sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Uma lição valiosa de 2010

Temer aqueles que têm uma relação obsessiva com a verdade, sinceridade esquecendo e escamoteando o que há de contraditório em si mesmo. Qual o problema disso?

Quando o que está escondido resolve irromper, ele vem da pior forma possível. E detona por terra qualquer imagem anterior que a pessoa criou.

Ideias de fim de ano

Corra Lola "Depois do jogo é antes do jogo."

Rita Lee "Sempre que uma coisa vai, sempre outra coisa vem."

Tio Bombom: Rapaz, você com 32 anos deveria se casar. Para ter alguém para estar junto com você na sua velhice.


Sorte do tio que eu temo muito o Estatuto do Idoso.

Gastronomia para esse ano

Queria muito neste fim de ano um churrasquinho de gralha azul com pinhão, com sorvete de iogurte da rua do Catete, cervejinha de Santa Cruz e um queijo de Volta Redonda.

0 66º post

Só para dizer que o recorde do primeiro ano de Liquididificador foi quebrado.

2010 como pessoa solteira

O final de 2009 marcou 10 anos em que resolvi "cair na vida". É engraçado como criamos estes marcos, considerando que a sexualidade está presente desde o momento em que somos concebidos. E no quesito orientação sexual, eu a reconheço desde os meus 3 anos de idade. Coincidência ou não foi quando aprendi a falar melhor e aprendi a ler e escrever em letra de forma.


2010 foi uma gangorra emocional/sexual. Não me refiro a quantidade de parceiros, mas à qualidade deles. As "malucas" como diz meu amigo.

Comecei com um "pseudo-romance" como a própria criatura se referiu ao nosso relacionamento. Ela resolveu sumir no meu aniversário. Estranha, muito estranha.

Passei o meio do ano com uma figura casada encantadora. Diante da minha recusa de compromisso ela sumiu. Tempos depois descubro, com outra figura, que ela repetia o mesmo discurso, como um script simples as mesmas coisas. O livro com "gosto de você" na assinatura permanece com a realidade desmentindo a tal frase.

Também tem as pessoas amáveis. Na lagoa de Iguaba aconteceu o encontro. Não o suficente para uma paixão, mas alguém agradável com quem é legal estar junto.

Tem aquela que sempre faz cu doce e no fim das contas você diz: quem não quer mais você, sou eu.

O lugar mais quente do Rio criou outra figura, inteligente, interessante com semelhanças e mesmo nome e profissão do pseudo-romântico. No entanto esta surtou mais cedo e, meteu o pé. Eu pedi para sumir.

O fim de ano veio com o fim de uma situação idílica que se continuasse poderia, futuramente, tornar as coisas piores. E agora me volta um espírito do natal passado com uma possibilidade real muito fã de carnaval.

Como juntar tudo isso? Não sei. Mas 2010 foi capaz de fazê-lo.

Ele com "E" maiúsculo

Ele. Pode ser aquele típico "bofão". Barba, baixinho, parrudo, com barriga saliente. Cavanhaque meio "latin lover" talvez, um rosto realmente bonito, que vai além do mero fetiche com os trabalhadores da classe operária. O que quebra talvez com todo esse "perfil" é o hábito de ouvir aqueles dances de boate gay.

O cara come as empregadas. No entanto, ele eventualmente, sai com homens. O típico cara que diz "se não dou e não chupo, sou homem".

Todo ser tem seu paradoxo. O dele foi afirmar que a barba de um parceiro seu bem como o biotipo tinha algo de "macho". Pensou em outros tipos aparentemente estereotipados como a descrição inicial que fiz dele: policiais, seguranças, guarda-costas. Deve ser uma das suas sombras, o tipo de homem que naquilo que chamei de norte do desejo ele oculta.

Vamos colocá-lo como uma das loucuras do ano de 2010.

Sobre o "sul" do desejo

Agora fazendo aquela separação platônica que em tempos atuais tem se tornado demodê: corpo e espírito. No "norte" falei sobre aspectos físicos e agora, dado a uma série de coisas que aconteceram, pensarei no "sul", na parte mais baixa, aquela que deixamos de lado por várias vezes, mas podem irromper com uma força maior que muita violência física: as emoções.

Não me lembro se foi aqui no Liquididificador que mencionei um conto lindo do Mario Banedetti chamado "O Outro Eu", no qual um menino decide matar seu lado emocional, por não condizer com sua imagem masculina e, com isso ele se torna um ser invisível. De uma maneira mais bonita, Banedetti falou do que chamo neste texto de "sul" do desejo.

Vamos aos fatos: em uma viagem eu o conheci. Foi como um sonho, mas eu, pés no chão que tento ser, disse que a possibilidade de namoro a 1000km de distância era uma impossibilidade. No entanto nos perdemos, mesmo longe um do outro, a devaneios românticos, trocas de carta de amor, sms com "estou com saudades" e por ai vai. Sempre tivemos a consciência de que um dia poderíamos conhecer alguém, namorar e tal, mas esse sentimento não morreria. Esqueci-me de que no sul, o desejo não tem consciência.

Agora neste natal devido a uma série de exigências materiais dele tudo desmoronou. O "sul" do desejo mostrou a sua cara: ciúmes, tristeza, sensação de tempo perdido, necessidade de estar junto, vontade de bater, matar. Naquele momento pude entender todas as vilãs de melodramas e os assassinatos passionais do mundo real. De Medéia a Fera da Penha, tudo aquilo ficou claro como água.

Entendi todos os meus amigos que um dia se desesperaram e choraram por seres amados. No meu caso é preciso sentir a mesma coisa para que aquela dor seja mais clara para mim.

Fui vítima de do meu próprio desejo. Da necessidade de criar sonhos. Mas, repetindo o que disse sobre o "norte" do desejo, se não fossem os sonhos não teríamos sequer inventado a roda.

E é como a roda, que os ciclos vão e vem. Deixarei meu coração aberto, sem matar meu "outro eu" para o que está por vir em 2011.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sobre o "norte" do desejo


Comentei certo dia aqui que falaria sobre "corpo". Na verdade uma sucessão de acontecimentos me fizeram pensar "naquilo". Isso mesmo, sexo. O que dizem que tem muita gente que só pensa nisso, quando talvez seja ele algo nosso que mostra muito do nosso "todo". Que todo é esse que menciono?

Penso na frase de Lacan: "não existe relação sexual". Estranha mesmo, ela diz que a ideia de encontrar no sexo uma completude finita, capaz de resolver todas as suas faltas é ilusória. Não só apenas em relação ao ato sexual em sim, mas a uma série de outras coisas. Por exemplo, quando domingo vejo as cartas das pessoas pro Alberto Goldin, logo de saída elas falam que são bem sucedidas, tem bom emprego, estabilidade financeira e estão sofrendo. É como se o fato de aparentemente satisfazer todos os desejos do que a nossa sociedade exige pudesse livrar-nos da falta. Não existe desejo sem falta.

Tá, mas esse blablabla todo tem a ver com o que? E o lance que eu mencionaria sobre o corpo?

Bem, dia desses o meu querido Josh Junior postou lá no facebook dele uma foto do Fraçois Sagat. E falou que por mais "übber macho" que ele parecesse isso não o atrairia. Engraçado que Sagat preenche todos os requisitos do ponto de vista físico do que muitos desejariam, tanto como alguém para estar junto ou ao mesmo tempo ser como ele. E depois pensei nas pessoas que já conheci, especialmente homens, que estabelecem padrões para si mesmo sobre que tipo de pessoa deseja fisicamente para estar junto.

Lembrei-me de um amigo que o quanto sofreu em um relacionamento com uma pessoa que não tinha nada a ver com ele, mas que o relacionamento aconteceu por conta do tesão, pelo fato do rapaz com quem ele estava ser do tipo físico que ele gostava.

Bem, talvez estamos criamos categorias para dar uma espécie de "norte" ao nosso desejo, que não tem bússola na verdade. Ele se assemelha ao mar para os navegadores europeus antes do despertar da Idade Moderna, cheio de mistérios, mitos, possibilidade de aventura e, por que não, de encontro com a morte. Só que assim como o se verificou depois, o oceano não era plano e é dinâmico. O desejo se parece com ele nesse sentido.

O desejo, por mais que recusemos é dinâmico. Pensei no Sagat dos filmes pornôs e das fotos que alegram as fantasias sexuais de seus fãs. Interessante que nesse mesmo post que mencionei outro rapaz mencionou que ao vivo ele era uma pessoa sem graça, no sentido de que entrou na festa, ninguém deu confiança e depois foi embora. Não digo que o Sagat seja assim, mas pensei na forma como esse rapaz o viu.

Nessa busca por um "norte" colocamos nossos ideais, perfeitos. Só que existe uma coisa chamada realidade sempre pronta para quebrar os pedestais dos nossos santos particulares. Alguns o chamam de rotina, como acontece nos casamentos que no começo são perfeitos ideais românticos e depois acabam desgastados.

O que acontece que essa coisa chamada realidade, somada à falta, torna o desejo algo dinâmico, cheio de encontros e possibilidades das quais não podemos ter controle absoluto. Tal como a caravela no meio do Oceano que em busca de um continente conhecido (as Índias) acabam descobrindo algo completamente novo (as Américas). E tal como navegantes europeus destruídos por malária, escorbuto ou pela defesa de nativos à sua invasão, isso pode acontecer também com o desejo, por mais que o catequizemos.

Deve ser o ideal algo a ser condenado? Creio que não. Fiz um exame da minha própria consciência erótica e, apesar de nela habitar, do ponto de vista físico, uma variedade tamanha - o que fez um amigo chamar-me de onívoro- sei que tenho as minhas preferências físicas, os meus "nortes". O exercício mais difícil para todos nós é saber o quanto não estamos presos nesse norte sem saber que existem outras direções, ainda que o imã da bússola aponte sempre para ele. Ou ideal pode ser visto como o sol, fundamental para identificarmos as nossas posições, mas não necessariamente somos obrigados a ir na direção dele.

Essa "liquididificação" sobre isso tudo, confusa assim desse jeito, combina com o que foi minha vida afetiva/amorosa nesse ano ao lidar com pessoas que elegeram tantos ideais, especialmente acerca de si mesmas - há o desejo que investimos em nós mesmos - e no fim percebi que o que era "sólido", para eles, "se desmancha no ar", para parafrasear Marx. Se desmanchou para mim também porque não há relacionamento com o desejo de um só. Minha sorte talvez seja reconhecer que esse "ar" que desmancha as coisas é a realidade e, dada a especificidade do desejo, ele nunca é completamente satisfeito. Ainda bem porque se assim não fosse, sequer teríamos inventado a roda.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A praia

Talvez tenha sido 2010 o ano em que mais fui nesse recinto pouco acolhedor para quem tem um índice de massa corporal acima de 30. E não menciono só o fato de morar em um balneário e me tornar, como diz um certo cidadão de Baltimore, o Laguna Boy. No próprio Rio, onde nasci, me criei e trabalho, isso também tem acontecido.

