os resultados
Então como nós estamos em guerra?

As pessoas estão vivendo agora
dentro de suas lembranças
Até que ponto nós todos acreditamos
e como nós nos iludimos?
O tempo corre
estamos todos começando a morrer
apesar de tudo

Se você realmente não entendeu a causa
Se você sequer parou para pensar
Então como nós estamos em guerra?

As pessoas estão caindo
se tornando lembranças
Algum dia todos nós seremos lamentados
tarde demais para sermos aliviados
o tempo corre
todos nós começamos a morrer
apesar de tudo.

Eu sei que vai chegar a hora
Apenas espere e veja
A mudança não é obstáculo
nós podemos concordar que
o paraíso é possível
apesar de tudo

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A "volta" da violência depois do Pan

Da série como a mídia fluminense mente: está em todos os jornais - e na Rede Bobo - que depois do Pan voltaram os conflitos nas favelas. Que a violência "voltou" depois que o esquema de segurança do Pan foi embora. Será?

Bem, andei pelas ruas nos dias do Pan e não notei a menor diferença. O meu lado "direita" ficou na esperança do que o povo pseudo-esquerda anunciou: iriam fazer um "faxinão" nas ruas e a molecada- que carinhosamente chamo de "mini-Elzas" - sera levada para os Padres Severinos (a versão fluminense de FEBEM) da vida. Pois bem, tentei ir no banco outro dia e as mesmas mini-elzas de sempre estavam na porta. Cadê o faxinão prometido?

Então tá, acabou o Pan e fica aquele espaço vazio no jornal. E tal como cantor decadente, vamos promover a "volta" de alguma coisa que na realidade sempre esteve presente e nunca saiu.

Em tempo: a favela próxima a outrora Vila Olímpica, ao que parece, será finalmente removida. Sobre essa "volta" da violência, o destaque foi pouco.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Dogma


Um dos males deste neurótico obsessivo: ausência de síntese. Prolixidade é meu nome muitas vezes. E já que neurose obsessiva tem relação com a fase anal, imaginemos aquele cidadão doido pra defecar , mas segura até o último momento para poder descarregar tudo no vaso depois. E daí vem um prazer intenso. Ou então aquele camara que junta dinheiro e não abre a mão nem para dizer tchau. Ou ainda, aquela pessoa que pega a garrafa de guaraná quase no fim, mas não a esvazia e deixa um pouco, um resto ridículo na geladeira para jurar a si mesma que o guaraná não acabou. Pois é, este é o maravilhoso mundo da Nobs. Qualquer dia desses voltarei a falar nela, tema recorrente por aqui.

Todavia, o que o cu tem a ver com as calças (literalmente)? Tal como o cidadão do meu primeiro exemplo passei os dias segurando os assuntos para por aqui neste blog e são inúmeros e claro, vai torrar a paciência de quem raramente se dá ao trabalho de ler minhas bobagens por aqui. Hoje comentarei um filme que vi na semana passada ao zapear por um acaso os canais da rede Telecine. Refiro-me a Dogma (1999) de Kevin Smith, que no filme também encarna a personagem "Silent Bob".

Antes - para reforçar a minha prolixidade - tenho que retomar à época de lançamento do filme. Eu estava no quinto ou sexto perído de faculdade. Do meu lado aqueles resquícios de adolescentes e gente que adorava falar mal da igreja católica - em cursos de ciências humanas e quando se tem menos de 25 anos isso pode soar cool- coisa que me incomodava não por ser católico, mas pelo fato de muitos críticos de tal instituição terem preconceitos e uma visão de mundo tão fechada que deixaria ruborizado até mesmo um membro da Opus Dei. Entretanto, como diria Irmã Selma "enfim, Deus sabe o que faz". E como se não bastasse Alanis Morissette era queridinha por algumas meninas chatas que achavam que ser sapatona e fumar maconha eram as coisas mais revolucionárias do mundo.

E dentro desse contexto eu torci o nariz para o filme na época por achar que era hype demais e se basear numa fórmula fácil: criticar a Igreja católica para parecer contestador. Wow! E caiu no gosto classe-mérdia ao qual me referi. Também não tiro a responsabilidade da própria Igreja que cria tanta celeuma que promove tanto exemplos ruins quanto bons, como o ocorrido com a escola de samba Beija-Flor no histórico "Ratos e Urubus, rasguem a minha fantasia" de 1999, por conta do uso de uma alegoria do Cristo Redentor na Sapucaí.

Sete anos depois, com quase 30, cá eu escrevendo a respeito do filme e dizer que ele é ótimo, além de divertidíssimo. Diferente da frase daquele pretensioso diretor francês que diz "o tempo destrói tudo", na realidade o tempo construiu ou ao menos permitiu que eu visse o filme sem a encheção de saco da época e, de fato, destruiu a minha resistência.

Em princípio o filme poderia parecer também uma espécie de propaganda protestante. Nele há um escárnio bem feito com elementos da Igreja Católica em especial com a Renovação Carismática - em alta antes da Dona Benta assumir o trono de Pedro - que tenta dar um ar "moderno". Aliás, ao lado de evangélicos neo-pentecostais, os carismáticos estão na lista da minha sombra interna, aquela que se dominasse o mundo criaria uma filosofia de vida, restauraria a inquisição e colocaria essa galera na fogueira...mas enfim, é a sombra, o lado cruel de cada um de nós.

Outro lado bacana do filme é que dá para aturar o Chris Rock e o Ben Affleck. Você se esquece de que são eles no filme, sem falar na piada bem sacada sobre o apóstolo negro que é esquecido das Escrituras. Alanis no papel de Deus também fica ótima, uma vez que ela não canta, a exemplo de Courtney Love que também não canta em "O povo contra Larry Flint". Ainda sobre o elenco, vale a pena ver Alan Rickman no papel de anjo e Salma Hayek como musa...eles estão ótimos.