Lá, nas Baixadas Litorâneas o clima é mais solitário. É aventurar-se na solidão de Araruama, no estado libidinal de Iguaba ou na pura estética de Arraial e Cabo Frio. Cair na futilidade de Búzios e achar graça nisso. E ainda tem a querida Barra de São João, cuja região tenho um forte carinho desde os meus 14 anos e graças ao Osmar tenho ido mais aquele lugar em dias frios, calmos e doidos, a uma maneira que só estando lá se pode interpretar.


E cá em São Sebastião a experiência tem sido digna de um clipe cubo-futurista. Mãos - fetiche que passei a ter depois de uns tempos pra cá- pernas, bunda, genitais, rostos em meio à aglomeração louca que as praias cariocas permitem. Isso acontece desde que me entendo por gente, o que chama a atenção são as ações que tem ocorrido a partir daí. Nada que tenha efeito prático, mas situações que já fazem valer o dia, mesmo quando se tem figuras pedindo dinheiro para pagar a cadeira e o guarda-sol na praia.

Saint Croix

Ai sou cobrado por ser um homem de muitas palavras. Mando a minha Vênus geminiana às favas e parto para a ação que me compete a um bom taurino. E isso me rende bons resultados, mesmo sendo questionado em minhas indecisões.

Então, como em um passe de mágica e dentro da proposta da modernidade alguns sms dizem "game over" para mim. Aliás, não diz. A outra parte, então se revela. Seu projeto de afirmação direta dos fatos se transforma em puro silêncio. Pobre são as almas que quando são pegas de calças curtas, não tenham, por mais que estudem, palavras - ainda que malandras - para dizerem algo. Ou ao menos o que realmente pensam. Então fica decretado que aos covardes, o silêncio.

Não seu guarda, faço a Ana Carolina

Hoje foi dia de dizer "Feliz Aniversário" para uma ex-namorada da adolescência. Agora entendo porque eu estava cantando muitas músicas do Intimidade da Zélia Duncan esta semana.

Texto Liquididificado

Para O.S.S.O

Há um candidato a deus, talvez um que ainda sonha em ser herói e tem cabelos prateados. Quer ser herói de seu desejo, mas o seu poder, as palavras, acabam por andar em linhas muito tortas e sempre cismam em cair em um mundo de neblina onde nada pode ser distinguido.

Bem, aí ele leva a sua missão para aquela sala escura, uma tela cheia de luzes e ali, ah, ali tudo parece estar certo. No entanto, a sua beleza e a cisma em não querer usar as palavras erradas acabam por fim fazendo que não se use palavra alguma. E ele se dilui, mesmo com os belos cabelos prateados em uma outra neblina que ele mesmo criou. Ele não sabia que para se tornar o deus de seus sonhos tem que saber imperfeito, porém reconhecendo os seus próprios desejos. Ele ainda está na primeira parte de sua jornada.

Então a missão é abortada. Vira uma espécie de limbo. Ele acusa de ter sido jogado lá, sem se dar conta, ou por não querer assumir os seus desejos- vamos ter isso em mente quando pensarmos neste candidato a deus ou a heroi - que aquele é um limbo que ele mesmo criou. Só que ai um deus que fazia parte de sua missão resolve dar-lhe uma segunda chance. O problema até agora é que ele pisa em ovos e palavras suaves se tornam verdadeiros monstros carregados de aberturas por caminhos tortos, que tem destino certo, mas que ele insiste, ainda em não chegar até o seu final. Prefere ainda ficar com as suas mesmas fraquezas.



Ps: Batizei-o de Liquididificado por ser um texto hermético, propositalmente.

Reta Final

Eu confesso que na reta final de 2010 eu queria fazer este o ano recorde em coisas liquididificadas. E isso tendo como concorrentes em termos de querer dizer coisas a esmo o twitter, o tumblr e o facebook. Parece que as redes sociais servem para dar vazão a essa minha paranoia - ainda tem acento esse troço? To com preguiça de ver no google ou usar o tradutor do mozila - quantitativa como requer a minha boa estrutura neurótica obsessiva.

Tinha pensado em uma série de reflexões sobre o corpo, a invasão do BOPE no Alemão ou até mesmo a tal bactéria californiana que sintetiza arsênio e teve gente achando que ela era extraterrestre. Tudo bem que sendo californiana não faz muita diferença (risos)

Bem, quando eu tiver paciência e saco os farei. Que venha 2011, já que o fato mais interessante e relevante foi mesmo a Halomonadaceae do lago Mono.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Tan tan tan tan tan tan...

Viva Nelson com esse trecho de "A Dama do Lotação":

"A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava."

E sobre a musiquinha como na época que passava no Fantástico! tan tan tan tan tan tan

sábado, 30 de outubro de 2010

Duas reflexões de sábado

1) Estávamos eu e Osmar do lado de fora de um bar em Copacabana. Ele tinha que estar ali pelo fato de ser fumante e a lei, como já se sabe, proíba que se fume nos bares, ainda que do lado de fora.
Lá pelas tantas me aparece um senhor do bar dizendo para se afastar um pouco da posição que estávamos pois havia uma câmera filmando e se, a fiscalização da prefeitura visse, o bar pagaria multa porque tecnicamente aquela era área do bar e seria considerado um não cumprimento da lei.
Nesse mundo com linhas demacadas, vigília constante com aval e domíno do Estado ficamos com uma clareza maior sobre nossas amarras melhor até do que qualquer tese do Foucault ou ainda do livro 1984. Tudo isso porque ainda não vivemos - e considero por vezes impossível - sob o domínio do bom senso. Sempre há algo a nos policiar em nome do nosso "bem estar".

2) E no mesmo bar a Letícia me pergunta: como vocês homens conseguem separar amor do sexo? Pensei em trocentas mil teorias, mas na verdade bastou uma reflexão na forma como eu mesmo fui educado. Nós homens em uma ponta não damos atenção ao cuidado com o corpo - malhação é para satisfazer vaidade e se cultua uma suposta saúde dentro de um modelo que está na moda no nosso contexto capitalista (PSTU feelings) - e por isso a nossa expectativa de vida seja menor que a das mulheres. E ai vem o discurso do povão "o homem mete pinto em tudo quanto é buraco".

Na outra ponta, em um modelo também tradicional, as mulheres são educadas a guardar o próprio corpo, em especial no que diz respeito a sexualidade. Ao mesmo tempo não tem poder, dentro dessa visão, ou domínio sobre ele, dentro de nossa cultura machista. A união amor e sexo nesse contexto pode servir como uma justificativa ao prazer puro e simples negado às mulheres, algo que torna "sagrado" o ato sexual e atenua o estigma, caso bem diferente se uma mulher transa só pelo prazer .

Não seria o caso de pensar além dessas fronteiras e cada um admitir dentro de si o que lhe dá prazer, o que busca do ponto de vista emocional, o que faz ter momentos felizes no que diz respeito ao sexo e ao amor? Juntos? Separados? Não importa desde que haja franqueza e respeito para as partes envolvidas.

Baseado no que tenho visto com os meus envolvimentos nos meus últimos 2 anos, o que está faltando mesmo essa franqueza do outro em relação ao que sente e que, inevitavelmente, acaba resvalando no parceiro(a). Está na hora de matarmos a Jezebel e Maria que habita em cada um de nós - homens e mulheres - e tornar as relações mais humanas, sem a necessidade de se vender tão caro, seja como poço de santidade ou como o garanhão do pedaço.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Efeito Chiclete

Tem aquele momento que eu olho sms antigo que esqueci de deletar. Talvez, por pura conveniência ou mera distração. Independentemente disso estavam lá, datados de alguns meses atrás com aquelas mensagens do tipo "gosto de você" e coisas do tipo. O mais engraçado é que passados meses depois não há mais nenhuma mensagem, apenas um testemunho via orkut que a criatura mandou por se sentir ofendida talvez por algo deste blog.

Se há um símbolo bom da Revolução Industrial - estamos vivendo a terceira ou quarta - esse síbolo é o chiclete. E na era dos sms, redes sociais, comunicação em tempo real e tudo o mais o seu efeito permanece: gruda e tá cheio de doce no começo e, passado o efeito se joga fora. Só que como bom derivado do petróleo ele levará séculos como lixo. Resta saber: para onde guardamos os nossos lixos emocionais? O planeta e o psiquismo hão de um dia de cobrar a conta e não há Prozac para dar conta disso.

Finally

Finalmente tomei vergonha e, de saída, publiquei dois sonhos. Creio que ainda selecionarei alguns com a devida interpretação. Ai sim, será mais forte do que ficar nu em público.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Até o fim do mês preciso:

- Blogar um sonho em "A vida que eu sonhei";

- Terminar o "Alfabeto escalafobético", para revisá-lo e transformá-lo em livro.

Dia onze do dez

Aquele dia chuvoso chatinho de pré-feriado. Alguns adolescentes insistem no condomínio. Estão com todos os seus gadgets que no "Sonho de Vida" os socializa: os celulares com mp3s tocando funk ou aquele dance mais vagabundo, ou ainda aquele som da Lady gaga ou Rihanna em que faz nossas cabeças confundirem sobre a orientação sexual do sujeito.

Naquele universo, sabe como é, parece com essa pesquisa do Globo cheia de erros metodológicos - amostra restrita a classe média e alta com acesso a internet, falta de dados qualitativos e de homens cara de pau o sufciente e capaz de assumir que já foram corneados, broxaram ou que tem sexo poucas vezes por semana quando acontece - e aquela curiosa informação de que 16% dos brasileiros da pesquisa se diz homo ou bissexual mas 21% tem atualmente um parceiro do mesmo sexo. Ok, sei que a OMS tem aquele sigla maledetta HSH (homens que tem sexo com homens), mas isso é mais sintoma de neurose masculina do que propriamente uma categoria...enfim, matamos o patológico e consideramos a doença como norma, estamos em 2010.

E o tempo vai passando, dessa vez sem esperanças de que o telefone irá tocar. Tem aquela figura que encontra você, diz que gostou e não aparecel. Que desencantou do príncipe encantado, mas, lá no fundo deve acreditar piamente nele. Como Satã que renunciou a Deus porque no fundo sabia que lhe era impossível ser como ele, ai foi para o lado oposto. Frustração é o nome disso, né?

Hora de cortar o cabelo e esperar por 10 anos o velho terminar de fazer a barba. Araruama, mesmo com o frio tem seu lado chato de várias pessoas transitando, entupindo o mercado, fazendo a festa para fiscais do DETRAN engordarem seus bolsos com cervejinhas, música ruim ecoando pela cidade e tudo o mais. Triste uma cidade que depende disso para ter renda. E a vida continua, como diz aquela peça espírita.

domingo, 10 de outubro de 2010

Sem Título


O que divide a moral do pecado? Se é uma linha, quem a desenhou? E quem as segue?

Será que tudo mudou? Há liberdades? Ou será que só inventamos um monte de coisas para distrair-nos nas prisões que nós mesmos criamos e assim vamos nos iludindo de que somos livres?

Se estamos escravizados, será a moral a nossa senhora? Ou somos apenas seres mesquinhos, arrastado de forma promíscuua em uma lama cheia de certezas que nos dá uma outra ilusão: a de que somos limpos ?

É ser cidadão de bem nos perdermos em nossos ou desejos e depois negá-los? Ou devemos ainda condicioná-los a trágica lógica do consumo, do dinheiro, do prazer a qualquer custo, na equivocada ideia de que a felicidade dura sempre, para que, quando finda, culpemos a Deus, diabo, ou, na ausência deles, nos percamos em drogas ou em mensagens pretensamente positivas?

Assim vamos nós. Correndo o risco de sermos devorados quando nos damos conta de que existem incertezas pelo mais certeiro de todos os monstros, que não precisa de nós para ser alimentado: a morte.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tudo termina em pizza?

Imaginemos uma pizza. Metade dela é da Dilma e a outra metade é disputada entre Serra, Marina, Plínio, Zé Maria, Levy, Eymael, Rui e Ivan. O que aconteceu é que com o passar do tempo, parte da fatia de Dilma diminuiu, a de Serra permaneceu a mesma, a de Marina cresceu um pouco e os demais continuaram com as migalhas. E ainda há uma parte que não foi tomada por ninguém: são os votos brancos, nulos e as abstenções. Essa fatia foi maior a que de Marina Silva.

domingo, 3 de outubro de 2010

Futil demais para ser profundo


A frase do título é do Osmar para uma de suas várias personagens, mas que serve também para o filme a que assistimos ontem pelo Festival do Rio. Bear City, dirigido por Douglas Langway com roteiro do próprio Douglas em parceria com Lawrence Ferber.


Para quem não sabe - acho difícil um leitor deste blog não saber da subcultura gay dos bears (ursos) - os bears são um nicho no chamado "mundo gay" de homens que valorizam mais características supostamente masculinas como barba e pêlos e em alguns casos valorizando o excesso de peso (há mais subdivisões) e um estilo talvez mais "unfashion", bem diferente da expressão mor da cultura gay pós AIDS da Barbie fortona, musculosa, fundamentalmente lisae às voltas com produtos de griffe. Claro que essa definição está bem superficial, não muito diferente do que o filme mostra.



Em primeiro lugar, o roteiro pretende mostrar a referida subcultura como um viés diferente, mostrando que há subdivisões, fofocas, preconceitos em uma cultura que em tese deveria ser o oposto disso. O filme tenta, mas esbarra em vários problemas. Eu que fui com a intenção de encarnar Barbara Heliodora acabei ficando com cara de Marília Gabriela perguntando ao seu entrevistado "o que quer dizer?"


Talvez analisando a trama das personagens principais pode-se perceber o amontoado de clichês ruins e a falta de direção do filme.


Fred e Brent é um casal que pensa em abrir a relação. Ali não sabemos se o filme vai caminhar para um drama decente ou se vai cair para um escracho. O que se tem é algumas cenas que rendem algumas risadas e só. E Stephen Guarinho, que vive Brent, e já fez o papel de bicha-afetadinha-fashion em Confessions of a Shopaholic de uma forma legal se dilui, creio que tragado pela absoluta falta de talento do resto do elenco. Aliás que elenco?


Temos o casal principal Roger- que não sei se é daddy, muscle bear ou boto rosa- e Tyler. Ali era pra se ter um gancho romântico bobo: o machão comedor fudedor que se redime ao descobrir o amor. O que se tem é um ator canastríssimo, um roteiro que não consegue explicar como se dá essa mudança e um outro personagem chatinho, que seria a fronteira entre dois mundos: das bichas magras lisas e obrigatoriamente fúteis contra o mundo tão "interessante" dos ursos. O filme faz isso de uma maneira infantil e maniqueísta, evidente na (relação?) de Tyler e seu outrora companheiro de quarto. Aliás onde estavam as bibinhas do começo do filme? Corte de custos?

Sinceramente, de machões canastrões fudedores prefiro Carlo Mossy e Davi Cardoso, deliciosamente canastrões e nos anos 70 bem mais interessantes. Não é delírio nacionalista, mas apenas um registro da minha relação libido e cinema. E aqueles diálogos "existenciais" de Roger com o seu "peguete" espanhol e com Tyler são tão gostosos como uma sonda na uretra. Passo!

Ainda em relação a Roger não entendi o que a estória pretendia: condenar seu comportamente supostmente "promíscuo". Mostrar sua "redenção" como o machão que resolve passar por cima da opinião alheia ao mostrar o seu "amor impossível"? Ou glamurizar e mostrá-lo como o ideal de gay ativão, machão, competitivo, em sua, o mito do paraíso masculino que a "comunidade gay", assim como os heteros querem de volta nesse mundo pós-feminismo? Num entendi o que ele falou?

E os dilemas de Michael e Carlos - um dos personagens que encarnam o esteriótipo do latino estúpido no filme- em relação a gastroplastia de Michael não avançam muito e beiram ao surrealismo. No mundo real um rapaz novo e bonitão diante da ameaça de perder o corpo gordo e consequentemente o controle sobre seu namorado, parte imediatamente para outra como quem troca de roupa. Até porque uma relação centrada em uma caracterísitca física não tem mesmo como ser profunda emocionalmente. Como diz sabidamente Frei Betto, "é o Platão na contramão" dos tempos atuais do privilégio do corpo em detrimento da "mente" esquecendo-se que na realidade as duas instâncias estão ligadas, para não dizer unas. Isso é outro assunto.

Enfim, é uma filme que como cinema é mal feito: roteiro fraco, falta de continuidade nas tramas, elenco péssimo, amontoado de clichês e sempre mais do mesmo. O final do filme é inacreditavelmente previsível sem provocar maiores emoções.

E o título do filme diz que pretente mostrar a cena bear em Nova Iorque. Se há uma coisa que não existe nesse filme é a "city". O que se vê é um universo não só olhado pela ótica bear, mas o mundo real não existe. O máximo que existe é um ridículo "eu trabalho na bolsa" ou algo assim dito por Roger. E quem não é "bear" é obrigatoriamente ridicularizado, como os entrevistadores de Michael, os amigos de Tyler no começo do filme e por ai vai. Esse tipo de maniqueísmo é irritante e só reforça uma coisa, é um filme bear feito só para bears se sentirem um pouco mais felizes.

O filme não tem a capacidade de ir além, suscitar maiores discussões. É quase um filme didático com cenas de sexo sem contexto em ritmo de videoclipe que funciona mais para um discurso moral mais besta que os conselhos do He-Man no fim de seus episódios. E não critico o filme por suas cenas de sexo, pois as achei pertinentes em Cachorro - um filme bear bobo que não me agradou muito mais supera em muito Bear City-, O Fantasma e em Madame Satã. Aliás o longa de Karim Aionuz é uma aula de como uma personagem gay pode ir além de um submundo (ou subcultura) e apresenta de maneira formidável, sem pintar de cor de rosa, a cidade das personagens. Em bear City Nova Iorque, o universo e as boas ideias somem na "caverna dos ursos". Infelizmente ele é "fútil demais para ser profundo".

sábado, 2 de outubro de 2010

Eleições II

Ai tem a questão estadual, como ia me esquecendo?

Pea primeira vez votarei para governador morando fora da capital. Em um estado pequeno como o Rio faz diferença? Faz!

Primeiro ponto é que em 75 o Geisel forçou a fusão dos estados como forma de manter a ARENA na maioria já que os fluminenses eram mais conservadores que os cariocas. Isso trouxe problemas, já que o interior ficou mais esquecido, em especial o Norte e Noroeste do estado.

Aliás, passados 35 anos da fusão é impossível pensar na sua dissolução, porque a união aconteceu, ainda que de forma estranha. E as regiões são peculiares:

O Sul do estado tem cidades importantes que possuem fábricas, siderúrgica e tudo o mais . Não conheço a região com profundidade, mas sei que cidades como Volta Redonda tem que lidar com a questão da violência juvenil que é séria lá.

A Baixada e a Grande Niterói se incorporaram ao Grande Rio. Uma capital inchada com todos os problemas conhecidos nacionalmente com cidades ao seu redor igualmente inchadas, detonadas, sem planejamento urbano e com bolsões de miséria.

O Norte e o Noroeste que poderiam ser boa opção na agricultura, por exemplo, são regiões abandonadas. Campos tem usinas fantasmas, depende dos roialities mal aplicados do petróleo e produziu na política um dos fenômenos mais abjetos do estado: Garotinho. Macaé, na mesma região, é apontada como tendo um IDH mais alto do estado (nunca confiei no IDH) e lidera no ranking de homicídios do estado. É outro monumento a má aplicação dos roialities, com favelas crescedo,m violência urbana e falta de investimento na qualificação local, sendo que a fatia melhor do bolo vem de pessoas vindas de outras cidades e países.

Não disponho de dados ou opiniões sobre e região serrana e o vale do Paraíba...para ver como ando "bem informado" sobre meu estado, vergonha.

E a minha querida Região dos Lagos é uma Sucupira com praias. Uma bela região que infelizmente virou cagadouro de cariocas - eu incluso - que detonam com a paisagem. Crescem favelas, violência com tráfico egresso das comunidades com UPPS (neste sentido inclui-se Macaé) e tudo o mais. Políticos do PMDB a rodo e vendidos ao governador. Em Araruama o prefeito tira onda porque asfaltou a área em frente ao palco do Parque de Exposições e celebra sua parceria com Sergio Cabral. Enquanto ainda há desabrigados das chuvas de abril que atingiram também as Baixadas Litorâneas (nome mais apropriado que Região dos Lagos nesses meus palpites). O ponto positivo é a despoluição da Laguna de Araruama, o que de fato, tem feito diferença na região, já que a mesma banha 6 municípios da região. Lá eu percebo todo um puxasaquismo ao governo estadual enquanto na capital uma figura que se dava pouca importância - especialmente depois de Brizola - é o governador, exceto nos casos de Segurança Pública.