E o filme por fim consegue ser uma comédia divertidíssima, com roteiro bem estruturado e piadas bem sacadas- o diálogo da personagem de Affleck com a freira no começo do filme exemplifica isso- sem cair em um discurso panfletário e, ao mesmo tempo, faz refletir, sem parecer como uma palestra chata, sobre algo que nos permeia talvez desde que se inventou esse troço chamado "civilização" que é a fé, as certezas, os dogmas, uma verdade absoluta em detrimento das idéias, do pensamento, do diálogo e do questionamento. Creio - verbo complicado, eu sei - que esses temas nunca perderão sua atualidade.

A frase do escritor, ex-pastor protestante, psicanalista, teólogo, etc Rubem Alves resume bem o que eu disse nesse post, desde o princípio: "parte de nossa neurose é o desejo onipotente de ter os nossos bolsos cheios de verdades e certezas". Como aquela garrafa de guaraná na geladeira, ou o intestino, que não se esvaziam.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

"Se ele é toiço, sou toiço"*



Já saiu em tudo quanto é blog, mas em se tratando de um blog de um "toiço"- termo criado por Ennio para chamar os mais gordos - em fase militante, não pude deixar passar isso em branco.

Estou falando deste rapaz da foto, Orlando Buquet, de 27 anos, 1,69m de altura e 110quilos (o mesmo que eu, sendo que sou 14 centímetros mais alto que ele) e jogador de andebol pelo Uruguai.

Ao que consta ele foi sensação no jogo, despertando até ciúmes de alguns jogadores brasileiros - que venceram os uruguaios por 28 a 16 - pois a torcida ficou fã do toiço gritando "Orlando, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!"

Algo me diz que tinha gente das "Toiças" - esse Toiças com T maiúsculo é um dialeto pejorativo restrito- na arquibancada e a imprensa jurando que era só uma brincadeira da torcida feminina.

E para as "amigas" xêizas - magros que tem tesão exclusivo em gordos - e Edmaras, que não dispensam alguem de IMC acima de 25 - meu caso- segue outra foto do moço:


* esse título é uma paródia feita pelos meus queridos Cramus e Bruno para o hit do Mc Leozinho "Se ela dança, eu danço".

Essa gente careta e covarde

Eu acho desagradável ter que comentar sobre o maior acidente da história da aviação brasileira. Colocar em palavras o que não pode ser dito: aquele afeto intenso que tem uma representação forte que se chama a dor. E esse deveria ser.

Todavia, como afetos podem ter "n" representações, uma delas me chamou a atenção para escrever esse texto. Aliás, foram várias, em especial o aproveitamento político da situação a despeito da dor das famílias. Não que isso fosse impedimento para políticos, imprensa, sociedade civil e o escambáu gritar contra essa bagunça em que se encontra a nossa aviação, trazendo para a parte Bélgica da Belíndia o que somente a parte Índia está habituada e sofre em questões de segurança, saúde, educação, etc. Não quero fazer deste um discurso panfletário de quinta até porque a morte, nos iguala.



Falando nas representações, uma delas é o aproveitamento político. Já estou imaginando gente do naipe do senador Arthur Virgílio correndo para as câmeras do Jornal Nacional e disparar a demagogia habitual contra o governo...ele e seus companheiros de bancada. Por outro vejo gente como Tarso Genro defendendo com unhas e dentes um governo que, nesse quesito, não pode ser defendido. Eles aparecem e obnulam a dor, a indignação. a tragédia...e do trágico tem-se uma sádica comédia às custas do povo.

E tem também a dona Lúcia Hippolito- uma das famigeradas "meninas do Jô"- mais preocupada em falar se o acidente arranha ou não a imagem do presidente. Afinal, o que deveria desgastar um presidente? Uma fatalidade? Ou a situação que se encontra o país em todos os sentidos? Ou os dois? Ficam aqui minhas indagações.

Pra coroar isso, o sr Marco Aurélio Garcia- flagrado pela Globo que não deixaria barato- e seu asessor de imprensa fazem gestos significativos sobre toda a situação. Mais preocupados com a situação do governo, agem como torcedores de futebol -eles deveriam estar no Pan e não no Planalto- no qual simulam em gestuais o que Cris Nicolotti coloca no seu hit internético. Vendo isso percebemos que o cu- órgão excretório-sexual para homens e mulheres-, tal como a morte, nos iguala. Enquanto os dois senhores comemoram esse "estupro simbólico" da entrevista do vice-presidente da TAM, podemos dizer que esses estão vivos mas, e as pessoas que perderam seus parentes? Termino com os versos de Cazuza "somos todos iguais em desgraça, vamos cantar o blues da piedade pra essa gente careta e covarde". Pra eles ainda lhes restam isso, para as famílias só a dor, a revolta e a indignação com tudo isso.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Manias estranhas

Uma delas é a minha síndrome de trilha sonora. Por exemplo, quando um filme ou uma novela tem uma música "x" pra uma determinada personagem, essa música ganha versões diferentes ao longo da trama, até para mostrar o estado de espírito dela "e tudo e tal".

Bem, às vezes quando estou vidrado em uma música eu começo a imaginá-la em ritmos diferentes, andamentos diferentes, ou até mesmo pensar na música sem os vocais (algo muito comum).

Isso me lembra uma vizinha que fazia caras e bocas quando tocava uma música da novela, em especial românticas, tais como as da personagem na tela. Todavia, ainda não cheguei a esse ponto.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Enchendo lingüiça

Testes que colocamos no blog, quando aparentemente falta assunto

You Are 32% Capitalist, 68% Socialist

You tend to be quite wary of businesses, especially big business.
While you know that corporations have their place, you tend to support small, locally owned shops.
As far as the rich go, you think they're usually corrupt and immoral.