Falando em segurança por que a imprensa cisma em falar "polícia carioca" quando o certo é "policia fluminense"? Depois reclamam da falta dos investimentos em educação.

Enfim, é neste clima de milicias, tráfico exportado, rios e lagos poluídos, falta de investimento em saúde preventiva para privilegiar UPAs que não funcionam, a pior educação do Brasil depois do Piauí e má aplicação dos roilties é que se darão as eleições no meu querido Estado do Rio de Janeiro.

Que venha 3 de outubro!


Eleições I

Hoje é véspera de eleições. Passou tanta coisa na minha cabeça que eu queria postar aqui, já que política é um dos meus temas favoritos. No entanto, quase nenhum post em setembro. Eu comento isso com a Fabi e ela me diz:

- Odilon, essa campanha foi tão sem graça que nem tinha assunto pra você colocar.

De fato: no nível nacional temos uma senhora no clima de "já ganhou" que, embora pareça um mamolengo do Lula, na verdade pode colocar as garras de fora. Se bem que sinto "Tancredo Neves feelings" e Michel Temer pode ser O Forrest Sarney da vez. Ok, Deus, não me castigue porque eu também não sei meu dia de amanhã.

Ai tem aquele senhor, o Zé, de uma chatice só. O PSDB que era para ser uma proposta de social democracia. Depois se aliou ao PFL (esse transgênico da ARENA) para chegar ao poder. Teve méritos como o plano real e tudo o mais e só. Hoje é uma caricatura, um partido classe-média-paulistana sem muita graça, tal como é seu candidato a presidente

Marina tinha tudo pra ser uma força interessante. A proposta pelo desenvolvimento sustentável é a bola da vez. Pensar na questão ambiental é você ligar não só a preservação da flora e da fauna, é pensar em saneamento básico, educação, saúde, condições decentes de moradia, em qualidade de vida. Estabilidade de renda (plano real) e diminuição da concentração de renda (Lula teve pequenos avanços neste sentido, mas teve) estão no pacote. No entanto, Osmarina ficou no reme reme amazônico sem dar muito detalhes de suas propostas e ficou outra caricatura da "mulher da selva amazônica e ecológica". E sua guinada para o lado evangélico da força é algo que me incomoda bastante.

Resta-me Plínio... apesar de que católico como eu defende o ensino religioso nos colégios e fez uma média para os fundamentalistas da CNBB nos debates promovidos por emissoras católicas. O catolicismo de Plínio me incomoda bastante também, nesse sentido.

E os partidos mais a esquerda (PSTU, PCO,PCB) estão ali para...sei lá, eles parecem iguais mais vivem brigando entre si. A propaganda do outrora Partidão chega me dar tristeza. É patética, dá vontade de cortar os pulsos. E seu candidato a presidência está sempre em reunião nos botequins do Rio. Adoro isso!

Que venha 3 de outubro...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sábado, 18 de setembro de 2010

Possibilidades


Estes foram dias de se lembrar dos tempos do colégio de freira. Aqueles livros que eram adotados na aula de religião eram carregados de Teologia da Libertação. Bem, já era final dos anos 80 a as freiras não corriam mais risco de serem presas por serem comunistas. Elas teriam que se ligar em Karol Woltyja que era o chefe delas na época e procurou minar a T.L na América Latina. No entanto, não foi em religião que pensei. Foi no fato de ser um católico com uma visão mais questionadora da Igreja e, de certa forma, aquele período no referido colégio foi bom para isso.

Tinha uma ideia no livro da diferença do homem para as formigas. Tais insetos, por mais laboriosos que fossem e vivessem em sociedade, eram sempre formigas como eram há milênios (não joguei no google há quanto tempo surgiram as primeiras formigas na Terra). O ser humano mudava com o decorrere da história, não era o mesmo. Pitadas de marxismo? Deixei a filosofia de lado e pensei em outras coisas.

Há vezes que optamos --- eu não fujo à regra-- pela lei do menor esforço. Mesmo quando criamos redes complexas para sustentar certos comportamentos e garantir a presença de certos desejos dos quais não queremos abrir mão. Escolher implica renúncia.

O filme Shirley Valentine (1989), dirigido por Lewis Gilbert é uma adaptação de peça homônima inglesa escrita por Willy Russell e estrelada por Pauline Collins, que também fez a personagem título no teatro inglês. No Brasil a peça teve montagens com Renata Sorrah (1991) e Betty Faria (2009) no monólogo.

A ideia do filme e a "lição" que se pode ter dele é simples e direta: dona de casa de meia idade com filhos adultos e criados resolve deixar a casa em que mora e o marido e vai viajar com a melhor amiga para as ilhas gregas. Essa ideia da dona-de-casa-de-saco-cheio-encontra-vida-nova também aparece em outros filmes como "Pão e Tulipas" (2000).

Anos e vidas depois após ter visto o filme da vida de Valentine, o que me mais chama a atenção não é o simples fato dela se encher de tudo e trazer outras possibilidades para sua vida. A situação em que Shirley encontra Costas - seu amante e guia turístico na Grécia- tem tudo a ver com essa lei do menor esforço em nome de certas situações. Um guia, como já mostra o trabalho da personagem.

Neste sentido Shirley Valentine é um filme feminista sem afetações e, ao mesmo tempo, humanista. Ela passa por uma transformação absurda em sua vida, uma transformação que talvez Costas não tenha. Ele será o mesmo de sempre para as turistas estrangeiras de meia-idade a fim de novas aventuras, assim como Shirley, ainda que tenha todo um texto decorado na ponta da língua e crie várias situações românticas.

Essa semana alguém me disse que gostava do ser humano e fazia uma comparação com alguns animais de estimação que, assim como as formigas, repetem os seus comportamentos, já que eles precisam de água, comida, abrigo e atenção de seus donos. Nós temos a possibilidade de mudar. Não importa se somos mulheres, ingleses, casados ou de maia idade. Temos a possibilidade de mudar. Que fique claro. POSSIBILIDADE. Se isso se tornará fato, cabe a nós mesmos decidirmos e fazermos as renúncias cabíveis, já que muitas vezes preferimos a imutabilidade das formigas.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Rapazes

Há um rapaz que mudou. Este anda com um rapaz que se isolou, por ter um gênio tão forte quanto o do rapaz que me guardou um pedaço de bolo congelado. O rapaz do bolo, por vezes, não compreende o que eu digo e isso o torna parecido com o aquele que mudou. Se assusta. Lembra-se de outros bolos de outros rapazes de coragem congelada para se entregar ao que sentia.

Há um rapaz que hoje come bolo em sua festa com outros rapazes. Estes rapazes desconhecem os rapazes com quem o aniversariante sai quando ele se muda toda semana. Ele se isolou quando sentiu que seu coração aqueceu diante daquele que comeu o bolo congelado. Talvez deseja mudar como aquele que nada entende o que digo e prefere o silêncio por vezes. A sua fala tem gosto de saudade.

Há também um video de um rapaz que não gostava de ser rapaz e, por conta de outro rapaz considerado agrado, resolveu voltar a ser rapaz embora quando fale ainda continue distante de ser um rapaz. Quem o vê é o que come bolo congelado que, antes de dormir vê o número de outro rapaz que lhe deu um bolo outrora. Esse bolo era quente e tinha gosto de vingança, uma forma de ausência para atingir o coração que parecia isolado. E isso o tornava parecido com os outros que deram bolos no rapaz que sabia congelar os bolos. Era hora de dormir e sonhar com a coisas que mudam, já que no dia seguinte, todos continuariam a ser rapazes. Por vezes isolados, por vezes de coração quente, dessacralizados, festivos e resfriados.

domingo, 12 de setembro de 2010

Outra mania

Acho que não é mania exclusiva minha, mas tenho dialeto próprio com meus amigos. Tive a sorte de que muitos deles são criativos, especialmente na hora de inventar nomes que funcionam como códigos para nomear certas pessoas. Outros vão mais além e juntos criamos códigos para situações muito específicas.

Já aconteceu de em uma festa de 15 anos eu e uma amiga, entediados, inventarmos nomes para 90% da festa e botar reparo no que eles faziam. A festa ficou mais interessante e divertida. O mesmo já aconteceu outra vez quando fomos para boate com um amigo meu depois de percebemos que a noite tinha falhado de vez.

Não é só em momentos de derrota que esse léxico surge. Com certos amigos já está consagrado e já soa de maneira muito natural. O legal nisso tudo é que aparece uma certa cumplicidade de uma relação amorosa, já que a amizade é uma forma de amor.

Bem, aqui neste blog já apareceram textos herméticos piores que os escritos de Lacan ou uma palestra do Deleuze. Já aconteceu de eu ser indagado com o famoso "é comigo?". Claro que por vezes parece óbvio para quem lê que a pessoa já chega e se dá conta.

Tem uma coisa legal nisso que é um exercício de criação. Não me acho o Guimarães Rosa, mas que inventar de vez em quando é bom. E deixo para o encontro real, ainda que ando em tempos de desparecido político - eis ai outro código - para as futuras explicações.

Nature x Nurture

Hoje eu já tinha um rascunho preparado para postar o texto aqui. Ironicamente, entre tantas outras coisas fala sobre uma certa necessidade de comentar coisas de forma mais livre, já que recebi dois gongos a respeito desse meu apego a tanta teoria e necessidade de falar as coisas de forma mais aberta. De certa maneira tento, mas é difícil.

Mas do que eu falava mesmo? Tá, esta semana ouvia na rádio CBN o Flávio Gikovate falando sobre o seu livro mais recente: sexo. Ele fara uma participação em Passione como terapeuta do Gerson (Marcelo Antony).

Ele falava que não gosta dos psicólogos evolucionistas pelo fato deles quererem reduzir todo o comportamento humano aos genes. Todo mundo que estuda qualquer área das Ciências Humanas sabe que a controvérsia natureza x cultura é um tema constante para responder uma pergunta que antecede a tudo isso e é marco na nossa existência: quem somos?

Nos temas sexualidade e violência Gikovate aposta, no entando na diferença genética entre os sexos. Isso me leva a pensar em várias coisas e , a despeito de qualquer teoria culturalista, me vem as questões: Será que Ana Carolina Jatobá, Fera da Penha e Suzanne von Richtofen tem tantos hormônios quanto Bruno, Alexandre Nardoni e Pimenta Neves? A minha mãe dizendo que como homem devo revidar um tapa que me derem conta alguma coisa? Se uma menina agride ela tem defeito genético? E se um homem não gosta de briga está contra seus instintos naturais e dando um passo para trás na evolução? Onde está tudo isso.

Ai chego a conclusão de que outras perguntas servem como boas respostas. Uma auto-reflexão também, já que sou um bundão não dado a brigas mas com uma quantidade de raiva internalizada caótica e sem explicação que não tá no gibi. Assumo que tenho medos, mas odeio admitir meus erros. O que há de masculino nisso? O que há de feminino? Ou será que tudo isso não é uma convenção para estabelecermos o que cada um dos gêneros pode fazer e que seja bem aceito pela norma social?

Bem, a controvérsia continuará. De qualquer forma agradeço a meus dois "algozes" pela toque e me forçar a dizer as coisas de uma maneira mais pessoal. Eles leem esse blog e saberão que me refiro a eles.

domingo, 22 de agosto de 2010

Lola Rennt

O Tom Tikwer tava certo com aquele lance de espirais em seu cult "Corra Lola"... eu dou de cara com uma situação tão previsível de alguém que jura ser surpreendente. Acho que estou velho demais para esperar novidades de certas pessoas. Prefiro as que não tem pretensão, elas podem trazer as boas surpresas.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O danado do vento

Ai tem aquele danado daquele vendo que julguei ser redondo, que anda em círculos. Na verdade ele é uma grande espiral que nunca volta par o mesmo ponto, mais sei que mais cedo ou mais tarde ele fica cada vez mais para dentro, cada vez mais intenso.

É por isso que eu o aguardo com a paciência taurina que me cabe, prestes também a ter ações neste sentido.

sábado, 24 de julho de 2010

Tragédia

Certa vez um professor comentava que a tragédia que há em Édipo Rei não foi o fato do personagem-título ter matado o pai e casar com a própria mãe. A tragédia está pelo fato dele ter consultado o oráculo e ficar sabendo de tudo isso que, até então, lhe era desconhecido.

O acidente que matou Rafael Mascarenhas teve um detalhe desse tipo. Pelo que saiu no jornal ontem, ao pagar a propina para policiais no dia seguinte ao atropelamento, o pai do motorista do carro ficou sabendo pelo celular que a vítima era filho da atriz Cissa Guimarães e a partir deste momento ele entrou em desespero.

Pois é, antes ele sabia que alguém fora atropelado. Mas esses alguém era, em tese, um "desconhecido" o que lhe proporcionava uma ignorância parecida com a de Édipo ao matar Laio e se casar com Jocasta. Por destino, acaso, castigo divino ou seja lá o que for o atropelado era filho de alguém famoso o que joga o caso em praça pública, ou seja, na imprensa e ai há o risco de ter a imagem arranhada.

Acredito que um dos componentes dos pais em proteger os filhos dessa forma está no fato deles, pais, não quererem arranhar a sua própria imagem e passar o atestado de "olha o senhor criou um monstro" ou algo do tipo. Por isso há de se defender a "honra"da família e de si mesmo, já que a família funciona como instituição reflexo, ainda que use os métodos mais desonestos possíveis.

Não quero aqui diminuir a dor da atriz, afinal, não importa quem seja, a dor de uma mãe ao perder o filho, quando ela o ama, é sempre forte. Mas e se fosse com alguém não famoso? Teríamos a repetição do caso do índio Galdino queimado e Brasília ou tantos outros.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Licopeno


Todo gordo é metido a nutricionista e a saber cozinhar. Partindo desta ideia, certa vez com Osmar, víamos um livro sobre as propriedades químicas dos alimentos e no que eles eram bom para saúde.

A leitura rápida valeu a pena. Hoje, ao pensar em comprar tomate - algo que como, mas não sou entusiasta - dei de cara com um pedaço de melancia na promoção. Não hesitei e levei a fruta, afinal, ela também tem o licopeno, antioxidante - leia-se medo de ficar velho- também presente no tomate. Sendo que o tomate para ter um nível bom desse troço precisa ser cozido - dai os molhos neste sentido serem melhores que os tomates crus - ao passo que na melancia, bem como no mamão ele já se encontra em bons níveis cru mesmo.

Enfim, típica neura de gordo pós-30.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre dois livros

Estava eu vendo as notícias da manhã e naquele afã de ver hiperlinks, me aparece um para a livraria da Folha para o livro "A Experiência Homossexual da terapeuta mexicana Marina Castañeda. O trecho inicial de Sérgio Ripardo sobre o livro afirma o seguinte:

"Parece fácil jogar nas costas de um profissional a responsabilidade de fortalecer seu ego e recuperar sua autoestima. Nem todos conseguem pagar uma terapia. Em São Paulo, uma sessão com um especialista em atender gays e lésbicas pode sair por valores entre R$ 150 e R$ 250. Nem sempre se encontra a empatia esperada. Às vezes, falta especialização do profissional em questões típicas da homossexualidade, e as sessões não avançam, e você só perde o seu tempo e dinheiro. Já procurar um terapeuta gay pode ser uma grande roubada em alguns casos, não só pelo risco de você se apaixonar por ele, mas também por ele tentar aplicar certos modelos viciados de análise, já que só está acostumado a esse tipo de atendimento."

Bem, se for seguida essa lógica, os pacientes heterossexuais com terapeutas heterossexuais podem também estar em uma roubada pela possibilidade de ser apaixonar - Freud chama isso de transferência - ou ele pode aplicar modelos viciados de análise.

De qualquer forma, lendo o trecho do livro sobre o luto da heterossexualidade parece ser bem interessante e há um capítulo sobre a homofobia internalizada. Vale a pena a conferida no site.

Outro livro que me chamou a atenção foi "As Lésbicas- Mitos e Verdades" da filósofa e jornalista francesa Stéphanie Arc, em especial pela articulação entre a homossexualidade feminina e a associação entre mitos e esteriótipos de gênero.

domingo, 18 de julho de 2010

Preciosa


Passada a época do Oscar e todos os comentários sobre o filme Preciosa, de Lee Daniels, eu finalmente pude vê-lo e poderia colocar várias reflexões sobre esse excelente filme. No entanto, tentarei ser breve e chamar a atenção para Mary, personagem de Mo'Nique, vencedora do Oscar deste ano por este papel.

A personagem poderia resvalar em duas caricaturas: uma focada no individual como uma mãe megera, louca, psicopata fazendo suas maldades tal como uma bruxa dos contos de fada. Outra apelaria por um viés completamente determinista, dizendo que a personagem é produto do meio e não passa de uma vítima daquele contexto.

Na verdade Mary pode funcionar nos dois contextos e ao mesmo tempo nenhum deles. Sim, ela é louca, faz coisas que consideramos abjetas, monstruosas. Não entrarei em detalhes para não fazer spoiling. Por outro lado tanto ela quanto a filha estão ali naquele contexto violento em que talvez certos códigos poderia soar como naturais, internalizados então pelo medo que tanto ela quanto a flha sofrem por serem vítimas de violência.

Quando digo que a personagem é nenhum deles isso fica marcado pelo diálogo no fim do filme entre Mary e a assistente social Mr Weiss - vivida por Mariah Carey em excelente desempenho - na qual ela aponta a sua necessidade de manter aquele homem e transfere seu ódio para a filha. A filha que em um momento é a sua "Preciosa", fruto daquela paixão entre ela e o namorado se torna objeto de ódio por parte da mãe quando a filha é desejada pelo pai, nessa estranha e realista tragédia, uma versão atual do mito grego de Édipo. Ali está uma mulher longe da ideia da "boa selvagem corrompida puramente pela sociedade". O que se tem é que, mesmo pobre, ela é uma mulher de desejos e nesses desejos se mostra também a sua perversão.

Bem, resta agora esperar por Selma- do mesmo diretor - com estreia prevista para o ano que vem que trata da questão dos direitos civis nos anos 60 nos EUA. Robert e Niro está cotado para o papel de George Wallace, figura controversa na história estadunidense que merece atenção e uma personagem que, talvez, muito ator gostaria de fazer.

sábado, 10 de julho de 2010

Quanto mais eu rezo...

Essa semana foi, no mínimo, estranha no que tange relacionamentos com pessoas adeptas e praticantes de religiões. Preciso conversar com as duas instâncias da existência judaico-cristã a respeito disso.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Pelo direito ao relacionamento

De repente parece que o mundo que me cerca resolveu discutir seus relacionamentos amorosos. Não que isso seja algo absurdo, aliás isso é salutar para a convivência a dois. No entanto parece que tanto eu quanto meus amigos passamos pelo mesmo processo esses dias. Deverei eu ver a posição dos astros?

Em meio a tantas reflexões pensei no que boa parte de nós fazemos. Procuramos muito ter uma relação, um namoro, um casamento. A palavra "relacionamento" oferece uma segurança afetiva e muitas vezes ela se torna maior mesmo que "eu" ou o "outro" com quem nos relacionamos. Tudo é feito para investirmos nessa entidade que acaba se tornando algo abstrato e amorfo, não trazendo prazer para nenhum dos envolvidos e deixa de ser algo concomitante ao encontro que temos com o outro.

Durante algum tempo pensei que relacionamentos eram difíceis em função de estarmos com outras pessoas e que a partir disso temos que lidar com as diferenças que temos e daí vem os equívocos, as brigas e as frustrações por estarmos com alguém que não se encaixa no molde que pré-estabelecemos para uma relação.

Se devemos dar um viva às incertezas e as dúvidas, como bem colocou o Marko em seu blog, ao mesmo tempo me veio uma outra ideia: o relacionamento como forma de autoconhecimento.

É bom reparar nas nossas repetições que trazemos em todas as relações. Por outro lado, pelo menos no meu caso, serve para pensar de que maneira tenho lidado com o meu poder pessoal, questão que não fica só no que diz respeito a relacionamento afetivo, mas vai para outros campos da vida. Esses dias tive uma constatação sobre como esse poder existe, ou melhor, como sou capenga em lidar com ele, mas ao mesmo tempo podendo reconhecer isso de maneira melhor. E ai sim posso me libertar de certos parâmetros que estabeleci para mim mesmo na forma como lidar com isso, colocando a dúvida e a incerteza e permitir viver as experiências amorosas sob um outro prisma, até que venha uma nova frustração e a partir dela me reinvente de novo.