Uma curiosidade: o teste tem padrão dos países mais ricos, de economias liberais ou mesmo aqueles que passaram pelo Welfare State. Responder a muitas dessas perguntas como brasileiro, onde do ponto de vista sócio-econômico ainda estamos mais pro engenho canavieiro do que mundo globalizado algumas coisas mudam de sentido.

Agora, o assunto preferido de (quase) todos:

Your Lust Quotient: 75%

You are a very lustful person - and it sometimes gets the better of you!
You know how to hold back, but you hardly ever do.


Tá...nenhuma novidade.

E finalizando....

Your Taste in Music:

80's Pop: Highest Influence
80's Alternative: High Influence
80's R&B: Medium Influence
Punk: Medium Influence
90's Alternative: Low Influence


Por enquanto é somente isso.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Enquanto rola a novela


Só pra dizer que se a personagem Alice é chata, nojenta etc e tal tenho que dizer que a sua intérprete, Guilhermina Guinle, é péssima atriz e o que se vê é um resto não reciclável de Odete Roitman. Até Camila Pitanga, que não é lá grande coisa, mas está perfeita na novela, dá um banho nela. Isso sem falar em atores realmente talentosos como Edwin Luisi e Wagner Moura- que deu um upgrade daqueles com seu personagem, que eu critiquei no início- que são obrigados a contracenar com a moça. Ela tem sobrenome, mas o talento está mais falido que o falecido Jorginho.

domingo, 8 de julho de 2007

Put your hands for Detroit

Nada a ver com o techno clássico da "cidade dos motores" mas vale uma olhada: pela incrível semelhança musical e do clipe Satisfaction do Benny Benassi (movimentos mecânicos e calcinhas) e pelos dois terem sido devidamente selecionados pelo pessoal do Pânico, este no quadro "Homem Aranha Gay". Eis então o DJ holandês Fedde Le Grand.


sábado, 7 de julho de 2007

Quando eu estou aqui...


O tratamento para TOC a que Roberto Carlos tem feito, sinceramente, não tem surtido efeito algum. O que vemos ai é essa figura triste, enjoada, animador de velha que juntou um qualquer na poupança e se joga nesses cruzeiros e por aí vai. Pena que a fama veja isso como "excentricidade".

Agora ele manda ver na censura a Paulo Cesar de Araújo - autor do excelente "eu não sou cachorro não" - e mandou barrar uma biografia dizendo que a biografia "invade sua privacidade e ele está dentro da lei". Se ele realmente quiser usar a lei basta usar o velho e bom processo contra calúnia que aí sim a tal biografia estaria fazendo isso...tenho que dizer em desabafo: Robertão, você é uma figura ruidícula. Aliás quem falou isso foi o cara que morreu há pouco tempo de quem ele plagiou uma música para fazer "O Careta" e ele insistiu neuroticamente na justiça contra o cara, uma vez que ele se muniu de advogados e claro, da sua patroa que lhe garante um especial em todo natal.

Ironicamente Paulo Cesar de Araújo se torna a atração principal da FLIP, meca de intelectualóides a quem ele detona de maneira sábia e coerente em seu outro livro aqui citado. Aquele povo que acha que tradição e coisa popular é samba do Cartola, mas acha Tati Quebra Barraco uma negona feia, pobre e sem noção.

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1) Não sei quem é mais idiota: o americano que escreveu "welcome to Congo", o Cesar Maia, o jornal "O Globo" ou o idiota que escreveu essa matéria para o UOL. Eu não queria ser ditador, sinceramente. Queria ser chefe da Igreja, volta à Idade Média e montar uma fogueira no Maracanã e queimá-los todos.

2) Afinal de contas a personagem de Jonathan Haagensen em Paraíso Tropical é viado ou não é? Ou será que no fim da novela ele vai virar bandido pra fazer jus ao rol de clichê de personagens que ele tem feito até agora?

3) O Cristo ganhou! Apesar do Alemão - gente, com 1 milhão por que ele não arruma os dentes? - e do João Paulo Cuenca, jornalista que reúne características uós do carioca: é contra o Cristo, é pró-Lapa, acha Copacabana o máximo, repetindo o clichê da suposta democracia que ela representa, acha Caetano Maravilhoso e o show do disco "Cê" antológico e escreve pro Globo. Gilberto, arruma uma vaga pros dois no Copamar!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Sobre a agressão a Sirlei de Carvalho

As duas maiores cidades do Brasil tiveram em suas manchetes (no caso carioca, não na edição de hoje de "O Globo, não por um acaso) dois casos de agressão: o garçom morto nos Jardins e cá em São Sebastião, a agressão a empregada doméstica Sirlei de Carvalho na Barra da Tijuca por 5 bandidos, chamados nos jornais de "rapazes" - uma vez que eles não moram na Rocinha. Enfim, essa notícia é auto-explicativa...publicada no jornal "O Dia", que é mais "povão" e já usa para a adjetivação "pitiboy". Vejamos:



"Pai de pitboy diz que filho não merece prisão

Polícia prendeu ontem os dois últimos acusados de espancar a doméstica. Agora, os cinco dividem a mesma cela, na 16ª DP


Rio - A polícia já tem presos os cinco jovens de classe média alta, acusados de roubar e agredir a empregada doméstica Sirlei de Carvalho, 32 anos, sábado de madrugada, na Barra da Tijuca. Durante o dia, após denúncia anônima, os policiais capturaram o estudante de Direito Rubens Arruda, 19, localizado na casa de um amigo, na Ilha do Governador, para onde fugiu após o crime. O rapaz, cujo nome não foi revelado, será indiciado por dar cobertura ao foragido.

No final da noite, o último acusado, Rodrigo Baçalo, 21, decidiu entregar-se na 16ª DP (Barra). Estudante de Turismo, Rodrigo apresentou-se de capuz e acompanhado de três advogados e não quis dar declarações.

De acordo com o delegado titular da 16ª DP, Carlos Augusto, os cinco pitboys acusados agora vão dividir a mesma cela, de cerca de dois metros de comprimento por 1,5 metro de largura, sem camas ou colchonetes.

Os rapazes serão transferidos para a Polinter. Situação que o pai de Rubens, o empresário Ludovico Ramalho, 47, rejeita: “Não queremos que eles dividam celas com bandidos perigosos na Polinter. Eles cometeram erro? Cometeram. Mas não vai ser justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham.”

O pai do estudante diz que as drogas podem explicar o comportamento do filho: “Nós pais não temos culpa disso”. O padrasto do estudante de Administração Felippe de Macedo Nery Neto, 20, também esteve na delegacia. Contou que o jovem toma calmantes para controlar Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.

Felippe, único a depor até agora, provocou os policiais e sugeriu que o ataque ficará impune. “Vamos ver se isso vai ficar assim, minha família não é qualquer uma”. disse o jovem ao delegado. Felippe mora na cobertura de luxuoso prédio na Barra. Advogado do estudante pediu relaxamento da prisão, o que foi negado."



Acho que com essa notícia e as declarações contidas nela, as minhas análises ou coisas do tipo são desnecessárias. Os fatos falam por si só.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Inversão Térmica

Esses dias paulistanos talvez tenham sido os mais tranqüilos para mim entre todas as minhas expedições de bandeirante (???) carioca. E entre todos são os mais paulistanos de fato, pois desta vez não saí da “capitar”.

A Parada Gay não foi com a mesma animação de outros tempos talvez, mas valeu muito de, além da companhia do Luis, da presença do Renato junto com a gente. Bem mais bacana queimar o estresse de uma briga com a namorada na Paulista em dia de alegria do que ficar no canto da parede ouvindo Roberta Miranda – embora às vezes seja necessário, não especificamente com a Roberta. As fotos eu pus no meu flickr, aquele trequinho azul que fica no canto direito deste blog com umas imagens em thumbnail.

O dia dos namorados foi bacana, embora eu sempre tenha torcido um pouco o nariz para essa data que sempre acusei de ser “comércio puro” e entre outros clichês de quem está solteiro. É mais ou menos parecido com os dos “revoltados de Natal” que em especial tem uma família uó – e quem não tem? – e espragueja a data porque sempre se lembra da briga da tia Celestina com a vovó e coisas do tipo. Ok...Confesso que esse ano foi bem lega e – graças a uma dica do Bruno, irmão taurino- terminei o dia de uma forma muito especial.

Apesar do clima seco e da poluição comer solto por aqui nunca achei este céu tão bonito. Esperava dias frios, mas o que encontrei por aqui foi justamente o contrário. Também não está aquele calor absurdo...enfim, talvez a forma como eu me sinto aqui esteja mais ou menos parecido com o clima da cidade durante esses dias.

Diz a lenda que estou de frente para a casa do Lombardi do Silvio Santos...será? Vou acordar mais cedo e espiar pela janela.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Pílulas


1) Só a "Veja" não sabia o que a biologia tem dito desde o Genoma e afins: raça não existe. Ok, o lance dos gêmeos da UnB foi de fato um absurdo...um ser declarado negro e outro branco. Ao mesmo tempo vale lembrar que social (e psicologicamente) se raça não existisse o racismo também seria inexistente, coisa que não é a verdade. E não é o sistema de cotas que vai acabar com isso.

2) Nesse escândalo envolvendo Renan Calheiros - mais uma vítima da praga do Collor? - duas coisas podem ser pensadas. A primeira é que se a imprensa der um ataque de TFP e ficar frisando a relação extra-conjugal do cara ao invés do tal dinheiro desviado via Mendes Junior, vai acontecer algo parecido com o Bill Clinton e Monica Lewinsk. Na época o casal Clinton era investigado por corrupção e no fim encheu-se tanto o saco com o tal boquete - sem trocadilhos - que a corrupção ficou de lado. Hoje a dona Hilária é pré-candidata com chances para a Casa Branca. Segunda coisa é que a jornalista ficará com uma gorda pensão e a esposa, no melhor estilo "eu entendo", continuará casada com um senador e se rolar uma separação, grana gorda vai rolar. Seja da Mendes Junior ou não.

3) Posso ser sincero? O fim dos Los Hermanos me felicita mais que o fim de Sandy e Junior. Pronto, falei.

4) Quanto mais vejo o meu comportamento, e o dos outros, lembro-me da máxima freudiana "o neurótico não se lembra, ele repete".

5) Momento "fiscal do Sarney": constatar a diferença de R$ 6 reais no KY. Com o dinheiro da diferença poderia comprar-se 3 pacotinhos do preservativo Jontex. Vou me candidatar para ser "fiscais do lar" das Sendas em uma versão "saúde sexual e reprodutiva". Aliás, não é essa a minha área?

6) Na internet a diferença é ainda maior

7) Em Feira de Santana (BA) o juizado de menores teve que, na marra, internar uma menina com anorexia. A mãe ficou puta com a decisão e em sua alegação dizia que estava esperando o cartão do convênio chegar e não queria a filha no hospital público. Ok, hospitais públicos neste país são de amargar, mas penso... em um momento extremo a mãe estava preocupada com a saúde da filha ou com uma certa vaidade? Será que a vaidade era mesmo da filha que queria ser modelo, ou no fundo ela não captou, de forma perversa, o desejo dessa mãe vaidosa? Para se pensar.