Por isso todo mundo tem direito sim ao relacionamento amoroso. Creio que ali é um grande exercício para descobrirmos não o "quem eu sou", mas a maneira como estamos agindo em um certo momento da vida e se, caso aquilo tem trazido coisas ruins, que possamos modificá-las, nos reinventarmos. É um momento de se discutir sim o relacionamento, mas aquele que temos com nós mesmos.

Para descontrair um pouco

Bem, como o facebook e coisas do tipo são dados a puritanismos mesmo com fotos que foram publicadas na grande imprensa, eis aqui um flagrante deste mundial:














E, como diz um grande amigo, "cara, é corpo" eis aqui o dono da bunda acima mostrada:

















Arjen Robben, da seleção holandesa.

Resta-me saber se quando a pessoa for acessar esse blog haverá aquele aviso de "este blog pode ter conteúdo impróprio".

O caso Bruno


Mais que um caso de pessoa famosa envolvida em crime que desperta sempre aquela curiosidade do "o cara tem tudo, com pode ser bandido?", ou a tese preconceituosa do "tá vendo, o cara tem dinheiro, mas continua agindo feito pobre/preto/favelado", o caso do goleiro Bruno é sobretudo uma questão ligada a forma como se dão as relações entre homens e mulheres no Brasil.

O jornal "O Globo" perguntou a vários especialistas sobre o caso e a maioria deles apelou para um psicologismo absurdo. Pontos nesse caso foi para o Roberto da Matta, antropólogo, que falou sobre o "ethos" machista que há no futebol. O machismo não é privilégio do futebol, há na sociedade como um todo e em todas as classes.

As relações de poder de gênero se caracterizam, ainda nos dias de hoje, na noção de que o homem é dono da mulher, de seu corpo e de suas decisões. No que diz respeito à saúde reprodutiva, toda a responsabilidade é jogada para cima da mulher. O homem vive no paradoxo da responsabilidade no que diz ao trabalho, força e virilidade - "homem de verdade tem que ter caráter, não pode ser vagabundo"- e da "irresponsabilidade" no que diz respeito a sexo, e relações afetivase cuidado com a saúde "ah o cara é homem, é assim mesmo, pra que vi se preocupar em usar camisinha? Homem é feito bicho na hora do sexo".

Então temos a história de um goleiro que sai das classes mais baias e atinge o status que tradicionalmente os homens desejam: fama, dinheiro luxo, mulheres, sexo. Ele está em um lugar onde muitos desejam. Só que paraísos perfeitos não existem e todo cuidado é pouco quando se diz sobre poder.

Há o assédio por parte de muitas mulheres. No caso o desejo delas é o mesmo deles: fama, dinheiro e luxo. O acesso que algumas delas encontra é justamente pela via dos relacionamentos, sejam eles afetivos ou puramente sexuais. Talvez, sem fazer julgamento de caráter, seja esse o viés de Elisa Samudio. E como bem ilustra Da Matta, o desejado ali não é o goleiro, homem digno de ser admirado por suas glórias, mas sim o que ele tem financeiramente. Estamos em plena era do capitalismo e guerreiros míticos por suas glórias, porém sem dinheiro não cabe no discurso desejante de hoje, seja pelas mulheres que assediam esses jogadores ou um moleque de favela que sonha em ser jogador de futebol e deseja muito uma chuteira da Nike ou uma Ferrari. O heroísmo se dá por essas conquistas.

Justo com a necessidade de ser desejado há também a exigência da obediência ao poder do homem. Por ter transgredido também a essa exigência, pode ter sido esse o caminho que levou Elisa à morte. Há seus requintes de crueldade e perversão neste caso, mas isso só rendeu manchetes na grande mídia porque envolveuo técnico do time de maior torcida no Brasil. Casos como o de Bruno devem lotar as divisões de homicídio e Delegacias Especiais de Atendimento a Mulher de todo o Brasil sendo que esses mal devem ser notinha no jornal Meia Hora.

O fato é que antes de chamarmos Bruno de "monstro" ou "anormal", tal como chamamos o homem de "bicho" quando se diz a respeito de sexo deve-se pensar que o que ele fez é reiterado por uma sociedade que em pleno século XXI reitera a ideia de que a mulher é um objeto das vontades e necesidades masculinas, ao passo que a partir do momento que a mulher deseja alguma forma de poder ou desafia normas estabelecidas, ainda que esta também deseja viver dentro edesta norma (quero um homem rico para me deixar bem de vida) ela pode ser acusada de prostituição, receber nomes pejoativos, ser violentada ou até mesmo morta.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Zoot Woman - Just A Friend Of Mine

Musica que está bom para o meu momento amoroso ;)

Rolling Aristoteles












Todo gringo é flamenguista. (Premissa maior)
Mick Jagger é gringo. (premissa menor)
Logo, Mick Jagger é flamenguista (conclusão)

T9

A primeira vez que vi esse recurso tal de T9 para mandar mensagens para o celular achei um complicação só. Daí eu passei a usar meu aparelho antigo que sempre sugeria o site www.t9.com . Depois foi o Vando, nerd que é, me recomendando este recurso. Passei a utilizá-lo e estou adorando.

Remédio


Passo os lábios pela boca e sinto não mais o seu beijo, mas um gosto de melissa. Era resto de um chá para a garganta. Não sei as propriedades dessa planta para a dor que eu sentia. Não importava-me o gosto ou do que a planta era feita. Só a pimenta na ponta do nariz para permitir a respiração. São dias sem fõlego e não é por conta de um micróbio. É você, é a lembrança que aumenta com tua ausência.

Levo para o quarto a água (beba bastante líquido!) e o rádio. Toca a música de um alemão, música de cabaré feita nos anos 90 com cara de anos 20. Isso também não representa nenhum problema, porque sintonizei o rádio porque sabia que ali tinha música boa, não importava-me de quem era. Como a água quente e a erva-cidreira. O importante é a água quente dilatar os vasos e reduzir a dor. Pura, ela seria intragável. Por isso preciso de alguma folha com gosto minimamente agradável.

O alemão agora canta "we are the champions" como seu estivesse num filme de Marlene Dietrich. Só que o que eu queria era aquele som que interfere no rádio, um chiado estranho que avisa quando o celular irá tocar ou receber alguma mensagem. Aquele ruído que ora parece com trote de cavalo - isso deve combinar bem com caipiras - ora como um toque sutil na porta. No entanto nada de som, nada de notícia.

Descubro então que teu ruído é feito de silêncio. Tem uma capa de crise vivencial, porque tudo o que me disseste até agora não me parecem existenciais. Isso eu deixo para quem tira onda ouvindo jazz na mesma rádio que sintonizo com o resto de melissa no gosto da saliva misturada a das secreções de um resfriado. De qualquer forma o remédio liberta as narinas e a garganta. E meu pensamento se liberta da tua ausência na medida em que coloco cada palavra. Devemos, por isso, tomar muito cuidado com o que dissermos um para o outro porque palavras lbertam, mas também aprisionam na expectativa que damos ao outro. E isso terá aquele gosto ruim de sercreção sem remédio, não importando se a água está fria ou quente. A dor permanece e quando ela passa, remédio se chama desprezo.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Superstição

Creio que hoje estou apegado a uma certa superstição. Neuróticos-obsessivos adoram isso. Pois bem, daqui a pouco jogarão Brasil e Holanda e acho que o Brasil não passará para as quartas (ideia da morte está no pacote do nobs) só porque estou fora de Araruama. Na última vez que vi o jogo off-Araru, o Brasil empatou com Portugal.

Engraçado como o supersticioso tem uma forte dose de narcisismo. Uma atitude dele pode mudar o mundo inteiro, pode ter uma reflexão que pode transformar o mundo inteiro. As religiões sempre souberam aproveitar isso, apesar de que, ultimamente, as pessoas lotam as igrejas não no sentido de estabelecer uma ordem para o mundo - pelo menos não é a ideia principal- mas sim de obter alguma forma de lucro pessoal. Por isso não vilanizo pastores, padres, pais de santo e afins por eles dizerem exatamente o que esses meus companheiros neuróticos desejam ouvir.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Give Me One Reason, Tracy Chapman - Dir. Julie Dash

A letra da música desse "clássico" de Tracy Chapman tem muito a ver com o meu momento afetivo atual.

Seleção 2010

Tudo bem que este blog sempre manteve uma certa linha comportada, talvez, mas eis aqui a minha escalação puramente estética para o meu time da Copa 2010, no melhor estilo 4-4-2, mesmo sabendo que a maior parte destes jogadores incluídos não atuam neste esquema tático.

Vejamos

Goleiro: Júlio Cesar (BRA)












Defesa






Albiol (ESP)










Rafa Marquez (MEX)






Fabio Cannavaro (ITA)









Piqué (ESP)










Meio de Campo


Beausejour (CHI)







De Rossi (ITA)





Joe Cole (ING)










Verón (ARG)








Ataque

Higuain (ARG)





Altidore (EUA)








Altidore (EUA)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Que rosário você carrega?

Hoje minha tia conta-me um relato seu enquanto esperava o médico do posto de saúde. Fora tratar da sua diabetes e ao chegar em casa esbravejava contra o diabo , por achar que é ele que estava em seu sangue aumentando-lhe a glicose e não a sua falta de cuidado com a própria dieta.

Dizia-me ela que tinha uma senhora, com um rosário na mão, falando coisas belíssimas que tranquilizavam um homem que estava ali na sala de espera com elas. As palavras eram encantadoras e falavam do mesmo Deus que ela, como evangélica pentecostal, a senhora, católica, acreditavam.

No entanto, a alegria de minha tia acabou quando a velha disse sobre Nossa Senhora. Dizia ela ao homem que ele precisava do intermédio de Nossa Senhora para poder chegar a Deus. Minha tia retrucou-a dizendo que o único intermediário é Jesus. Ao me contar isso ela teve um certo cuidado em me dizer "Junior, eu sei que você é católico, mas a Bíblia é a mesma, não tem essa de Nossa Senhora, apesar de eu respeitá-la como mãe de Jesus".

Bem, esse texto não é para falar de religião, apesar de também falar sobre ela.. Eu pensei, na verdade, nos símbolos que carregamos conosco, valores ou objetos que investimos valores e nos associamos a eles de forma tão narcisista. Carl Rogers em seu clássico "Tornar-se Pessoa", diz que o passo para nos tornarmos pessoas implica o entendimento do outro e que a partir disso é que provocamos uma mudança em nós mesmos.