8) Muita gente comparou o tal Zuleido Veras, o da máfia dos bingos preso na operação Furacão da PF com o Charles Bronson. Brasileiro com mania de pegar modelos gringos né? Ninguém percebeu que o homem é a cara do Mazzaroppi?












9) Pra encerrar na semana da Parada Gay de SP, vai rolar uma festinha "alternativa" a Ursound. Chama se Woof. Como diz o pessoal do Urso Manco: "woof de cu é rola!". Mas vai aqui uma descrição do site que merece ser lida:


Woof! Saudações amigo urso!

Finalmente em São Paulo uma festa para o público urso espelhada nos padrões internacionais.

A propostada festa Woof Pride 2007 é divertir e confraternizar os bears e seus admiradores que estarão a solta na época da parada, oferecendo um ambiente focado no fetichismo hipermasculino que esse povo tanto gosta.

Para isso os produtores estão combinando um conjunto de atrações inspiradas nas festas bears internacionais como Lazy Bear, Bear Mex e Bearcelona entre outras.

O som do lugar vai misturar o divertido set 80 e 90 do DJ Mauro Borges e a dupla de DJs Achiles e Garrido, numa levada eletro que lembra a do badalado argentino DJ Bear.

A festa também inaugura atitudes inéditas na noite de São Paulo. A primeira é o Dress Code que dá direito a desconto. A idéia é fazer a ursarada e admiradores voltarem as origens e assumirem os estereótipos masculinos. Quem for vestido de trabalhador braçal, caminhoneiro, lenhador, policial ou usar acessórios (arreios com braceletes e munhequeiras) ou peças (jaquetas, camisas, calças) de couro, além de ajudar a criar o clima, paga menos. Bem menos.

Outra novidsde é a animação da festa feita por Gogo Dancers saídos diretamente do imaginário Bear. Batizados de Gogo Bears, no estilo "Carga Pesada" eles dançam agitando a galera.

Performers Bear Leathers farão um pocket show pra sacudir a libido da galera e eriçar seus pelos!


E ficam as observações:

1- O que é hipermasculino?

2- Dá vontade de ir vestido de Prahbu Deva

3- Ou fazer como a sugestão do Matias: ir vestido de Ana Carolina...não é para ter fetiches com caminhoneiros? Deve ser mais IN do que o estilo Antônio Fagundes/Stênio Garcia.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Lapa, não!

Pessoas aglomeram-se em fila para compra de ingressos do show de Chico Buarque no Circo Voador, no centro do Rio de Janeiro


1) Gosto do Chico;
2) O último àlbum dele é chato;
3) Dá pra ir a pé até o local da foto;
4) Na minha infância ele dava show do "Forró Forrado" do Catete...e com programa na "Grobo".

Mas esse mico eu não pago.

Pronto, falei!

sábado, 26 de maio de 2007

Raiva

De acordo com o Dicionário Michaelis, os significados da palavra rancor são:



rancor

1. • sm (lat rancore) Ódio inveterado, oculto, profundo.
2. Grande aversão não manifestada; antipatia.
3. Ressentimento.
4. Ira secreta, malquerer.




Sou um homem rancoroso. Aliás, MUITO rancoroso. Talvez seja essa uma das mais importantes percepções da minha vida (quase) adulta. Tenho a incrível capacidade de guardar raiva quando algúem me faz alguma coisa que considero ruim. Tudo isso talvez em nome de uma aparência do bom-mocismo, do compreensivo, do cara legal. Máscara essa que pode ser a minha ruína também. "E para que sustentar essa máscara?", perguntava a minha analista.

Hoje mesmo um rapaz que mal conheço teve uma atitude extremamente arrogante para cima de mim. Claro que por mais que nós tentemos esconder a raiva ou o desapontamento ela aparece de alguma forma. O rapaz em questão teve a inteligência de sacar isso pela minha resposta e automaticamente me pediu desculpas. A partir daí começou todo uma discussão sobre o tema que motiva agora esse texto. Todavia nem sempre eu deveria contar com o bom senso de meus interlocutores e afinal, para que serve a raiva?

Outro dia um outro Alguém - esse Alguém com A maiúsculo mesmo, porque merece - teve uma atitude igualmente arrogante comigo e justificou a sua resposta por ter agido assim: "se sou arrogante até com minha irmã que eu amo muito por que eu não seria com você?". Minha vontade não dita talvez fosse dizer: foda-se a sua relação com sua irmã, isso é problema seu e dela. Claro que isso não ficou barato e daí veio o meu lado mais ameaçador que disse: se vier com arrogância pro meu lado vai ter revide. E eu me conheço bem, quando estou a fim de revidar a coisa fica feia, exatamente por não saber medir o teor da raiva, justamente ela que fica ali guardadinha. Talvez ela seja uma das coisas que meus olhos distantes escondem.

Talvez por isso eu goste tanto dos enredos que envolvem o "duplo": o Horla de Guy de Maupassant, "O Médico e o Monstro" de Stevenson, "O espelho" de Machado de Assis. Isso vale também para as telenovelas como "Mulheres de Areia" da Ivani Ribeiro ou das gêmeas Paula e Taís da novela atual do Gilberto Braga. Até mesmo a trasheira de "A Usurpadora" tinha algo bacana em função disso, mesmo que feito de uma forma muito caricata.

Será que a educação católica foi tão absorvida por mim para pensar/agir desta forma?

E dentre os tantos pares de opostos que surgem em nossas vidas existe o da Assertividade e o da Agressividade, ambos regidos por este sentimento chamado raiva. Se bem que assertividade envolve outras questões, como a da própria motivação em si..enfim. O fato é que a forma como a raiva pode-se manifestar pode-se dar de formas diferentes, sem no entanto precisar camuflá-las como eu faço.

Por outro lado existem pessoas partidárias do "eu não sou grosseiro, eu sou sincero". Eu tenho uma raiva profunda por esse tipo de afirmação, pois ela parece uma garantia travestida de sinceridade, para você ser estúpido com quem quer que seja, mesmo por razões completamente injustificáveis. Aliás, algumas pessoas que passaram pela minha vida e que são apreciadoras desse tipo de filosofia já se mostraram com comportamentos bem diferentes do que prega este credo. Ou seja, depois de se manifestarem de tal forma aparentemente sincera comigo e questionadas por mim por ter agido assim, preferiram ficar mudas. Me pergunto, cadê a sinceridade? É a velha diferença que nós psicólogos insistimos entre atitude (o seu posicionamento perante uma coisa) e comportamento (o que você faz de fato), atualizada para um contexto em que o próprio ego vale mais, desde que não seja questionada. Talvez seja ai- pelo questionamento - que a minha raiva encontra um caminho.

Uma raiva guarda talvez junte duas coisas..o prazer e a morte. A morte por ser um processo autodestrutivo. Prazer pelo fato de evitar a dor, o conflito real de ter que lidar com determinada situação, justamente porque ela causará desagrado.

Nesse ponto penso nas imagens de Vênus (o feminino, a sedução, a manipulação por vezes) e Marte ( masculino, raiva, guerra). Ou no par de opostos que norteia a nós todos: o pênis, órgão visível, que mete, que "machuca", que auto-afirma o masculino e que ao mesmo tempo é extremamente vulnerável, o viagra não me deixa mentir e a vagina, secreta, escondida, a que é "metida" e que por outro lado pode esconder uma força tamanha e sem falar no temor da castração e o misterio envolvido com ela. E quando menciono essas duas representações creio que elas está presente em todos nós, independentemente de sexo ou mesmo orientação sexual, como muitos podem supor. Pensei no meu rancor como forma de lidar exatamente com essa raiva escondida em nome da manipulação e da sedução que ostentam a minha máscara pessoal...aquela do "para que" indagada pela analista. Neuróticos-obsessivos têm uma necessidade patológica de ter o controle de tudo...talvez até da própria raiva. Mais ou menos como aquele resto de suco ou de água que deixamos na garrafa da geladeira para dizer que não dei conta de tudo, que não terminei com tudo, não fui um malfeitor que não pensou nos outros e que só viu a si mesmo.

"Vênus e Marte" ( Boticelli)

Saindo da viagem mitológica e pensando no assunto. Muitas vezes apelo para o tempo- senhor da razão- para deixar que as coisas se acertem. Já deu certo algumas vezes. Em outras o tempo avisa pra mim que não vai deixar espaço pro meu comodismo e que, sim, terei que lidar com aquele fato de frente, encarar os fatos sem escamotear o que sente. E isso dói.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Tudo é número

Ontem eu abro o jornal e vejo as dietas, ou melhor, as medidas dos médicos da moda especializados em dieta. Seus hábitos, seus defeitos..e claro, tudo devidamente convertido em números: idade, altura, peso, cintura, porcentagem de gordura no corpo...aquele amontoado de dados que, para quem é gordo, é um desespero completo. Foi a hora de lembrar da máxima atribuída a Pitágoras que diz "tudo é número".

Tudo é convertido em número desde o dia que algum pastor perdido no Crescente Fértil - eu acho - resolveu usar as tais pedrinhas para contar ovelhas e daí a palavra: cálculo. Era a necessidade de sobrevivência do homem aprendendo a poucos passos a se fixar na terra... e para facilitar, um sistema decimal, graças ao fato de termos dez dedos nas mãos.

Dizem que a escrita é a passagem da pré-história para a história. Eu incluiria, talvez, o termo, linguagem. Números são linguagem e desde então são tão onipresentes quanto as palavras. Número de dias para criar o mundo, número de apóstolos, número da besta, o ano da Diáspora, o ano da Hégira, os Sete Pecados Capitais, o número de sacramentos - 7 no catolicismo, 2 no protestantismo- a vela de sete dias, "trago a pessoa amada em 3 dias" (adaptado aos tempos modernos da compensação do cheque).

Números, senhas de banco, cartão de crédito, identidade, CPF, "digite sua senha, senhor! ...o sistema caiu." Números e mais números por todos os lados. Nem mesmo a psicanálise ficou longe disso, pois via Lacan, estabeleceu-se um código binário 1 e 0. A impossibilidade de dois se tornarem um, como no mito do Banquete platônico (quem ignora isso recomendo ver Hedwig and the Angry inch) e por isso "a relação sexual não existe".

E inevitavelmente estão eles ai de novo, os números, alimentando a neurose nossa de cada dia. Dos números dos jornais, das medidas, o número de calorias, a porcentagem de carboidratos - na boca de gente que sequer se lembra da existência da tabela periódica, outro amontoado de números - as medidas, a cintura, o busto, a milimetragem de silicone. E para não deixar o texto tão sexista, o número fundamental da existência masculina - hetero e exacerbada na homo - o tamanho do pau- aquele camarada que de vez em quando cai, tal como o sistema da caixa no mercado - e seus substitutos: o preço do carro, o preço do óculos da marca tal, da blusa x, do casaco y. Blusas e casacos pude colocar em forma algébrica, por variáveis, mas os seus preços jamais. Tem que ser precisos e redondos.

...e assim caminha a humanidade! Talvez para o 0...o 0 uterino, o 0 nada de antes da criação, o 0 da morte. Enquanto isso não ocorre, vivamos na incerteza do infinito, um oito deitado matematicamente representado.

domingo, 13 de maio de 2007

Ovelhas no paraíso, os bons no inferno

Como pôde? Dona Benta no Brasil e eu não atualizei isso aqui. Não seja por isso, vou corrigir essa falta agora mesmo.