Foi mais ou menos que aconteceu com a minha tia. Mais ou menos porque o ponto em que ela gostou das palavras da senhora era no aspecto em que as duas concordavam com a mesma coisa. A identificação neste caso é narcísica. Pelo menos é um avanço no que diz respeito a uma possibilidade de ouvir o outro, mesmo quando esse outro diz exatamente a mesma coisa. Por outro lado a tolerância esbarra no rosário da senhora e minha tia elege seu objeto fetiche, no caso a própria Bíblia.

A velha senhora também não está distante do comportamento da minha tia. Ao invés de confortar o homem na sala de espera teve a sua dose de proselitismo, com terço na mão e tudo. no fundo o estranhamento entre elas se dá por essa identificação quase como um jog de espelhos.

Indo mais além: terços e bíblias ou outros objetos eleitos como defesa são privilégios de crentes? Até que ponto nós, de uma maneira geral, não elegemos os nossos próprios objetos e não nos associamos a eles de forma tão narcisista e deles não abrimos mão? Tem um lado de defesa do ego, que é importante, a necessidade de mantermos as nossas identidades sem sucumbir ao que vem do outro. É importante distinguir o comportamento de "maria-vai-com-as-outras" da pura intolerância, que no fundo são irmãs, já que muitas das crenças que abraçamos são nos passadas por instituições sociais durante nossa vida e, sem questionarmos, vamos repetindo as coisas como papagaios numa ilusão de que estamos sendo "nós mesmos".

Há sim, a possibilidade de coexistência entre a nossa capacidade auto-afirmação ao mesmo tempo que nos permitimos ao outro. Nascemos desa dependência do outro - ainda que , de início, nos provoque intensa pertubação. Para isso, a gente precisa nos perguntar: que rosários carregamos?

sábado, 26 de junho de 2010

Crime e Castigo em São Gonçalo



No próximo dia 28, segunda-feira, será Dia Mundial do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). Em função disso, o programa Atualidades, da Rádio MEC (800 mHz no Rio de Janeiro) terá um debate sobre o tema, a partir das 11:05 da manhã. O programa, para quem não tem tempo, pode ser obtido através de podcast que o site da rádio disponibilizará.

Um fato ocorrido no mesmo dia 20 , dia do jogo Brasil x Costa do Marfim pela Copa do Mundo no município de São Gonçalo, no Grande Rio deverá ser lembrado neste debate. O jovem de 14 anos Alexandre Thomé Ivo Rajão foi assassinado e seu corpo foi encontrado na segunda-feira com sinais de tortura, espancamento e estrangulamento.

Investigações preliminares apontam que o motivo do crime foi o fato do rapaz ser gay – ele inclusive participava da organização da Parada Gay de São Gonçalo-- e ao mesmo tempo por vingança. Ele comemorava a vitória com amigos em uma festa e um deles foi agredido por um grupo de outros rapazes (mais velhos) e Alexandre foi desapartar a briga. Eles também foram até a delegacia registrar queixa por agressão. Na madrugada Alexandre resolveu voltar para casa sozinho, no bairro do Mutuá, onde foi visto pela última vez. De acordo com testemunhas e ligações para o Disque-Denúncia, rapazes em um veículo de cor branca sequestraram Alexandre no ponto do ônibus. A polícia prendeu três suspeitos do crime: o eletricista Allan Siqueira de Freitas (22 anos) , o brigadista Eric Bruim (22) e o açougueiro André Luiz Marcoge da Cruz Souza (23 anos).

De acordo com o depoimento de Alan, no qual ele afirma ter sido simpatizante do movimento skinhead na adolescência e que procura incriminar Eric --que nega participação no crime, bem como André Luiz-- foi Eric o responsável pela morte do rapaz. Existem muitos pontos a serem esclarecidos sobre este crime, uma vez que há a versão da própria mãe na qual ela afirma que uma menina da festa, prima de um dos suspeitos, chamou o primo depois de uma falsa acusação de ter sido agredida por um dos rapazes. Maiores e melhores esclarecimentos sobre este crime pode ser encontrado no blog do Carlos Alex Lima, no qual há links para vários veículos que noticiaram o caso e também o video com o depoimento da mãe do rapaz.

A minha amiga pergunta: Odilon, o que a psicologia tem a dizer sobre a homofobia? Ela gostaria de ter uma base do conhecimento psi para o debate. Este texto se deve em boa parte- além da minha indignação com o assassinado de Alexandre- a esta pergunta. Não trago conclusões definitivas ou esclarecimentos reduzidos, mas é interessante refletirmos sobre o que permeia o ódio contra homossexuais.

I) A Questão de Gênero

Existe um fato com o qual sempre implico com a militância LGBT que é a falta de visão- exceto no caso das mulheres homossexuais – da questão de gênero. Não há como discutir orientação sexual sem esse viés. No caso das lésbicas essa discussão se torna mais visível uma vez que questões de gênero tradicionalmente envolve o feminino e o masculino é frequentemente excluído, apesar do crescimento de estudos na área que procuram incluir as masculinidades como tema. A sua compreensão é fundamental se quiser não só entender as relações que ocorrem entre os homens em suas várias esferas (sexualidade, violência, trabalho, paternidade, orientação sexual etc), mas é de suma importância para as mulheres pois assim ter-se-á um avanço na promoção de equidade de gênero. E a questão da orientação sexual e da homofobia também passa por esse entendimento.

II) Os assassinatos de homens jovens

Outro fator importantíssimo é que este crime foi praticado por homens jovens e a vítima era também um homem jovem, ainda que mais novo. De acordo com o estudo Mapa da Violência de Júlio Jacobo, a média de assassinatos no Brasil é de 25,2 para 100 mil habitantes. O mesmo estudo mostra que em 2007, 92,1% dos assassinados eram homens e 36,6% do total, contra homens jovens entre 15 e 24 anos. No município de São Gonçalo esse índice é de 39,5 para 100 mil habitantes para a população em geral e de assustadores 115.1 por 100 mil para quem tem entre 15 e 24 anos. A frieza dos dados podem indicar que “ah, o rapaz tinha 14 anos, não 15, como apontam os números”. Na verdade eu os utilizei aqui como forma de chamar a atenção de como ser jovem, do sexo masculino é um fator de vulnerabilidade. Sendo também negro e/ou homossexual esse índice deve aumentar consideravelmente. Infelizmente, a pesquisa não tem dados a respeito de assassinatos de homossexuais, até porque metodologicamente ainda existe grande dificuldade, boa parte em função do preconceito que há em relação ao tema, em especial no registro dos crimes pela polícia.

E o que tem a mortalidade de jovens de uma forma geral com esse caso de São Gonçalo? Tudo.

Em princípio eu poderia falar de explicações psicanalíticas, da teoria da sexualidade, do ódio que existe dentro de cada um em relação ao diferente e tudo o mais. No entanto o que cabe ressaltar aqui é a forma como nós, homens, somos socializados. Isso é chave para este entendimento da nossa relação com a violência, bem mais do que teorias simplistas omo “o homem tem mais testosterona que a mulher e por isso é mais violento” que essencializam a questão em um só ponto e deixa de lado a complexa dinâmica sócio-cultural que há nisso,

III) A construção do masculino e homofobia

Desde cedo somos educados a bater e, em caso de sofrermos agressão, revidar. Se um garoto, desde cedo, não gosta de briga, logo é chamado de “bichinha”, “mariquinha”, “mulherzinha” ou qualquer outro termo pejorativo que vai, justamente, desqualificar a sua identidade masculina. A violência é uma das formas de afirmação desta identidade.

Outra forma de afirmação é a sexualidade. É comum, por exemplo, pessoas já desde cedo perguntarem aos meninos “já tem namoradinha no colégio?”. Na adolescência essa cobrança se mostra maior. Essa é uma fase repleta de angústias, questionamentos e intensas mudanças, no corpo e da mente e os rapazes terão que afirmar sua masculinidade pelo número de conquistas sexuais.

Todavia, essas conquistas são e devem ser heterossexuais. A homossexualidade é vista como algo anormal e não desejado. Ela representa uma ameaça ao “masculino”, e justamente na adolescência, fase crucial na formação das identidades, a homossexualidade ganha um contorno mais dramático. Seja por heterossexuais que querem distância dessa suposta ameaça – e uma forma encontrada para responder a essa ameaça é a violência, seja ela psicológica ou física – e mais ainda para jovens homossexuais que tem que lidar com a homofobia interna- ele se sente diferente e ao mesmo tempo aumentam as suas angústias por estar forma do modelo tipo como ideal, ou seja, heterossexual – e com a homofobia sofrida, sejam por valores aprendidos nas diversas instituições sociais (família, escola, comunidade, igreja, serviços públicos, etc) ou por agressões que podem sofrer nestes mesmos contextos.

É esse repertório aprendido e institucionalizado em nossa sociedade que permeia boa parte da homofobia, tanto no caso do assassinato de Alexandre, bem como diversos outros.

IV) Crime e Castigo

Em crimes como o de Alexandre, no qual há a necessidade de deixar marcas da crueldade, me chama a atenção da necessidade de punição exemplar. Na Idade Média queimavam-se as bruxas na fogueira em rituais públicos promovidos pela Igreja, em que até crianças eram espectadoras. Era uma forma de mostrar aos demais daquela comunidade que se cometessem o mesmo “crime” que a pessoa que era queimada, o seu fim seria o mesmo. Na modernidade, tem-se a noção da punição, do castigo como forma de ressocializar o criminoso para a sociedade ao mesmo tempo em que o afasta dela, privando-o de sua liberdade. Usando um pouco do que disse o filósofo francês Michel Foucault, a punição tem um caráter pedagógico.

Pensei no caráter perverso deste crime. A perverso ignora, passa por cima das lei. Como ter uma punição exemplar em tempos de punição pedagógica? Nesse sentido os assassinos de Alexandre, bem como nos diversos casos de crimes homofóbicos desta natureza, tem sim esse componente perverso. Há a necessidade de mostrar aos outros homossexuais “não sejam assim porque senão vão terminar da mesma forma que ele”. Como um grupo pequeno não tem a capacidade de cometer genocídio ou perguntar de porta em porta quem é homossexual, o cadáver serve como um “ensinamento” e ao mesmo tempo uma forma de intimidação pelo medo.