No meio de tudo isso a Dona Rede Globo fazendo o possível e o impossível para levantar a imagem de um papa totalmente sem carisma. Ter posições contrárias ao aborto, uso da camisinha, união civil de pessoas do mesmo sexo, isso faz parte do script do Vaticano. Quem espera algo diferente com um novo Papa pode acreditar em cegonha e em Papai Noel. Claro que o estresse com o Papa é que essa criatura não se restringe a dar suas orientações para os fiéis da sua Igreja, mas tenta se meter nas políticas públicas dos países, tentando recuperar o prestígio que ela tem perdido não agora, mas há quinhentos anos, desde o dia em que se descobriu que a Terra - leia-se, a Igreja- não era o centro do universo.

E hoje dona Fátima Bernardes no JN enfatizando que os católicos que viram um protesto em Aparcida "anti-Bento XVI" responderam de forma pacífica. Neste ponto me lembro da música do Cake que diz "Sheeps go to heaven, goods go to hell".

O mais engraçado disso foi o encontro do Papa no Ibirapuera. Minha amiga dizendo "aquilo lá era o encontro da juventude nazista"...e eu arrematei "nada, era aquecimento pra parada Gay". Era hilário ver os seminaristas dando pulinhos altamente pintosos e claro, um tipo clássico pra quem é católico praticante e sabe que existe " a biba-grupo jovem"... ou são magrelas pintosas ou aqueles toiços "tímidos"...clássico! Ah, minha amiga identificou umas sapas, mas o meu gaydar pra sapa é algo assim, digamos, precário.

No mais uma "bola dentro" do Luis Inácio ao falar pra Sua Santidade que o estado é laico. Ai, chega de noite, eu vendo o programa da Lúcia Leme na TVE aparece um padre dizendo que o estado laico não significa ser inimigo da religião e que o poder público poderia suprir o ensino religioso uma vez que os colégios confessionais, que são de livre escolha do pai ou da mãe que coloca a criança no colégio, em geral são caros. Nunca vi tanto cinismo junto. Os colégios católicos estão no top dos ranking em termos de qualidade de ensino e, claro, cobram uma nota preta dos seus "fiéis". Agora já que a Igreja se diz a favor da caridade, porque deveria ser o estado a fazer algo que é da obrigação dela? Estado não é instituição de caridade.

Isso sem falar na posição favorável do Papa na excomunhão de parlamentares pró-aborto. Isso na semana em que os salários deles foram rejustados escandalosamente. Isso não cabe excomunhão? Imagina!

E nesta semana uma sogra que matou a nora em Queimados, cidade da Baixada Fluminense, foi absolvida do crime. A alegação do advogado foi bíblica e os jurados - 5 dos 7 eram evangélicos - absolveram a criminosa sob a alegação de que a morta era uma mulher "destruídora de lares" e que a morte dela foi algo bom para a "moral e os bons costumes". Até o filho da ré ficou inconformado com a decisão que caberá recurso e a promotoria vai recorrer. Na verdade isso serve para pensarmos que, enquanto damos muita atenção pros xiliques da Dona Benta, nos esquecemos das coisas que acontecem em locais bem mais próximos que o Vaticano com decisões muito mais absurdas.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Sobre o amor e a fé

Aniversário do feriadão tem alguns lances engraçados e, ao mesmo tempo, a abundância de dias livres dá uma forte dose de preguiça. Em função disso optei por uma comemoração simples, a de sempre, o bolo da minha mãe, a presença de alguns primos e o inevitavel "parabéns pra você". De qualquer forma eu gosto de comemorar até porque é uma forma de marcar o ritual.

Pensei em fazer algo no sábado mas desisti na última hora. Algo me disse que era para ser assim e assim foi. Preferi ir domingo nas "toiças" com a Fabiana e o Bruno e foi bem divertido, pela companhia deles. Está certo que em plena véspera de feriado o evento terminou lá pela uma da manhã e a música tava um saco. Mas a presença deles e de um povo maluco de Sampa no fim da festa foi fundamental para garantir boas risadas. Aliás é interessante passar esse "pós" aniversário com uma das minhas amigas (se não a mais) antigas e com um amigo novo que foi uma das benesses, um dos meus motivos de agradecimento de 2006. Isso em um dia que tinha começado por um certo baixo astral em função da morte do meu melhor professor de história no Pedro II.

E não falo isso como aquelas homenagens póstumas clichezentas que santificam o morto. Até porque ele sempre foi querido pelos alunos, os mesmos que lotaram em número de 300 o cemitério do Caju na última quarta-feira.

Fiquei me lembrando de coisas engraçadas que ele dizia como por exemplo, chegar na cadeira do dentista que o ouvia aos prantos "pelo amor de Exu, o senhor não pode arrancar o meu dente." Até que um dia quando perguntaram sobre a religião dele ele dizia ser agnóstico. Aliás foi a primeira vez que ouvi essa palavra na minha vida.

E ontem na missa de sétimo dia foi inevitável pensar nisso...uma missa para alguém com tal postura diante de Deus. Talvez é uma forma de reconforto para família, um ritual, tal como o aniversário.

Durante a homilia o padre falava de que assim como a fé o amor era algo difícil...pensei na semelhança entre os dois. Amor, assim como a fé, é narcísico. Assim como a fé, muitas vezes deixamos por conta do outro. Amor-próprio não depende da fé em si mesmo? E cada um, ou cada grupo não apresenta a sua própria versão para os dois? E os dois não são manipuláveis de acordo com os caprichos humanos? E mais ainda, não são duas invenções criadas por uma coisa fundamental que é o nosso desemparo...desamparo neste universo e necessidade de se ligar a um ser maior ou a uma idéia maior (para as fés sem deuses). O desamparo do útero e a necessidade de se ligar ao outro....tesão, paixão. amor e todas essas coisas.

Enfim, dois rituais, um de vida, outro de morte, as duas grandes questões nossas passando pelo começo desse meu ano novo. Que isso me gere frutos tão bons quanto a minha família, os amigos que estiveram comigo, o professor que tive e tantas outras coisas.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Saindo do inferno...

O último post dos 28, já que oficialmente faltam 12 horas pra o calendário mudar a data. Esta tirinha sensacional dos "Malvados":



E aceitando o conselho do apóstolo para os próximos 29 anos, quando terei 58...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Escritos do inferno astral (3)

Um dos sonhos mais antigos que eu me lembro, creio que é um que era recorrente na minha infância e que comecei a ter aos 4 anos. Ele se passava na estação do metrô aqui da Glória mas a estação tinha outro nome: Mash (sim a marca da cueca e por extensão lembra a palavra "macho"). O metrô era diferente, parecia um foguete com uma ponta parecendo uma grande agulha (sim, era outro elemento fálico). Estava com meu pai só que eu ia na estação porque lá tinha uma farmácia e eu tinha que tomar uma injeção e eu chorava de medo...medo da injeção e do barulho que o trem fazia.

Se eu for me lembrar da minha primeira noção de desejo sexual vou voltar exatamente para essa idade. Neste mesmo período eu já ia para o Centro da cidade com o meu pai quando ele tinha que resolver algum assunto por lá. Lembro-me que era muito doloroso quando ele não me levava e, de fato, eu chorava horrores. Coisas de criança. Aliás era lá no Centro que eu ia na loja comprar roupas e via as caixas das cuecas e sim, já ficava tenso com as imagens.

Também nesta fase eu, no metrô, sempre era alertado sobre a faixa amarela, a qual eu não poderia ultrapassar para manter a minha segurança. Alertado pelo pai, lógico.

Hoje com quase 29 lembrei do que um amigo amado me fala sobre faixa amarela, um limite pessoal que o outro não pode ultrapassar, como uma forma de manter a própria identidade. E, porque não, a própria segurança de si, a sua vida, tal como eu menino lá na beira da plataforma do metrô.

Ontem, uma discussão sobre um simples download que eu fiz gerou essa reflexão sobre a faixa amarela...fiquei pensando em como o outro, muitas vezes apresenta um medo forte de baixar a guarda, de mostrar as suas fraquezas e impõe, como defesa, uma séria restrição. Mais que uma restrição, um desejo onipotente de querer me punir e depois me desculpar, aos moldes de um pai. Talvez cabe lembrar que se a faixa amarela ficar ali o tempo todo, por mais que ela garanta a sua sobrevivência, quando o trem chegar - esse trem desejo dos meus sonhos - ele não poderá ser pego e estará ali preso na estação, com o desejo transformado em punição ou dor, como o garoto morrendo de medo da farmácia e do barulho desejante "mashhhhhhhhhhhhhhh".

Está na hora de eu pegar o trem da minha vida!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Escritos do inferno astral (2)

Um fim de semana, ou melhor, um feriadão na companhia de pessoas que eu não via há algum tempo. Interessante que dentre tantas conversas uma em especial me chamou a atenção: como as pessoas gastam energia em coisas absolutamente inúteis e sem sentido.

Tá, o que eu disse anteriormente tem enormes desdobramentos. Vou exemplificar pra tornar as coisas mais claras: imagine você cismar, implicar com uma pessoa com a qual você só encontrou uma vez na vida e, considerando que essa pessoa não te fez absolutamente nada de ruim.

Como diz minha mãe, tem maluco para tudo. E desse tipo de gente ando querendo distância...

Por outro lado também fiz uma outra descoberta que foge deste feriadão: de como às vezes uma simples palavra, ou seja, um gasto de pouquíssima energia, pode fuder muito a vida de uma pessoa. Um simples adjetivo pode destruir algo que levou anos para se construir. Uma amiga, me conta que isso irá acontecer com um fã de minimalismo: uma mínima palavra, um grande estrago.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Meio intelectual, meio de esquerda

O Matias mandou esse texto para mim há quase dois anos e hoje, remexendo a caixa de e-mails resolvi relê-lo e publicá-lo aqui já que ele é ótimo e merece ser lido.


Bar ruim é lindo, bicho
De Antonio Prata

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de 150 anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de 150 anos, mas tudo bem). No bar ruim que ando freqüentando nas últimas semanas o proletariado é o Betão, garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas acreditando resolver aí 500 anos de história. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

"Ô Betão, traz mais uma pra gente", eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte do Brasil. Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte do Brasil, por isso vamos a bares ruins,que tem mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gateau e não tem frango à passarinho ou carne de sol com macaxeira que são os pratos tradicionais de nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gateau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda. A gente gosta do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne de sol, a gente bate uma punheta ali mesmo.

Quando um de nós, meio intelectuais, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectual, meio de esquerda freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim. Porque a gente acha que o bar ruim é autêntico e o bar bom não é, como eu já disse.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e nesse ponto a gente já se sente incomodado e quando
chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual, nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e universitários, a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevete e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantém o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam em 50% o preço de tudo. Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato. Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se fodem, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão brasileira, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda, no Brasil!
Ainda mais porque a cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que agente gosta, os pobres estão todos de chinelo Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gateau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda, como eu que, por questões ideológicas, preferem frango a passarinho e
carne de sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca mas é como se diz lá no nordeste e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o nordeste é muito mais autêntico que o sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é mais assim Câmara Cascudo, saca?).

- Ô Betão, vê um cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?