Como afirmei anteriormente, a homossexualidade é algo que deve ser eliminada, nem que para isso se use a violência como meio. E quando menciono a violência não é só o assassinato cometido, mas bem como a ameaça que há junto com ele. Por isso os requintes de crueldade se fazem presente: eles vão valorizar para o assassino o quanto ele é bom em sua crueldade, há uma satisfação do ego e ao mesmo tempo um respeito e admiração entre seus pares (“não mexa com esse cara, que ele é sinistro”) bem como servir de aviso para os demais homossexuais. E isto ocorre em um contexto em que a violência já perde a sua ligação com o sagrado ou mesmo com as guerras de outrora e se torna banal, disseminada em nosso cotidiano.

V) Perversão e Norma

Por outro lado, essa “perversão”, tem uma relação com a própria norma estabelecida que é homofóbica. Em princípio, antes da notícia sobre o depoimento de Alan, no qual ele diz se simpatizar com o movimento skinhead na adolescência – o grupo é uma forma de resposta, de ressonância e garantia para a construção de identidades-- eu estranhei: como ter um skinhead em São Gonçalo, cidade com enorme população negra e/ou nordestina. Tudo bem que originalmente o movimento skinhead inglês não apresentava esse caráter racial, mas a forma como ele já chegou no Brasil já veio com esse componente.

Então pensei: será que a necessidade de rotular o grupo de “skinheads” não é uma forma de dizer que este crime foi cometido por párias, por pessoas que fogem a norma, doentes ou algo do tipo, algo tido como excêntrico e não por um cara que tem uma vida comum, tem o seu trabalho, comunidade, amigo, vizinhos, família e tudo o mais como a maioria de nós? Uma maneira de encontrar alguém que possa fazer o “trabalho sujo”, no caso, matar um homossexual, ser indesejado por toda a sociedade, atribuir ao assassino uma categoria de estranheza (skinhead) para que não se veja a indesejável verdade de que pessoas que cometem esse crime foram educados com os mesmos valores homofóbicos que são ensinados para todos nós. São pessoas comuns que podemos encontrar em qualquer lugar, bem como homossexuais.

VI) Justiça para quem?

No sentido inverso também há o discurso de que mataram um homossexual, mas (esse maldito “mas”) ele era uma rapaz direito, participava do movimento na igreja, trabalhador, etc. Esse mesmo discurso ocorre quando se mata alguém ("ele não era bandido, era trabalhador"). Se queremos promover igualdade de direitos, não importa se Alexandre, ou qualquer outra vítima de assassinato, era trabalhador, honesto, religioso, não usuário de drogas ou qualquer coisa que o valha. O que tem que ser feito é um trabalho de investigação sério, um julgamento justo e a sua condenação, não importando a natureza da vítima.

Obviamente, não se pode esquecer de que a vítima do crime era um jovem homossexual da periferia de uma grande cidade brasileira, o que o coloca em uma séria situação de vulnerabilidade e, nesse sentido, cabe ao Estado tomar suas providências junto com a participação da sociedade – e para isso ela terá também que lidar com a sua homofobia --para que não tenhamos mais casos como este que aconteceu em São Gonçalo.

Ps : Neste domingo, na Praça do Zé Garoto, em São Gonçalo, local da parada gay da cidade, terá uma manifestação a partir das 15hs sobre este crime.

Ps 2: Mais do que nunca a lei que criminaliza homofobia, sem "datenismo", precisa ser aprovada. Não é possível conviver com crimes como este ao mesmo tempo em que setores da sociedade, especialmente os religiosos, incitam a homofobia, a criminalidade em nome de uma suposta "liberdade de expressão". Homicídio e expressã do ódio desta forma não são liberdades de expressão, são crimes.


sexta-feira, 25 de junho de 2010

Andar Noturno

A lua encontra-se embaçada, não identifico. É meia noite e há algum movimento em certas partes da cidade em que nasci. Quarta-feira, meio de semana sem jogos locais. A Copa do Mundo suprimiu essa parte da rotina.

Depois eu saio dali, com gosto de vodka na boca, atenuado pelo excesso de gelo. Ainda consigo sentir o cheiro daquele perfume misturado a incenso e talvez maconha, sei lá, no fundo aquele outro tem razão ao me chamar de caretão e por isso sou incapaz de reconhecer estas coisas. Não por puritanismo, mas por opção.

As ruas vazias e os sinais piscam no amarelo. Mais adiante um grupo não se dá conta da quarta feira sem jogo e está num botequim escondido, uma espécide de oásis de uma noite surda. E é ali, perto de onde os surdos estudam, da casa de uma festa chatinha de anos atrás e daquelas outas belas, coloridas, que a lua minguante se revela. Um alento para prosseguir a caminhada pela grande reta em que um gato, sorrateiro, pula para o adro da igreja.

Quando penso que a jornada poderia chegar ao fim e finalmente, interromper a caminhada, passa um ônibus de forma rápida. Ele tem um número que conheço, mas de intinerário diferente. Sempre fui orgulhoso de reconhecer certos números, mas a mudança de destino escrita no luminoso interrompeu a minha rapidez em pegá-lo. Ou, talvez, no fundo, aquela caminhada tinha que continuar.

E continua por uma rua pequena quem em seu meio aparece uma outra com muro velho, pichado e deserto. Despertam-me desejos e fetiches, talvez pela segurança de não ter absolutamente ninguém ali. E também há marca de um símbolo antigo, que me lembra meus 4, 5 anos que a empresa mantém até hoje na porta de entrada de seu terreno, mesmo sabendo que hoje ela adota outro logotipo. Essa caminhada sugere algo parecido, velhos conceitos, mas o caminhos novos.

No fim há um homem a enxergar a autoridade com ar libidinoso. Aquele lugar é proprício a esse tipo de coisa, apesar de continuar mesmo disposto a seguir meu caminho de volta com as sensações da vodka, do incenso e do brilho da lua.

Tomo a condução. Vejo que o prédio da minha infância vai tomar um ar novo, diferente do que sempre me acompanhou. E sua reforma é exatamente para ficar como era em 1922. Mais uma vez algo antigo parecerá novo e o que estava ali, firma, mingua, como a lua a esperar um novo ciclo. E estou tão envolvido nessas sensações que sequer me dá vontade de investir o olhar para o que está atrás de mim e é muito interessante.

A última voz que ouço antes de chegar é da travesti pedir ao rapaz que está na minha frente um cigarro, e ele diz que aquele está a varejo.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

3 textos curtos

Ontem

A minha cabeça fervilhava de ideias enquanto meus olhos como sempre ficavam paralisados no ar. Deve ser por isso que gosto dos gatos. Eles também têm esse olhar paralisante que muitas vezes nos amedronta. O que será que eles estão vendo? E ai vem outra pergunta: queremos mesmo saber? O pecado de Eva, a curiosidade de Pandora, querer saber o que está além. Necessidade de controle? Pode ser, mas tudo isso é, como no livro que terminei de ler essa semana "humano, demasiado humano".

Necessidades

Daí vem aquele mesmo rito de terça, ou de quinta. Isso depende da escala. Gosto de cultivar ritos, especialmente quando se há possibilidade de, dentro deles, fazer algo diferente. E embora não pareça, isso tem acontecido. Há possibilidades de se expandir para mais coisas, basta a vontade e o coração aberto para que isso ocorra. E, claro, tempo.

100%

Já desisti dessa busca, ela é inútil. Há os que a perseguem sem saber que ali há um espaço chamado medo. Medo por saber que essa é uma tarefa inglória.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Rumual Équiça

Nasci em um ano de Copa do Mundo. Não é lá grande coisa afirmar isso, já que foi uma copa vergonhosa: a Argentina, assim como o Brasil naqueles estranhos anos 70 entre o primeiro e o segundo choque doi petróleo, já começava a dar sinais de uma ditadura caduca. O que fazer então? Colocar um time como campeão e, a exemplo de Médici em 70 - só que na "sujeira"- capitalizar a Copa politicamente. No entanto isso não importa, eu gosto de Copa.

Pensei em fazer um longo texto relacionando cada Copa do Mundo com o momento em que estava vivendo bem como com os fatos políticos de cada época que são emblemáticos. Por enquanto bastamos lembrar: eleições diretas para governador (82), plano cruzado (86), confisco da poupança por Collor-Zélia (90), plano real (94), reeleição de FHC (98), eleição de Lula (2002), reeleição de Lula (2006). Deixo para o leitor pensar sobre cada um desses fatos e o resultado das Copas, bem como a participação do Brasil e a partir daí, fazer suas analogias.

Não assisti a todos os jogos da primeira rodada da Copa. Tmabém não tenho todos os jargões de um entendedor de futebol. Só sei que Messi é o grande craque argentino, apesar de Higuain ter detonado no jogo de hoje contra a Coreia. A Espanha era favorita, como em vários anos, mas não deu pra ela frente a retranca suíça. O goleiro da Nigéria é excelente, mas "bateu roupa" hoje no segundo gol grego. Já Green da Inglaterra teve um frango histórico. Culpa da Jabulani? Não sei... Os jogos em geral tem sido modorrentos, com placares magros apesar da correria. Tempos de exigência do preparo físico e do futebol de resultados.

Enfim, tudo o que mencionei no parágrafo anterior é só o óbvio, mesmo adorando ver as mesas redondas e os comentaristas. É ótimo xingar Galvão Bueno, ver o Casagrande defender o direito a vida privada - para quem teve problemas com drogas- ao falar de insinuações maliciosas sobre a orientação sexual de um determinado jogador espanhol. Adoro ver Galvão alfinetando Arnaldo Cesar Coelho e vice-versa. Ver que é ridículo ver a Globo ter o tal Rogério como locutor estepe narrando os jogos do Rio de Janeiro. Que Tiago Leifert é um Tadeu Schimidt polaquinho que daqui a pouco estará na Record, porque ele tem cara de Record. E pensar que o lugar de Neto, Milton Neves, Vampeta, Denilson e Edmundo é na Band mesmo por não terem "cacife" para estar Vênus Platinada. Tudo isso, sinceramente, é divertido.

As coisas dependem do olhar e de como cada um se coloca. Estão aqui as minhas breves colocações sobre esse evento que mexe com todo mundo. Não importa se é alienação, manipulação midiática, ou como bem disse Roberto Pompeu de Toledo, uma disputa de seleções europeias recombinadas. cada Copa tem sua história e suas peculiaridades. Algumas são chatíssimas, outras entram para a história. Não importa. Por enquanto vou acompanhando a de 2010. Quem sabe faço o próximo post com os jogadores que mais "emocionam"? Aceito sugestões.